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4 de fevereiro de 2009
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Brasil
Já vai tarde

O PT resolve expulsar o encrencado
deputado estadual Jorge Babu, do Rio de Janeiro


Ronaldo Soares

Fotos Marcos d'Paula/AE e Fernando Souza/JB
MILÍCIA E POLÍTICA
Babu e a vereadora Carminha Jerominho (PTdoB): eles continuam a elaborar leis

O deputado estadual Jorge Babu, do PT do Rio de Janeiro, tem uma ruidosa trajetória de fora-da-lei e construiu uma carreira vitoriosa na política. Policial civil, elegeu-se duas vezes como vereador – em 2000 e 2004 – e, em 2006, para a Assembleia Legislativa do estado. A estirpe Babu continua representada na Câmara por Elton, irmão de Jorge, eleito no ano passado, também pelo PT. A ficha corrida de Jorge Babu inclui uma prisão em 2004, numa quadra de briga de galos, junto com o publicitário Duda Mendonça. Dois anos depois, ele foi denunciado pelo Ministério Público, acusado de integrar uma quadrilha que extorquia comerciantes. E, desde o início do ano, responde a processo em que é apontado como chefe de uma milícia que achaca moradores e explora clandestinamente serviços como venda de gás e TV a cabo na Zona Oeste, seu reduto eleitoral. Apesar desse histórico, somente na semana passada o PT resolveu expulsá-lo. Ele ainda pode recorrer.

Na definição do MP, Babu e seu bando são "indivíduos extremamente perigosos". Mas foi preciso que a iniciativa de expulsá-lo partisse da Executiva Nacional: até este mês, a maior punição imposta pelo diretório regional petista fora um afastamento por sessenta dias. O motivo para a vista grossa vai além da figura intimidadora de Babu, que circula com meia dúzia de capangas a tiracolo. "É impensável que alguém como ele pudesse ser candidato a alguma coisa, mas acordos com grupos de dentro do próprio PT, interessados no apoio dele na Zona Oeste, permitiram isso", diz o deputado federal petista Antonio Carlos Biscaia, que pediu a expulsão de Babu. Na avaliação do cientista político Gláucio Soares, o gesto do PT reflete uma mudança no jogo de interesse dos partidos com bandidos que dominam currais eleitorais no Rio. "Somente depois de repetidos episódios de violência envolvendo milícias passou a ser inconveniente para os partidos ter gente ligada a esses grupos", diz Soares.

O caso de Babu é apenas um dos exemplos de como o banditismo se infiltrou na política fluminense. Há políticos presos, como o ex-deputado Natalino Guimarães e seu irmão, o ex-vereador Jerominho, apontados como chefes de uma milícia. E outros que acabam de tomar posse na Câmara de Vereadores, mesmo acusados de ligação com milicianos, como Carminha Jerominho (PTdoB) – que estava presa quando foi eleita – e Cristiano Girão (PMN). Como se vê, a limpeza ainda deixa muito a desejar.



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