Animais
Quanto mais feinho, melhor
Focinho achatado,
pernas curtas, olhos saltados, pelo
em tufos os cães exóticos parecem lindos
aos olhos
de seus donos. Muitos deles resultam de cruzamentos
inadequados e podem ter problemas de saúde

Carolina Romanini
Moodboard/Corbis/Latinstock
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DK Limited/Corbis/Latinstock

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BULLDOG
FRANCÊS
Entre os exóticos importados, é
o que melhor se adapta ao clima
brasileiro. Sua grande vantagem:
não late quando fica sozinho no apartamento
Preço: 5
000 reais
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CRISTADO
CHINÊS
Campeão absoluto
na última
edição do concurso que elege
anualmente o cão mais feio
do mundo
Preço: 3 000 reais |
Yann Arthues-Bertrand/Corbis/Latinstock
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KOMONDOR
Dá vontade de escovar
sua cabeleira de hippie, mas é desaconselhável
fazê-lo. Já o corte deve ser realizado
a cada três meses
Preço: 1 000 dólares
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O homem domesticou
os cães há 10 000 anos e, desde então,
a relação entre as duas espécies conheceu
momentos memoráveis. Pinturas em cerâmica mostram
que os gregos da Antiguidade criaram os primeiros cães
que se aninhavam no colo dos donos. Os ingleses passaram meio
milênio aperfeiçoando raças especializadas
na caça da raposa. O mais recente capítulo dessa
história não é tão edificante,
mas mostra que o apreço dos humanos pelos cachorros
não tem limites. Nos últimos tempos, o critério
de muita gente para escolher o cão de estimação
tem sido a feiura do bicho. Pernas muito curtas, orelhas desproporcionais
ao rosto, olhos saltados como os de um gafanhoto, ausência
de pelo, focinhos achatados e várias dobras de pele
tudo isso virou motivo de atração, e
não de repulsa, para quem escolhe cuidar de cães
feinhos. Ou melhor, exóticos, como preferem os donos.
Todo mês de junho, a celebração aos frankensteins
caninos tem seu ápice numa feira de agricultura da
Califórnia chamada Sonoma-Marin Fair. A principal atração
da feira é o concurso que escolhe o cachorro mais feio
do mundo. Na edição passada, o vencedor inconteste
foi um exemplar da raça cristado chinês, um pequeno
horror de 30 centímetros que tem apenas tufos de pelo
na cabeça, no rabo e nas patas, além de pele
manchada e um focinho de camundongo de laboratório.
Para completar a estranheza, o bicho transpira pela pele,
e não predominantemente pela língua, como todos
os cães. Os cuidados obrigatórios com o cristado
chinês incluem esfoliação semanal para
eliminar cravos, aplicação diária de
hidratante na pele e protetor solar caso ele seja exposto
ao sol.
Lew
Robertson/Corbis/Latinstock
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PUG
A celebridade entre
os feios. Não pode ficar sozinho: requer atenção
e cuidados do dono 24 horas por dia
Preço: 2
000 reais
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Nada disso assusta quem se apaixona pelos cães feios.
Como a socialite Paris Hilton, que mantém dezessete
deles em sua coleção. Ou a chefe de cozinha
paulista Paloma Pegorer, que, além de dois cristados
chineses, tem em casa exemplares das raças griffon
de Bruxelas e petit brabançon ambas com focinho
achatado e olhos saltados. "As pessoas se espantam à
primeira vista, mas se apaixonam em minutos, depois de conhecer
o temperamento alegre e carinhoso dessas raças",
diz Paloma. Não sai barato levar um desses cães
para casa. Os mais populares custam entre 2 000 e 10 000 reais.
É preciso estar atento ao fato de que esses cães
não são do tipo companheiro para toda ocasião.
Das dez raças eleitas como as mais feias pelos organizadores
da Sonoma-Marin Fair, sete têm predisposição
para doenças respiratórias e oftalmológicas.
Os focinhos achatados prejudicam o sistema respiratório
dos animais, que costumam espirrar e roncar demais. Além
disso, quando esses cães farejam, seus olhos ficam
muito próximos do chão, fazendo com que sofram
frequentemente de lesões nas córneas e conjuntivite.
Na lista dos cachorros com essas características estão
o chihuahua e o pequinês pioneiros entre os exóticos
e os novos queridinhos shih-tzu e pug. O último
chama atenção pelas rugas. A grande quantidade
de rugas que o pug tem na cara pode causar doenças
de pele, como dermatite. Por isso, suas dobrinhas devem ser
limpas diariamente.
Bill
Cooke/AP
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A BELA E AS FERAS
Paris Hilton e sua Tinkerbell,
cadela
da raça chihuahua: a moça tem outros dezesseis
cães esquisitos em sua coleção |
Muitos dos problemas que os cães exóticos apresentam
se devem também aos cruzamentos feitos de forma indevida.
Como essas raças são raras e caras e existe
uma demanda muito forte por elas, já que estão
na moda, os criadores promovem cruzamentos entre espécimes
com parentesco próximo em vez de comprar novos cães
para cruzar. O mesmo aconteceu há uma década,
quando o sucesso do filme 101 Dálmatas promoveu
uma mania pelos cães dessa raça. Na pressa de
produzir novas ninhadas, muitos criadores cruzavam dálmatas
consanguíneos. "Um grande número de filhotes
nascia com deficiências crônicas no pâncreas
e problemas de surdez, entre outras anomalias", diz o
veterinário Regis Christiano Ribeiro. O conselho dos
especialistas para quem pretende criar um cão exótico
é verificar se o animal escolhido tem as características
exatas da raça. Uma anomalia, embora pareça
graciosa, pode significar que o cão é resultado
de um cruzamento inadequado, que acarretará doenças
mais tarde. É preciso também verificar se a
raça escolhida se adapta ao clima brasileiro
a maioria das raças exóticas tem origem na Europa
e na Ásia, regiões onde o clima é mais
frio, e algumas sofrem com o calor dos trópicos.
Mas, afinal, o
que há por trás da mania pelos cachorros feios?
"Os cães, que tradicionalmente têm como
função caçar, guardar territórios
e servir de alguma maneira ao homem, acabaram se tornando
também um enfeite para quem segue as tendências
da moda", define a veterinária paulista Hannelore
Fuchs, cuja especialidade é tratar de cães com
desvios de comportamento. Os cães-bibelôs são
uma novidade na relação ancestral entre humanos
e caninos.
Lilo
Clareto
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SOMBRA E ÁGUA FRESCA
A paulista Paloma e um dos
cristados chineses que cria: passeios de carro só
com o ar-condicionado ligado.
"Sol e calor mancham a pele deles", ela diz
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