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Dieta Radicalismo
engorda Táticas severas para emagrecer podem
ter o efeito contrário em adolescentes As adolescentes que recorrem
a dietas radicais têm mais risco de se tornar obesas do que aquelas que
abusam da ingestão de alimentos gordurosos. Essa é uma das conclusões
de um estudo do departamento de psicologia da Universidade do Texas, em Austin,
que, durante quatro anos, acompanhou cerca de 500 garotas dos 11 aos 15 anos.
Segundo a pesquisa, o uso de laxantes e jejuns prolongados práticas
adotadas sem recomendação médica por um número crescente
de adolescentes tendem a estimular com os anos mais o ganho do que a perda
de peso. A pesquisa analisou seis tipos de
distúrbios alimentares, fatores comportamentais e problemas psicológicos
e procurou medir a propensão de cada um deles ao desenvolvimento futuro
da obesidade. Os pesquisadores também mediram a tendência ao ganho
de peso das adolescentes cujos pais são obesos. Conclusão: o uso
de mecanismos compensatórios (como laxantes e jejuns prolongados), os sintomas
depressivos e a hereditariedade determinam mais o ganho futuro de peso do que
a compulsão alimentar e a ingestão exagerada de alimentos gordurosos.
Segundo especialistas, essa conclusão reforça
a tese já conhecida de que, com o passar do tempo, as dietas rígidas
têm um resultado contrário em seus adeptos, numa espécie de
efeito bumerangue. "Com quantidade insuficiente de comida, o metabolismo desacelera
e o corpo se acostuma a manter as funções vitais com pouca energia",
disse a VEJA o pediatra e nutrólogo Nataniel Viuniski. "Assim, todo alimento
que for ingerido será armazenado em forma de tecido adiposo gordura
, pois o corpo já está acostumado a trabalhar com baixa intensidade
de energia." Segundo Viuniski, esse efeito é ainda mais perverso em garotas
em fase de crescimento, no ápice do desenvolvimento hormonal e ósseo.
Por essa razão, o psicólogo Eric Stice, um dos autores da pesquisa,
diz que, em vez de adotarem regimes radicais, as meninas e adolescentes deveriam
preocupar-se em fazer exercícios físicos regulares e ingerir calorias
na quantidade exata que necessitam para viver nessa fase crucial do desenvolvimento.
A pesquisa com meninas tem relevância porque
os distúrbios alimentares atingem, na maioria dos casos, adolescentes do
sexo feminino. De acordo com Viuniski, isso ocorre porque os meninos sofrem a
ação da testosterona, que faz aumentar a massa muscular e diminui
a porcentagem de gordura no corpo. Já as meninas sofrem a ação
do estrógeno e da progesterona, hormônios que aumentam a proliferação
do tecido adiposo gordura. "Todos esses distúrbios são fatores
de risco. Não quer dizer, necessariamente, que a menina vai desenvolver
a obesidade na adolescência. No momento em que ela se adapta novamente a
um estilo de vida saudável, todo o quadro é reversível."
O tratamento dos distúrbios alimentares deve ser um processo multidisciplinar
que inclua apoio emocional, ajuda da psicoterapia e uso de antidepressivos. Em
casos mais graves, como a anorexia, pode haver a necessidade de internação
se houver um elevado grau de desnutrição.
Além dos distúrbios alimentares, a pesquisa da Universidade do Texas
também mostra a forte relação entre os sintomas de depressão
e o ganho de peso. O motivo é a disfunção dos níveis
de serotonina, substância do cérebro associada à sensação
de bem-estar e que também controla a percepção de fome e
saciedade. Como os alimentos ricos em carboidratos tendem a regular a serotonina,
as pessoas os ingerem em excesso, ainda que inconscientemente, para se livrar
da depressão. Para Viuniski, isso produz
um círculo vicioso. Num primeiro momento, o estado de depressão
provoca a compulsão alimentar por comidas calóricas, que regulam
o nível de serotonina no cérebro. Porém, logo após
a ingestão desses alimentos, surge o sentimento de culpa, que remete a
pessoa novamente ao estado depressivo. Outra conclusão do estudo é
que adolescentes com pais obesos são mais propensas a ganhar peso com os
anos, não só pelo fator genético, mas também pelo
estilo de vida da família. |