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Especial
Zé
Pequeno em Hollywood
Depois
de perder a
vaga no Oscar de
2003, Cidade de Deus ressurge com
força total e obtém quatro indicações
para o grande prêmio
do cinema

Isabela
Boscov
Fotos Oscar Cabral/divulgação
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| Meirelles:
nem nos sonhos "mais megalomaníacos" ele imaginava o recorde
de indicações |
Em
29 de fevereiro, o paulistano Fernando Meirelles vai ouvir o nome
de seu filme ecoar em quatro diferentes ocasiões na cerimônia
do Oscar: quando César Charlone for anunciado como um dos
concorrentes ao prêmio de fotografia, quando chegar a hora
de Bráulio Mantovani disputar a estatueta de roteiro adaptado,
quando Daniel Rezende ficar sabendo se será mesmo o vitorioso
na categoria de montagem e quando ele próprio, Fernando Meirelles,
for focalizado na platéia do Kodak Theatre de Los Angeles
na qualidade de rival do neozelandês Peter Jackson, do australiano
Peter Weir e dos americanos Clint Eastwood e Sofia Coppola pelo
prêmio de direção. Quatro indicações
ao Oscar, todas em categorias nobres: Cidade de Deus acaba
de alcançar um feito tremendo não apenas para o Brasil,
mas para qualquer filme que não seja falado em inglês.
Quem precisa de legendas para ser entendido pelos votantes da Academia
costuma ficar confinado ao gueto do "melhor filme estrangeiro",
e são raros os salvos-condutos para fora dele. Descontadas
as seis indicações que o argentino naturalizado brasileiro
Hector Babenco obteve, nos anos 80, com O Beijo da Mulher-Aranha
e Ironweed (ambas produções com capital americano),
a história do Brasil no Oscar era caracteristicamente tímida.
Até a terça-feira passada, quando foram anunciados
os participantes da corrida de 2004, ela consistia de quatro indicações
na categoria de filme estrangeiro por O Pagador de Promessas,
O Quatrilho, O que É Isso, Companheiro? e Central
do Brasil e só um furo no bloqueio aos prêmios
principais, representado pela indicação de Fernanda
Montenegro como melhor atriz por Central do Brasil, em 1999.
Vitórias não houve nenhuma, já que Central
do Brasil, o candidato mais bem cotado de todos esses, pegou
pela frente o rolo compressor de A Vida É Bela, do
performático Roberto Benigni, e da ascensão então
irresistível de Gwyneth Paltrow, que levou a estatueta no
lugar de Fernanda.
A goleada com que Cidade de Deus derrotou esse tipo de preconceito
se torna ainda mais surpreendente em face da rejeição
que o filme de Meirelles enfrentou ao ser apresentado, no ano passado,
ao comitê que avalia as produções estrangeiras.
Esse grupo, de cerca de 700 pessoas, é o encarregado de avaliar
os aspirantes de cada país a uma indicação
para o Oscar, e tem de assistir a algo como seis dezenas de títulos
diferentes num prazo exíguo. É uma tarefa cansativa
e que demanda muitas horas livres no dia razão pela
qual o corpo principal de votantes da Academia, que tem algo como
6.000 membros, costuma ironizar o comitê como o "dos aposentados".
Maldades à parte, é certo que a média de idade
e o conservadorismo são elevados ali, e a violência
e o realismo de Cidade de Deus provocaram sustos intensos,
a ponto de anular suas chances. Na ocasião, ao ser informado
de que seu filme não ficara entre os cinco indicados, Meirelles
disse que sentia especialmente pelo seu elenco, que ficara privado
desse reconhecimento. Por si mesmo, já não tinha expectativas,
uma vez que Harvey Weinstein, o dono da Miramax, produtora que distribui
Cidade de Deus no exterior, lhe avisara que o filme quase
certamente seria recusado.
Paula Prandini
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| Salles:
com Central do Brasil, o desbravador da "retomada"
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Harvey
Weinstein é uma figura folclórica na indústria
americana de cinema. Grandalhão, brusco e sem papas na língua,
tem também a reputação de atuar como um general
que não mede esforços e às vezes ultrapassa
os limites do ético nas batalhas por seus filmes.
Mas colhe resultados: desde que se especializou em combinar uma
certa aura artística com apelo popular e estourou com O
Paciente Inglês, em 1996, a Miramax se tornou a recordista
em indicações para o Oscar. Todos os anos, coleciona-as
às pencas, em boa parte graças às manobras
do obstinado Harvey, que de tão bombásticas já
levaram à produção de novos códigos
de conduta dentro da Academia como o veto à distribuição
de mimos e afagos aos votantes, algo que a Miramax adorava fazer.
