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Edição 2098

4 de fevereiro de 2009
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Turismo
Bom, bonito e nada barato

Além da beleza e do charme, Búzios agora tem hotéis
de luxo, boas lojas e restaurantes cheios de requinte


Juliana Linhares

Lailson Santos
SOBRE O ROCHEDO
Deque do hotel Casas Brancas, o preferido dos russos: champanhe
o dia inteiro

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Com seu mar azul-turquesa e morros rochosos recortando uma infinidade de pequenas e encantadoras praias, Búzios, no norte do estado do Rio, lembra um pedaço do Mediterrâneo (sim, a faladíssima visita da atriz francesa Brigitte Bardot nos idos de 1960 contribui para a comparação, mas é assunto esgotado). Balneário charmoso e concorrido, sempre padeceu, porém, de acomodações à altura. No fim dos anos 1990, imprensada entre o turismo de massa e a falta de estrutura hoteleira, Búzios espreguiçava-se rumo à decadência: faltava água, sobrava lixo nas ruas, pousadas e hotéis não tinham acomodações apropriadas para o público abonado que sempre foi, sem trocadilhos, sua praia. Quem ainda tem uma imagem negativa, reconsidere-a. Quem não tem imagem alguma, porque não registra a cidade como destino em potencial, pense na possibilidade. Búzios renasceu. Com a infraestrutura melhor, novos e bem equipados hotéis se instalaram nos 8 quilômetros de litoral de gloriosa beleza. Lojas e restaurantes renomados do Rio e de São Paulo abriram filiais na região. A estrada que liga o Rio de Janeiro a Búzios, conhecida pelas crateras, hoje está um tapete, embora invariavelmente engarrafe nos feriados. O resultado é que Búzios voltou a ser Búzios, e muito melhor. Caríssima, como sempre, e voltada para um público que gosta da mistura de boa comida, burburinho e balada.

Agitação não é, definitivamente, um produto em falta neste verão. A cidade deve receber 1,5 milhão de turistas e seu porto, 154 escalas de navios de cruzeiro, perdendo apenas para Santos e Rio de Janeiro. "Do total de turistas que nos visitam, 65% são estrangeiros", diz o secretário Isac Tillinger. Entre os hotéis, o mais chique é o Insólito Boutique Hotel, aberto no ano passado, na Praia da Ferradura. Tem duas piscinas, uma de água doce e outra salgada, cercadas por almofadões brancos sombreados por árvores, leve perfume de lavanda nos quartos e o tipo de público na faixa etária e de renda que espera serviços à altura das diárias na faixa dos 1 500 reais. Camareiras e recepcionistas circulam com discretos fones de ouvido. "Os rádios de comunicação fazem barulho e atrapalham a harmonia do lugar", explica André Tijuca, gerente do Insólito. Mais antigo e ainda mais charmoso é o hotel Casas Brancas (diárias de até 1 165 reais), uma construção cheia de recantos que lembra uma vila italiana com um spa elogiado em todos os bons guias de turismo de luxo. Há massagens ao ar livre e hóspedes que seguem todos os rituais do alto turismo: tomam champanhe, fumam charuto e veem o mundo passar em tendas brancas forradas de almofadas (praia chique, como se constata, hoje é almofadada). O consumo alcoólico sobe vários degraus quando há hóspedes russos – nacionalidade que descobriu Búzios no verão passado e que neste deve depositar lá um contingente de cerca de 1 000 pessoas. De cada 100, noventa são solteiros. E homens. E russos. "Quando servimos espumante no café-da-manhã, as pessoas tomam uma ou duas taças. Eles pegam a garrafa e levam para o quarto", entrega o gerente, Santiago Bebianno. A vista deslumbrante do Casas Brancas compensa qualquer excesso, principalmente se acompanhada de petiscos como os que fisgaram a atriz italiana Monica Bellucci – quando esteve na cidade em casa de amigos no ano passado, jantou dezoito vezes lá. "Ela entrava na cozinha e beliscava frutos do mar frescos", diz Bebianno.

O ritmo de Búzios segue o relógio antibiológico das praias badaladas: acordar tarde, tomar café e depois, sol. Aí, os turistas tiram um cochilo e saem para jantar lá pelas 10. Depois, é hora de ver, ser visto no footing obrigatório pelas ruas do centro e fazer umas comprinhas, atividade que atinge níveis frenéticos entre 10 da noite e 2 da manhã. "Recentemente, um cônsul estrangeiro entrou à meia-noite e gastou 35 000 reais em noventa peças. Era tanta coisa que tive de chamar um táxi", diz uma vendedora da recém-inaugurada Animale. As mulheres em Búzios competem pelo maior chapéu de palha e usam colares de pedras grandes, caftans e sandálias rasteiras que de simplesinhas não têm sequer a aparência. "Isso aqui é a nossa Saint-Tropez", compara a advogada paulistana Tatiana Zogaib, 34 anos, enquanto desfruta uma musse de pato com pêssegos caramelizados e assiste ao pôr-do-sol recostada nas almofadas do Restaurante do Solar, ao pé da Orla Bardot. Mais recolhido, mas igualmente imperdível é o Quintal, do chef Nélson Ramos Filho, que cozinhou para presidentes em Brasília antes de se instalar na Praia de Manguinhos. Incrustado na pedra, o restaurante tem vista para o mar, piscina em forma de infinito e um jardim de pedras enfeitado com estátuas de Buda. Os três garçons são altos e bronzeados, falam francês e inglês e circulam de calça rosa, bata branca e rabo-de-cavalo. Não há cardápio – Nélson vai a cada uma das mesas e "canta" o menu, do qual fazem parte o "cordeiro profano", costeletas servidas com arroz de frutas frescas, e o "spaghetti à Netuno", com camarões polpudos servidos em uma concha ornamentada com jasmins. Apesar dos preços na casa dos 80 reais o prato, as reservas dos quarenta lugares têm de ser feitas com no mínimo dez dias de antecedência. Se bem que em 2008 o jogador Zinedine Zidane apareceu sem avisar e foi, acreditem, muito bem acomodado. Em Búzios, e no Quintal, não é para qualquer um.

 

Fotos Lailson Santos
O SOL POR TESTEMUNHA
Almofadões no alpendre do Restaurante do Solar e à beira de uma das duas piscinas do hotel Insólito, massagem com vista para o mar e o "spaghetti à Netuno", servido em concha enfeitada com jasmins

 



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