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Moda
O furacão que veio de Itabira
A mineira Ana Beatriz Barros arrasa
por onde passa: revistas, desfiles,
outdoors e até as areias do Iraque

Bel
Moherdaui
Fotos Bob Wolfenson/Elle/J. R. Duran/divulgação
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| Ana
Beatriz em três versões: chique, sexy, e mais sexy |
Ana
Beatriz Barros é a coisa mais espetacular saída da
mineira Itabira desde Carlos Drummond de Andrade. E, antes que alguém
reclame da comparação, garanta-se que o poeta ficaria
de queixo caidíssimo diante da fulgurante beleza de sua conterrânea,
talvez até tentasse uns versinhos de vezo conquistador. Andar
com a modelo pela rua é o atestado de como são poucas
e excepcionais as mulheres que podem sair de casa
com o cabelo desalinhado, vestígios da maquiagem do dia anterior,
usando calça jeans, sandália de dedo e uma regatinha,
e arrancar suspiros, às vezes até mais do que isso,
do público masculino em geral. Em uma manhã de janeiro,
às vésperas da São Paulo Fashion Week, Ana
Beatriz, eleita a modelo mais bonita do mundo pelos soldados americanos
no Iraque, deixou atônito um rapaz em uma padaria no Ipiranga
(ele quase caiu do balcão enquanto ela comia um magro sanduíche
de queijo branco) e, pouco depois, causou igual efeito sobre um
grupo de executivos no Itaim um deles, mais assanhado, arranhou
versos da música Sonho Meu, de Ivone Lara. "Tenho
até fã-clube, imagine. Toda vez que desfilo nos Estados
Unidos aparecem uns quinze meninos pedindo autógrafo. Morro
de vergonha", diz, toda tímida, a beldade de 21 anos, olhos
de esmeraldas líquidas sombreados por um levíssimo
e misterioso resquício de olheiras, rosto que mistura as
jovens Brigitte Bardot e Jane Fonda com aquele não-sei-o-quê
de encanto à brasileira que faz a fama das modelos nacionais.
"Ela é uma modelo muito profissional, que valoriza as criações",
elogia o estilista Alexandre Herchcovitch, que em geral prefere
pôr nas passarelas garotas com menos curvas e mais assimetria.
"Acho a Ana Beatriz uma modelo excepcional. Tem porte de mulherão,
muita segurança, faz o gênero sedutora, forte", ecoa
Tufi Duek, da Forum.
Carol Quitanilha
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| Tatuagem
em família: pais e filhas mostram a lua e a estrela |
Cabelos
(agora) loiros, pele bronzeada, Ana Beatriz pode ser vista atualmente
tanto em cartazes nas ruas e pontos de ônibus de todo o Brasil,
anunciando uma linha de produtos para cabelo, quanto nos catálogos
da grife de lingerie americana Victoria's Secret. Logo mais deve
estrelar uma campanha de cosméticos da Chanel. É desses
contratos que vem o grosso do faturamento. Também aparece,
mais pelo prestígio que pelo cheque, em revistas badaladas,
como a Vogue espanhola, as Elle americana e brasileira
(atenção para a edição de fevereiro,
em que enfeita um ensaio de moda) e as masculinas GQ e Sports
Illustrated. Foi esta última, em especial, com fotos
de um corpo que parece ter sido desenhado num mundo de perfeição
platônica para usar biquínis, que lhe garantiu um lugar
de honra no imaginário dos rapazes que estão penando
nas areias do Iraque. Tudo isso faz com que Ana integre o time de
modelos brasileiras que faturam acima de 1 milhão de dólares
por ano, amealhados em graduações diversas: por um
desfile em passarelas nacionais, cobra em torno de 4.000 reais;
no exterior, chega a ganhar até 200.000 dólares por
um dia de fotos. Apesar da carreira em impressionante ascensão,
ainda há espaço para subir. Ana precisa trabalhar
mais o lado fashion, como se diz no ramo, o que lhe garantirá
acesso ao ranking das cinqüenta melhores modelos do momento,
eleitas com base nos trabalhos de maior prestígio e impacto
pelo site models.com. Cinco brasileiras constam da última
lista, contrariando os prognósticos de que as belezas nacionais
seriam substituídas por belgas, russas ou croatas. "Como
no Brasil temos biótipos muito diferentes, somos privilegiadas
no mercado da moda. Sempre tem um tipo que agrada", diz Letícia
Birkheuer, a 12ª do ranking. As outras são: Isabeli
Fontana (9º), Liliane Ferrarezi (21º), Caroline Trentini
(37º) e Jeísa Chiminazzo (43º). As modelos já
definitivamente consagradas figuram num olimpo à parte onde
Bündchen fica em segundo lugar e a inglesa Kate Moss em primeiro.
Filha do engenheiro mecânico Reinato Barros e da dona-de-casa
Sônia, Ana é uma das poucas modelos brasileiras de
sucesso internacional que não têm um sobrenome alemão
ou italiano (ou ambos) acoplado ao prenome, mas o laboratório
familiar de aprimoramento estético não fica atrás:
da mesma fonte brotou a belíssima Patrícia, a irmã
mais velha, morena de olhos azuis que também é modelo.
Sua carreira teve um início convencional. Com 14 anos e já
perto do 1,80 metro atual, venceu a etapa brasileira do concurso
da Elite e ficou em segundo lugar na disputa mundial. Espera um
pouco daqui, pena uma rejeição ali e em alguns
anos escalou com as pernas de gazela a escada que conduz ao topo.
Hoje, leva a vida de cigana de luxo das modelos de sucesso, desfilando
a beleza mundo afora, numa correria que só aumenta sua tendência
natural à distração ela já perdeu
um anel de brilhante e vive esquecendo tudo em todos os lugares,
como atestam, entre suspiros, suas duas irmãs. "Não
dá para emprestar nada para a Ana. Ela ou perde, ou estraga",
entrega Patrícia. Embora em cidades diferentes Ana
mora em Nova York, Patrícia em São Paulo, Maria Luisa,
a caçula, com os pais em Belo Horizonte , a família
é unida tanto pela afeição quanto pelas tatuagens:
todos têm a mesma lua e estrela gravada no pé. Sônia,
a mãe moderna, tem ainda desenhos vistosos em cada ombro,
com flores e as iniciais das meninas. No momento, a família
está em São Paulo, paparicando Ana nos intervalos
da maratona de desfiles. E o futuro, que na efemeridade do meio
está apenas uns poucos anos à frente? "Quero ter produtos
com o meu nome", declara, previsivelmente. E mais previsivelmente
ainda: "E quem sabe trabalhar como atriz ou apresentadora. Adoro
crianças".
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