E é Harvey o arquiteto do sucesso alcançado por Cidade
de Deus na terça-feira passada.
Desde o primeiro instante, o produtor apaixonou-se por Cidade
de Deus. Apelidado no meio cinematográfico de Harvey
Mãos-de-Tesoura, por causa da mania de picotar os filmes
dos diretores que contrata, ele transgrediu seus próprios
princípios por Fernando Meirelles: implorou que o brasileiro
não cortasse quatro minutos e meio de seu filme, como cogitava
fazer. "Está perfeito assim", justificou. Quando Cidade
de Deus não emplacou uma indicação para
produção estrangeira no Oscar 2003, Harvey decidiu
que voltaria à carga neste ano. Como a estréia comercial
de Cidade nos Estados Unidos só se deu em janeiro
de 2003, o filme se tornou automaticamente elegível para
as categorias principais na festa de 2004. Um ano antes, essa estratégia
servira bem ao mexicano E Sua Mãe Também, que
ficou sem vaga no gueto estrangeiro mas ganhou um padrinho, o ator
Dustin Hoffman, que organizou diversas sessões da fita para
amigos ilustres. Resultado: uma indicação para o prêmio
de roteiro no Oscar 2003.
Harvey Weinstein, porém, é mais que um padrinho. É
uma força-tarefa deles. Meirelles pediu dispensa da campanha,
por considerar que essa já era uma página virada em
sua vida. Harvey concedeu-a, mas arregaçou suas próprias
mangas. Conseguiu manter Cidade de Deus em cartaz nos Estados
Unidos durante todo o ano passado, trouxe o filme à baila
em quase todas as entrevistas que deu, aborreceu sem parar jornalistas
de veículos como o Los Angeles Times e o New York
Times para que fizessem matérias, publicou anúncios
elencando os prêmios internacionais de Cidade e lembrando
aos votantes da Academia que ele ainda era elegível, e resistiu
à pressão de seus próprios funcionários.
Toda a Miramax queria aproveitar o impulso das excelentes críticas
ao filme de Meirelles para lançá-lo em DVD e negociar
seus direitos para a televisão, mas o patrão bateu
o pé, por entender que essas táticas poderiam banalizá-lo
como candidato ao Oscar. "Eu amo esse filme mais do que à
minha vida, e agora fui recompensado", disse Harvey, que vai relançar
o filme com 500 cópias nas próximas semanas (no Brasil,
ele volta ao cartaz em 6 de fevereiro), numa entrevista concedida
logo após o anúncio das indicações.
Meirelles não tem dúvidas de que o empenho do produtor
foi decisivo. Segundo ele, a Miramax gastou muito menos dinheiro
com a campanha de Cidade de Deus em 2003 do que em 2002.
Em vez disso, investiu nela toda a sua transpiração.
Ainda assim, Meirelles não calculou que o saldo das investidas
de Harvey pudesse ser tão formidável. "Nem nos meus
sonhos mais megalomaníacos", diz. No dia em que as indicações
seriam anunciadas, ele tinha reuniões marcadas em Londres
com o escritor John Le Carré, cujo livro O Jardineiro
Fiel servirá de base a um filme que Meirelles começa
a rodar em março, e com o ator Ralph Fiennes, que vai estrelar
a produção. Tinha também uma projeção
de um filme inédito com Kate Winslet, cujo nome faz parte
da lista em que já figurou Nicole Kidman de
possíveis candidatas ao principal papel feminino de O
Jardineiro Fiel. O diretor cumpriu seus compromissos, mas de
dentro de uma saia justíssima, com constantes interrupções
de jornalistas, amigos, produtores e assessores de imprensa. "Ralph
e John foram muito gentis e compreensivos, mas eu nunca teria marcado
essas reuniões e os submetido a tanta chateação
se imaginasse que Cidade de Deus ficaria entre os indicados",
diz Meirelles.
Se o diretor de fotografia Charlone, o montador Rezende e o roteirista
Mantovani agora entram de fato em evidência no mercado internacional
onde o piso para um roteiro filmado, por exemplo, costuma
ser de 100.000 dólares, contra os 60.000 reais pagos (com
muita sorte) no mercado doméstico , Fernando Meirelles
já é o que, no meio cinematográfico americano,
se chama de uma hot property. Vale muito porque pode render
muito e porque tem o potencial de fazer com que também outros
brilhem. É o tipo de talento que deixa todo mundo assanhado,
especialmente os grandes astros, que estão sempre à
cata de diretores que tirem deles o melhor. Exemplo disso é
o mexicano Alejandro González Iñárritu, que
estourou com Amores Brutos e em seu segundo filme, 21
Gramas, dirigiu Sean Penn, Benicio Del Toro e Naomi Watts, garantindo
a presença dos dois últimos no Oscar deste ano. Meirelles
também passou o ano de 2003 sob um bombardeio de propostas,
vindas de todos os grandes estúdios americanos e envolvendo
nomes do calibre de Robert De Niro e Tom Hanks. Esquivou-se delas
porque sua intenção era renovar a parceria com o roteirista
Bráulio Mantovani numa co-produção internacional
provisoriavemente chamada Intolerância II, uma história
sobre a globalização que percorreria do Brasil à
China e à África. No fim de 2003, porém, ficou
claro que o roteiro não estaria pronto a tempo de se iniciarem
as filmagens neste primeiro semestre.
