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Cinema
Tudo
em
família
Com
a ajuda das filhas, o irlandês Jim Sheridan
cria um drama tocante inspirado em sua vida

Marcelo Marthe
Divulgação
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| Terra
de Sonhos: Samantha (à dir.) concorre ao Oscar pela
segunda vez |

Ao
cruzarem a fronteira canadense em direção aos Estados
Unidos, onde pretendem recomeçar sua vida como imigrantes
ilegais, os irlandeses Johnny (Paddy Considine) e Sarah (Samantha
Morton) são abordados por um agente aduaneiro. Ele pergunta
quantos filhos o casal tem. "Três", diz Johnny. "Dois", corrige
Sarah, com ar de tristeza. O ato falho não é à
toa: a família, que se completa com duas filhas pequenas,
ainda não superou a morte do caçula, Frankie, acometido
por um tumor cerebral. Mais que uma tentativa de escapar à
dureza em que viviam em Dublin e, no caso de Johnny, de se
realizar como ator , a ida para Nova York é uma fuga
desse fantasma. O drama Terra de Sonhos (In America,
Irlanda/Inglaterra, 2002), que estréia no país
nesta sexta, é um exercício de expiação
autobiográfica do irlandês Jim Sheridan. Nos anos 80,
antes de se tornar o bem-sucedido diretor de Meu Pé Esquerdo
(1989), ele também passou uma temporada difícil
nos Estados Unidos. Na infância, perdeu um irmão do
mesmo nome e pela mesma causa. Além disso, sua mulher enfrentou
uma gravidez de alto risco, como a vivida pela personagem de Samantha
Morton. Graças ao papel, a atriz inglesa obteve sua segunda
indicação ao Oscar (a primeira foi em 2000, com Poucas
e Boas, de Woody Allen). O filme concorre ainda às estatuetas
de roteiro original, concebido pelo cineasta e suas filhas Kirsten
e Naomi, e ator coadjuvante, com o africano Djimon Hounsou (de Amistad).
Divulgação
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| Hounsou:
papel de um pintor atormentado |
Terra
de Sonhos é uma história de redenção
familiar com um quê de conto de fadas. Em boa parte da fita,
a perspectiva é a das filhas do casal, interpretadas pelas
atrizes mirins Emma e Sarah Bolger, irmãs na vida real. A
garota mais velha acredita ter ligação espiritual
com o irmão morto, o que lhe daria o dom de realizar três
desejos pela felicidade do clã artifício usado
em momentos críticos, como aquele em que eles quase são
barrados na fronteira americana. Hounsou vive um pintor atormentado,
vizinho da família num cortiço nova-iorquino habitado
por delinqüentes. Personagem típico de melodrama, sua
função na trama é liberar as travas dos relacionamentos.
Depois de ter sua existência iluminada pelo contato com as
meninas, ele será figura-chave para que o casal supere seus
tormentos.
Com
tais ingredientes, um diretor de mão pesada produziria um
filme sentimentalista e manipulativo. Não é esse o
caso de Sheridan, que demonstrou sua habilidade em lidar com temas
edificantes em Meu Pé Esquerdo, no qual um deficiente
vence obstáculos para se tornar artista. Ele constrói
personagens que parecem de carne e osso e extrai interpretações
sinceras. Em Terra de Sonhos, não são apenas
os indicados ao Oscar que se destacam. Há que se fazer justiça
ao pouco conhecido Considine, que imprime intensidade à figura
do pai em luta para recobrar o sentido da vida.
| As
indicações |
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Atriz Samantha Morton
Ator coadjuvante Djimon Hounsou
Roteiro original
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