Edição 1903 . 4 de maio de 2005

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Dieta
Radicalismo engorda

Táticas severas para emagrecer podem
ter o efeito contrário em adolescentes

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Em Profundidade: Dietas e Obesidade

As adolescentes que recorrem a dietas radicais têm mais risco de se tornar obesas do que aquelas que abusam da ingestão de alimentos gordurosos. Essa é uma das conclusões de um estudo do departamento de psicologia da Universidade do Texas, em Austin, que, durante quatro anos, acompanhou cerca de 500 garotas dos 11 aos 15 anos. Segundo a pesquisa, o uso de laxantes e jejuns prolongados – práticas adotadas sem recomendação médica por um número crescente de adolescentes – tendem a estimular com os anos mais o ganho do que a perda de peso.

A pesquisa analisou seis tipos de distúrbios alimentares, fatores comportamentais e problemas psicológicos e procurou medir a propensão de cada um deles ao desenvolvimento futuro da obesidade. Os pesquisadores também mediram a tendência ao ganho de peso das adolescentes cujos pais são obesos. Conclusão: o uso de mecanismos compensatórios (como laxantes e jejuns prolongados), os sintomas depressivos e a hereditariedade determinam mais o ganho futuro de peso do que a compulsão alimentar e a ingestão exagerada de alimentos gordurosos.

Segundo especialistas, essa conclusão reforça a tese já conhecida de que, com o passar do tempo, as dietas rígidas têm um resultado contrário em seus adeptos, numa espécie de efeito bumerangue. "Com quantidade insuficiente de comida, o metabolismo desacelera e o corpo se acostuma a manter as funções vitais com pouca energia", disse a VEJA o pediatra e nutrólogo Nataniel Viuniski. "Assim, todo alimento que for ingerido será armazenado em forma de tecido adiposo – gordura –, pois o corpo já está acostumado a trabalhar com baixa intensidade de energia." Segundo Viuniski, esse efeito é ainda mais perverso em garotas em fase de crescimento, no ápice do desenvolvimento hormonal e ósseo. Por essa razão, o psicólogo Eric Stice, um dos autores da pesquisa, diz que, em vez de adotarem regimes radicais, as meninas e adolescentes deveriam preocupar-se em fazer exercícios físicos regulares e ingerir calorias na quantidade exata que necessitam para viver nessa fase crucial do desenvolvimento.

A pesquisa com meninas tem relevância porque os distúrbios alimentares atingem, na maioria dos casos, adolescentes do sexo feminino. De acordo com Viuniski, isso ocorre porque os meninos sofrem a ação da testosterona, que faz aumentar a massa muscular e diminui a porcentagem de gordura no corpo. Já as meninas sofrem a ação do estrógeno e da progesterona, hormônios que aumentam a proliferação do tecido adiposo – gordura. "Todos esses distúrbios são fatores de risco. Não quer dizer, necessariamente, que a menina vai desenvolver a obesidade na adolescência. No momento em que ela se adapta novamente a um estilo de vida saudável, todo o quadro é reversível." O tratamento dos distúrbios alimentares deve ser um processo multidisciplinar que inclua apoio emocional, ajuda da psicoterapia e uso de antidepressivos. Em casos mais graves, como a anorexia, pode haver a necessidade de internação se houver um elevado grau de desnutrição.

Além dos distúrbios alimentares, a pesquisa da Universidade do Texas também mostra a forte relação entre os sintomas de depressão e o ganho de peso. O motivo é a disfunção dos níveis de serotonina, substância do cérebro associada à sensação de bem-estar e que também controla a percepção de fome e saciedade. Como os alimentos ricos em carboidratos tendem a regular a serotonina, as pessoas os ingerem em excesso, ainda que inconscientemente, para se livrar da depressão.

Para Viuniski, isso produz um círculo vicioso. Num primeiro momento, o estado de depressão provoca a compulsão alimentar por comidas calóricas, que regulam o nível de serotonina no cérebro. Porém, logo após a ingestão desses alimentos, surge o sentimento de culpa, que remete a pessoa novamente ao estado depressivo. Outra conclusão do estudo é que adolescentes com pais obesos são mais propensas a ganhar peso com os anos, não só pelo fator genético, mas também pelo estilo de vida da família.

 

 


 
 
 
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