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Estados
Unidos
Ele pode ganhar de Bush?
O
senador John Kerry sai na frente na disputa
pela candidatura democrata à Casa Branca
A
oposição democrata tem um desafio e tanto nos próximos
meses: escolher um candidato à Casa Branca capaz de neutralizar
o favoritismo do presidente George W. Bush e impedir sua reeleição
em novembro. Nas duas primeiras escolhas estaduais que deram início
ao processo de seleção, o senador John Forbes Kerry
despontou como o nome mais capacitado para a difícil tarefa.
A seu favor está a impressão geral de que ele é,
entre os democratas, aquele com maior "eleitabilidade". Trata-se
de uma expressão recém-chegada ao jargão político
americano e significa basicamente boas chances de vencer. Outra
tradução é a seguinte: os democratas abandonaram
de vez os candidatos alternativos ou excessivamente esquerdistas,
como o ex-governador Howard Dean, favorito do partido até
o início de janeiro, todos eles apostas arriscadas. Uma pesquisa
da revista Newsweek aponta Kerry como o único entre
os oposicionistas capaz de derrotar Bush. O senador não apenas
parece um presidente compare seu porte atlético com
a figura rechonchuda de Howard Dean como vem se preparando
para o cargo desde a adolescência.
Aos 60 anos, há dezenove senador por Massachusetts (com o
apoio do clã do falecido presidente John F. Kennedy, do qual
Kerry tem as mesmas iniciais), o novo concorrente exibe o perfil
de estadista e a experiência política que os democratas
procuram para reverter o favoritismo do presidente. Antes foi vice-governador
e promotor público. Herói de guerra no Vietnã,
com cinco condecorações por bravura, tem a autoridade
moral necessária para criticar o modo como a Casa Branca
conduz a encrenca no Iraque sem o risco de ser acusado de covarde
pelos republicanos. Kerry e Bush são ambos filhos de ricaços
e estudaram na mesma universidade, Yale. As diferenças são
igualmente grandes. Enquanto o presidente americano é conhecido
pelas gafes verbais e por seu pouco interesse pelo que se passa
fora dos Estados Unidos, o democrata esbanja sofisticação.
Culto e elegante, Kerry gosta de recitar poesia e fala francês
fluentemente. Filho de um diplomata, estudou numa escola chique
da Suíça. Há nove anos, Kerry casou-se pela
segunda vez, com a viúva de um senador republicano, dona
de uma fortuna de 500 milhões de dólares. Esse casamento
tornou Kerry o parlamentar mais rico do Congresso, uma casa repleta
de milionários.
Nesta primeira eleição presidencial depois dos atentados
terroristas de setembro de 2001, os Estados Unidos estão
divididos meio a meio. As pesquisas mostram que o eleitorado se
identifica em partes iguais com os partidos Republicano e Democrata
45% para cada um deles. O desafio é cativar os 10%
que vão decidir o pleito. A tradição americana
é que uma campanha pela reeleição é
menos uma disputa entre dois candidatos e muito mais um referendo
sobre o presidente. É como se o eleitor acordasse a cada
quatro anos para decidir se o manda-chuva merece ou não o
cargo. George Bush, pai do presidente atual, recebeu um não.
Foi desalojado da Casa Branca, apesar da espetacular vitória
na Guerra do Golfo em 1991. George W. Bush, o filho, tem 55% de
aprovação popular, um índice alto. A seu favor
estão os sinais positivos de crescimento da economia e dos
empregos. O ponto forte de Kerry deve ser a política externa.
Apesar de ter apoiado a invasão do Iraque, ele critica os
exageros da Casa Branca sobre as armas de Saddam Hussein. É
um tema com potencial explosivo para Bush.
| O
homem é um atleta
Com
1,93 metro de altura e aparentando menos que seus 60
anos, John Kerry está
em ótima forma e explora à
exaustão a imagem de esportista. Ele
pilota uma poderosa motocicleta Harley-Davidson e tem
paixão por carne
vermelha. No fim do ano passado,
no entanto, surpreendeu ao
revelar ter diagnosticado e tratado um
câncer de próstata.
Fotos AP
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Kerry
praticando kitesurf em Porto Rico
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Jogando
boliche, há um mês
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Kerry
pedala num evento beneficente em Massachusetts,
em agosto
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