A idéia de passar vários meses à toa não
agradou a Meirelles. Um encontro casual com um amigo, celebrado
com um cafezinho, o colocou na trilha de O Jardineiro Fiel:
o amigo contou que o inglês Mike Newell, de Quatro Casamentos
e um Funeral, deixara o projeto, e a produtora Focus gostaria
muito de colocar ao timão um cineasta familiarizado com o
Terceiro Mundo, já que o enredo se passa em boa parte na
África. Não que Meirelles tenha se divorciado de seus
colaboradores habituais. Mantovani submeteu o roteiro de O Jardineiro
Fiel a uma revisão crítica, César Charlone
novamente será o diretor de fotografia e Daniel Rezende só
não montará o filme porque está ocupado com
o próximo projeto de Walter Salles, o terror psicológico
Dark Water também este uma produção
americana. As honras, desta vez, serão feitas por Stephen
Mirrione, o montador de Traffic e 21 Gramas. Com a
lembrança da distância forçada da família
por causa de Cidade de Deus ainda fresca em sua memória,
Meirelles também decidiu colocar seus familiares à
frente das considerações sobre a carreira. Só
aceitou em definitivo O Jardineiro Fiel quando os produtores
puseram à disposição de sua mulher e de seus
dois filhos que estão com ele agora em Londres
um número adequado de passagens aéreas, para que as
separações possam ser abreviadas com visitas freqüentes.
O salto no número de ofertas e de cifrões é,
claro, o benefício mais imediato a ser colhido por Meirelles,
Rezende, Mantovani e Charlone "Se bem que não estamos
exatamente sem trabalho", brinca o diretor. Também a carreira
de Walter Salles ganhou esse ímpeto com as dezenas de prêmios
internacionais conferidos a Central do Brasil e a exposição
no Oscar. E, assim como fez o amigo Salles, Meirelles planeja estender
esses benefícios para bem além de sua esfera pessoal.
A Videofilmes de Walter e João Salles tornou-se um pólo
de produção e de divulgação dessa produção
no mercado internacional a começar por Cidade de
Deus, que leva a sua grife. A O2 Filmes, da qual Meirelles é
sócio, começa a mostrar a mesma vocação.
No ano passado, recebeu três propostas de produções
internacionais, já começou a fazer comerciais para
o mercado externo e está empenhada em vender para outros
países dois filmes nos quais Meirelles aposta alto: Contra
Todos, de Roberto Moreira, já selecionado para o Festival
de Berlim, e Não Por Acaso, de Philippe Barcinski.
"Estou fazendo o que aprendi com o Walter", diz Meirelles.
Radiobras/divulgação
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| Darlan
(à esq.) e Douglas com Lula: um elenco que não deve repetir
a história de Pixote |
As
semelhanças entre Meirelles e Salles vão além.
Central do Brasil e Cidade de Deus estão, para
o cinema nacional, como sexo, mentiras e videotape e Pulp
Fiction estiveram para o americano: correspondem aos momentos
de desbravamento de um território e, depois, de germinação
do que se havia plantado nele. Central do Brasil revelou
a cinematografia nacional para o mundo e para os próprios
brasileiros, depois de um longo inverno de inatividade e falta de
credibilidade. Cidade de Deus mostrou que daqui pode sair
uma produção arrojada e transformadora, que tem a
ensinar até a quem se considera especialista na matéria.
Como iniciativa é um atributo que não falta a Meirelles,
ele fez esse sucesso ramificar de outra forma ainda: na minissérie
Cidade dos Homens, exibida pela Rede Globo. Protagonizada
por Douglas Silva e Darlan Cunha (que faziam Dadinho e Filé-com-Fritas
em Cidade de Deus), ela chegou à sua segunda temporada
em outubro passado com altos índices de audiência.
