Edição 1903 . 4 de maio de 2005

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Religião
Ao lado do papa

Teólogo esportista e professora de música
serão os principais auxiliares de Bento XVI

Loiro, de olhos azuis e pinta de galã, o alemão Georg Gaenswein será o secretário pessoal do papa Bento XVI. Ocupará, assim, o cargo que, durante o pontificado de João Paulo II, era do polonês Stanislaw Dziwisz. Sua tarefa formal é cuidar da agenda do pontífice. Mas não raro o secretário pessoal se transforma num dos principais interlocutores do papa – o que, conseqüentemente, lhe confere um poder considerável, até mesmo maior do que o de muitos cardeais da Cúria, o aparato burocrático do Vaticano. Dziwisz, que já gozava de prestígio quando João Paulo II era um homem sadio, viu sua influência crescer à medida que a saúde do papa piorava. Tanto que Bento XVI cogita indicá-lo para uma boa posição.

Gaenswein tem 48 anos e, como o papa, nasceu em um pequeno povoado do sul da Alemanha, Riedern am Wald, com 450 habitantes. O povoado fica numa região adequada à prática de esqui, esporte ao qual Gaenswein se dedica nas horas vagas, juntamente com o tênis. Professor de direito canônico na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, é tido como um teólogo brilhante, mais afeito aos estudos do que ao contato com os fiéis. Seu primeiro encontro com o então cardeal Joseph Ratzinger se deu há dez anos. Nessa época, Gaenswein, ordenado sacerdote em 1984, morava num centro de estudos teológicos para jovens sacerdotes alemães em Roma. Ratzinger comparecia com freqüência ao local, para celebrar missas em sua língua materna. Conheceu Gaenswein no dia em que decidiu juntar-se aos estudantes na hora do almoço. "Por um período, sempre que voltava lá, ele observava Georg. Com o tempo, convenceu-se de que poderia dar-lhe um posto de confiança", diz o professor de direito canônico Winfried Aymans. Foi dessa forma que Gaenswein se tornou secretário do cardeal.

No círculo dos funcionários mais próximos de Bento XVI, há também uma laica: a alemã Ingrid Stampa, tida como amiga e confidente de Ratzinger, para quem trabalha como governanta há catorze anos. Ela divide com seu chefe a paixão pela música. Professora de viola da gamba (espécie de violoncelo antigo) e especialista em composições medievais, Ingrid, sempre sorridente e vestida de preto, é invariavelmente vista poucos passos atrás de Ratzinger onde quer que ele esteja. No último dia 19, ela trabalhava em seu computador, no apartamento em que morava com o cardeal, quando viu a fumaça branca saindo da Capela Sistina – sinal de que o novo pontífice havia sido escolhido. Diante da dificuldade de localizar colegas do Vaticano pelo celular, correu para a Praça de São Pedro. Lá, no meio da multidão, aguardou o anúncio do nome. Ao ouvi-lo, sua resistência germânica foi vencida. Ingrid desabou em lágrimas. "Nunca pensei que isso fosse acontecer", declarou. Ela continuará desempenhando no Palácio Apostólico, onde ficam os apartamentos papais, suas funções rotineiras. Entre elas, a de supervisionar o cardápio do papa – e cuidar para que nele não falte a sobremesa preferida de Bento XVI: apfelstrudel, é claro.

 
 
 
 
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