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Religião Ao
lado do papa Teólogo esportista e professora
de música serão os principais auxiliares de Bento XVI Loiro,
de olhos azuis e pinta de galã, o alemão Georg Gaenswein será
o secretário pessoal do papa Bento XVI. Ocupará, assim, o cargo
que, durante o pontificado de João Paulo II, era do polonês Stanislaw
Dziwisz. Sua tarefa formal é cuidar da agenda do pontífice. Mas
não raro o secretário pessoal se transforma num dos principais interlocutores
do papa o que, conseqüentemente, lhe confere um poder considerável,
até mesmo maior do que o de muitos cardeais da Cúria, o aparato
burocrático do Vaticano. Dziwisz, que já gozava de prestígio
quando João Paulo II era um homem sadio, viu sua influência crescer
à medida que a saúde do papa piorava. Tanto que Bento XVI cogita
indicá-lo para uma boa posição.
Gaenswein tem 48 anos e, como o papa, nasceu em um pequeno povoado do sul da Alemanha,
Riedern am Wald, com 450 habitantes. O povoado fica numa região adequada
à prática de esqui, esporte ao qual Gaenswein se dedica nas horas
vagas, juntamente com o tênis. Professor de direito canônico na Pontifícia
Universidade da Santa Cruz, em Roma, é tido como um teólogo brilhante,
mais afeito aos estudos do que ao contato com os fiéis. Seu primeiro encontro
com o então cardeal Joseph Ratzinger se deu há dez anos. Nessa época,
Gaenswein, ordenado sacerdote em 1984, morava num centro de estudos teológicos
para jovens sacerdotes alemães em Roma. Ratzinger comparecia com freqüência
ao local, para celebrar missas em sua língua materna. Conheceu Gaenswein
no dia em que decidiu juntar-se aos estudantes na hora do almoço. "Por
um período, sempre que voltava lá, ele observava Georg. Com o tempo,
convenceu-se de que poderia dar-lhe um posto de confiança", diz o professor
de direito canônico Winfried Aymans. Foi dessa forma que Gaenswein se tornou
secretário do cardeal. No círculo
dos funcionários mais próximos de Bento XVI, há também
uma laica: a alemã Ingrid Stampa, tida como amiga e confidente de Ratzinger,
para quem trabalha como governanta há catorze anos. Ela divide com seu
chefe a paixão pela música. Professora de viola da gamba (espécie
de violoncelo antigo) e especialista em composições medievais, Ingrid,
sempre sorridente e vestida de preto, é invariavelmente vista poucos passos
atrás de Ratzinger onde quer que ele esteja. No último dia 19, ela
trabalhava em seu computador, no apartamento em que morava com o cardeal, quando
viu a fumaça branca saindo da Capela Sistina sinal de que o novo
pontífice havia sido escolhido. Diante da dificuldade de localizar colegas
do Vaticano pelo celular, correu para a Praça de São Pedro. Lá,
no meio da multidão, aguardou o anúncio do nome. Ao ouvi-lo, sua
resistência germânica foi vencida. Ingrid desabou em lágrimas.
"Nunca pensei que isso fosse acontecer", declarou. Ela continuará desempenhando
no Palácio Apostólico, onde ficam os apartamentos papais, suas funções
rotineiras. Entre elas, a de supervisionar o cardápio do papa e
cuidar para que nele não falte a sobremesa preferida de Bento XVI: apfelstrudel,
é claro. |