A série que há pouco foi premiada no Festival
de Biarritz chamou tanta atenção que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva abriu espaço na agenda para
receber Douglas e Darlan. Melhor: até o momento, a porta
que Cidade abriu para seu ótimo elenco amador não
bateu na cara deste. Fernando Ramos da Silva, o protagonista de
Pixote, foi um sucesso internacional em 1981. Mas não
conseguiu dar continuidade à carreira, voltou à miséria
na qual se criara e acabou morto a tiros pela polícia, aos
19 anos, dentro de sua própria casa. Seguindo um exemplo
iniciado novamente em Central do Brasil, os
responsáveis por Cidade de Deus têm feito o
possível para que a rapaziada que eles descobriram siga um
rumo bastante diverso. Douglas e Darlan estão muito bem encaminhados.
Jonathan Haagensen, o Cabeleira, agora é funcionário
da Globo e tem um papel em Da Cor do Pecado, a novela das
7. Leandro Firmino da Hora, o fabuloso Zé Pequeno de Cidade,
fez trabalhos no teatro e concluiu as filmagens de Cafundó,
no qual foi dirigido por Paulo Betti. Seu Jorge, que interpretou
Mané Galinha, já era uma figura carismática
dos morros cariocas, e agora fará ninguém menos que
Pelé em The Life Aquatic, o próximo filme do
diretor Wes Anderson, de Os Excêntricos Tenenbaums.
Isso para ficar em apenas alguns exemplos.
Só duas coisas deixam Fernando Meirelles infeliz quando o
assunto é Cidade de Deus. A primeira é o abandono
silencioso e gradual em que foram caindo os vários projetos
governamentais anunciados para a favela que dá nome ao filme
todos pegando carona no sucesso deste , e que o diretor
considerava seu mais valioso efeito colateral. A outra é
pensar na cerimônia do Oscar propriamente dita. Meirelles
não gosta de festas de premiação: fica tenso,
acha o clima de competição um sofrimento, constrange-se
quando gente que não conhece pára para lhe dar tapinhas
nas costas e fazer elogios, acha desagradável a sensação
de ter caído no meio da edição internacional
de uma revista de fofocas e, no geral, fica tímido com a
coisa toda. No ano passado, quando compareceu à entrega do
Globo de Ouro, não teve nem com quem conversar: dividiu uma
mesa com o chinês Zhang Yimou, que não fala ou finge
não falar inglês e até tirou uma soneca durante
a cerimônia, e o espanhol Pedro Almodóvar, que o esnobou.
Ainda assim, quando Almodóvar ganhou com Fale com Ela
o prêmio que poderia ter sido de Cidade de Deus, Meirelles
o cuprimentou efusivamente "Porque gosto do filme e também
pelo alívio de não ser eu a ter de subir ao palco
e dizer alguma coisa". Ganhar é chato na hora e perder é
chato depois, diz o diretor, que sonha com um serviço de
entrega de prêmios em domicílio, como se fossem pizzas.
Divulgação
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Meirelles
durante as filmagens de
Cidade: agora vai ser em inglês
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Não
é coincidência que Salles, Meirelles e o mexicano Iñárritu,
os nomes mais prestigiados da buena onda latino-americana,
tenham vindo do sempre tão demonizado cinema publicitário.
Em países onde a indústria cinematográfica
está desmantelada, e o ensino de cinema é no mínimo
precário no que toca à realização
situação que só agora o Brasil começa
a transformar , esses profissionais são virtualmente
os únicos que têm condições de exercer
o ofício e avançar nele. Para quem já dirigiu
alguns milhares de comerciais, como Meirelles, questões técnicas
ou de linguagem já não guardam mais nenhum mistério.
A distância entre o que o diretor visualiza e o que ele de
fato filma é muito pequena, ou nula. Não à
toa, esses diretores provocam um considerável ranger de dentes
entre críticos e realizadores de outras escolas, por assim
dizer: não pedem licença e já chegam com a
bola toda, embasbacando com seus filmes quando outros têm
dificuldade mesmo em captar o mínimo de verba para fazer
os seus. Quando Cidade de Deus foi lançado no Brasil,
em 2002, Meirelles se viu no centro de um debate bizantino sobre
a "cosmética da fome" a suposta glamorização
da miséria nacional , que se agravou quando, heresia
das heresias, ele deixou claro que não rezava no altar de
Glauber Rocha e do cinema novo, e que achava que os incentivos do
Estado para a cultura são indispensáveis, mas para
incentivar, e não para sustentar. O fato é que Cidade
de Deus deu uma nova vida ao cinema nacional e, com seus 3,3
milhões de espectadores, abriu as comportas da bilheteria.
Se a participação dos filmes brasileiros bateu em
21% dos ingressos vendidos no país em 2003, é em grande
parte porque Meirelles pôs abaixo uma barreira em 2002. Por
isso, agora, ele e todos os envolvidos na realização
de Cidade de Deus podem se dar ao direito de comemorar com
toda a paz e tranqüilidade. "Se estou feliz?", diz o diretor.
"Claro! Só se eu fosse doente não estaria."
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