BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
REVISTAS
VEJA
Edição 2102

4 de março de 2009
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da Semana
Holofote
SobeDesce
Conversa
Números
Datas
Radar
Veja Essa
 

Televisão
História sem fim

Acabou o tom acadêmico e monocórdio dos documentários
históricos. Os canais especializados no gênero hoje recorrem aos
mais variados recursos para explorar o passado – da computação
gráfica usada para reconstituir civilizações extintas ao reality show


Marcelo Marthe

VEJA TAMBÉM
Nesta reportagem
Quadro: Revirando o passado

O americano Josh Bernstein é o Indiana Jones dos documentários históricos. O apresentador de As Expedições de Josh Bernstein, uma das maiores audiências do canal Discovery, já fez rapel nos Andes e enfrentou tempestades de areia no Saara para investigar mistérios do passado. Nas palestras que dá nos Estados Unidos, ele desfia datas e nomes, e sopesa teorias conflitantes. Mas o crescente contingente feminino da plateia tem outras preocupações. "Elas sempre perguntam se pretendo casar e ter filhos", disse ele a VEJA. O surgimento de um historiador-galã é emblemático do crescimento desse filão na TV paga – e das transformações por que ele passa. Um canal como o The History Channel, surgido nos Estados Unidos em 1995, transmite 24 horas de programação calcada no passado. A história preenche, ainda, parte da grade do National Geographic e do Discovery (que tem um derivado voltado só para o assunto, o Discovery Civilization).

Os documentários históricos sempre tiveram como alvo principal os buffs, palavra inglesa que designa pessoas obcecadas por uma certa modalidade de conhecimento. Aquele tipo que conhece as especificações técnicas dos rifles usados na II Guerra Mundial é um legítimo buff – e quase sempre do sexo masculino. Homens adultos compõem 70% da audiência do History Channel nos Estados Unidos. Assim como ocorreu com os documentários sobre o mundo animal, contudo, as produções históricas agora lançam mão de uma gama variada de recursos para ampliar seu apelo. A narração monocórdia foi deixada de lado em busca de um ritmo mais veloz. A computação gráfica virou ferramenta essencial para a recriação de cidades da Antiguidade. Recursos da medicina forense, que permitem submeter múmias egípcias a autópsias, levam a pesquisa histórica para meandros antes impensáveis. Não há dúvida de que a presença de um apresentador como Josh Bernstein é um meio de atrair um público mais diversificado (leia-se feminino).

No pacote de inovações dos programas de história há coisas duvidosas. As reconstituições de episódios do passado com atores muitas vezes se avizinham do humor involuntário. A nova fronteira dos programas é o reality show. No ano passado, o History Channel transmitiu História Extrema, em que doze participantes refizeram a trilha do libertador do Chile, general San Martín, nas condições em que a travessia foi feita no século XIX (não valia usar GPS). Em abril, estreia nos Estados Unidos uma produção do canal que vai ainda mais longe. Em Expedition: Stanley and Livingstone que leva a assinatura do criador da gincana Survivor, Mark Burnett –, cinco pessoas terão de refazer a rota empreendida no século XIX na África pelo explorador Henry Morton Stanley, em sua busca pelo missionário desaparecido David Livingstone. Os programas de Josh Bernstein, que se embrenha em grotões inóspitos para investigar os fatos in loco, também apostam na tendência de viver a história "na pele".

Com formação em antropologia e psicologia, Bernstein caiu nas graças de uma executiva do History Channel quando comandava um treinamento de sobrevivência em condições hostis. Depois de três anos de sucesso no canal, não titubeou em bandear-se para o concorrente mais poderoso (o Discovery atinge 1,5 bilhão de lares no mundo, contra 250 milhões do History Channel). Bernstein, de 38 anos, não se vê só como explorador – ele acredita que sua missão é também educar. "Meus programas têm ação e suspense. Mas quem os acompanha sai enriquecido da experiência", diz. De fato, os canais que produzem sistematicamente documentários históricos zelam pelo rigor de suas informações, valendo-se da assessoria de especialistas. Há uma ou outra licença, como os programas do History Channel sobre óvnis e extraterrestres, mas essa não é a praxe. No sábado 28, por exemplo, o National Geographic programava exibir um especial sobre os últimos dias de Hitler ancorado pelo historiador inglês Antony Beevor, uma autoridade em II Guerra Mundial. Os programas de Bernstein também são lastreados em pesquisas sérias. "O engajamento dos estudiosos é fundamental até para a seleção de temas", diz ele. "Na atual temporada, partimos de 100 assuntos promissores para chegar a apenas oito."



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |