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Empresas
A conexão brasileira
A Parmalat pede concordata no Brasil
e
filial levanta suspeitas na Itália
AP
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| Protesto
na Itália: a sede da Parmalat virou romaria de produtores com
prejuízo |
Quando
grandes corporações quebram em meio a acusações
de fraudes, a real extensão dos danos costuma aflorar bem
devagar. Até hoje não se sabe ao certo o tamanho do
rombo das empresas Enron e WorldCom, os dois maiores escândalos
recentes nos Estados Unidos. A Parmalat, a multinacional italiana
com a segunda maior fatia do mercado brasileiro de laticínios,
veio abaixo em dezembro passado, assustando investidores e consumidores
em mais de trinta países. No começo, as estimativas
falavam em um rombo de 12 bilhões de dólares provocado
pela maquiagem do balanço. A última avaliação,
feita na semana passada, revela que as dívidas totais da
empresa italiana no mundo chegam a 16,6 bilhões de dólares.
A Parmalat chegou ao Brasil na década de 70, em seu primeiro
grande salto para fora da Europa. Depoimentos de funcionários
da multinacional aos investigadores italianos dão conta de
que, embora tenha sido bem-sucedida em ganhar mercado e firmar uma
imagem de qualidade, a operação no Brasil nunca foi
lucrativa. Os investigadores italianos suspeitam agora que a operação
brasileira tenha sido usada pela matriz justamente como um grande
ralo de dinheiro. Um dos contadores do grupo, Gianfranco Bocchi,
revelou às autoridades italianas que a empresa enviou "um
monte de dinheiro" ao Brasil. "Não posso garantir, mas tenho
uma pista. Não sei muito, mas com certeza era lá que
acabava um monte de dinheiro", disse Bocchi, que está preso.
Paulo Pinto/AE
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| Gonçalves:
"A concordata foi difícil, mas inevitável" |
O contágio da crise na matriz para a filial brasileira ainda
precisa ser explicado, mas na semana passada seus efeitos já
foram sentidos. Com uma dívida equivalente a 1,5 bilhão
de dólares com fornecedores e bancos, a Parmalat Alimentos
e sua controladora no país, a Parmalat Participações,
entraram com pedido de concordata. No começo de janeiro,
os bancos credores da Parmalat no Brasil endureceram o jogo na tentativa
de reaver o dinheiro que lhe emprestaram. O banco japonês
Sumitomo Mitsui, que emprestou 10 milhões de dólares,
obteve na Justiça o direito de bloquear parte do patrimônio
da companhia. O Banco do Brasil conseguiu o bloqueio de recursos
da Parmalat em conta-corrente e chegou a apreender o estoque de
duas fábricas em Jundiaí, no interior de São
Paulo.
Caso o pedido de concordata seja aceito, a empresa poderá
ter até dois anos para renegociar e pagar as dívidas.
Ela promete liquidar 40% dos débitos no primeiro ano e 60%
no ano seguinte. "A decisão da concordata, embora difícil,
tornou-se inevitável", disse Ricardo Gonçalves, presidente
da Parmalat no Brasil. Para tentar sair do buraco aqui, a companhia
formou um grupo de gestão de crises com as empresas especializadas
Galeazzi & Associados e Aggrego Consultores, que pertence ao
ex-ministro Alcides Tápias. Com 6.000 funcionários,
a Parmalat tem oito unidades industriais, cinco centros de distribuição
no Brasil e compra 1,2 bilhão de litros de leite por ano,
o equivalente a 5% de toda a produção nacional. Se
ela vier a quebrar, produzirá um choque negativo na vida
de muita gente.
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