Edição 1839 . 4 de fevereiro de 2004

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Estados Unidos
Ele pode ganhar de Bush?

O senador John Kerry sai na frente na disputa
pela candidatura democrata à Casa Branca

Perguntas & Respostas: as eleições nos EUA

A oposição democrata tem um desafio e tanto nos próximos meses: escolher um candidato à Casa Branca capaz de neutralizar o favoritismo do presidente George W. Bush e impedir sua reeleição em novembro. Nas duas primeiras escolhas estaduais que deram início ao processo de seleção, o senador John Forbes Kerry despontou como o nome mais capacitado para a difícil tarefa. A seu favor está a impressão geral de que ele é, entre os democratas, aquele com maior "eleitabilidade". Trata-se de uma expressão recém-chegada ao jargão político americano e significa basicamente boas chances de vencer. Outra tradução é a seguinte: os democratas abandonaram de vez os candidatos alternativos ou excessivamente esquerdistas, como o ex-governador Howard Dean, favorito do partido até o início de janeiro, todos eles apostas arriscadas. Uma pesquisa da revista Newsweek aponta Kerry como o único entre os oposicionistas capaz de derrotar Bush. O senador não apenas parece um presidente – compare seu porte atlético com a figura rechonchuda de Howard Dean – como vem se preparando para o cargo desde a adolescência.

Aos 60 anos, há dezenove senador por Massachusetts (com o apoio do clã do falecido presidente John F. Kennedy, do qual Kerry tem as mesmas iniciais), o novo concorrente exibe o perfil de estadista e a experiência política que os democratas procuram para reverter o favoritismo do presidente. Antes foi vice-governador e promotor público. Herói de guerra no Vietnã, com cinco condecorações por bravura, tem a autoridade moral necessária para criticar o modo como a Casa Branca conduz a encrenca no Iraque sem o risco de ser acusado de covarde pelos republicanos. Kerry e Bush são ambos filhos de ricaços e estudaram na mesma universidade, Yale. As diferenças são igualmente grandes. Enquanto o presidente americano é conhecido pelas gafes verbais e por seu pouco interesse pelo que se passa fora dos Estados Unidos, o democrata esbanja sofisticação. Culto e elegante, Kerry gosta de recitar poesia e fala francês fluentemente. Filho de um diplomata, estudou numa escola chique da Suíça. Há nove anos, Kerry casou-se pela segunda vez, com a viúva de um senador republicano, dona de uma fortuna de 500 milhões de dólares. Esse casamento tornou Kerry o parlamentar mais rico do Congresso, uma casa repleta de milionários.

Nesta primeira eleição presidencial depois dos atentados terroristas de setembro de 2001, os Estados Unidos estão divididos meio a meio. As pesquisas mostram que o eleitorado se identifica em partes iguais com os partidos Republicano e Democrata – 45% para cada um deles. O desafio é cativar os 10% que vão decidir o pleito. A tradição americana é que uma campanha pela reeleição é menos uma disputa entre dois candidatos e muito mais um referendo sobre o presidente. É como se o eleitor acordasse a cada quatro anos para decidir se o manda-chuva merece ou não o cargo. George Bush, pai do presidente atual, recebeu um não. Foi desalojado da Casa Branca, apesar da espetacular vitória na Guerra do Golfo em 1991. George W. Bush, o filho, tem 55% de aprovação popular, um índice alto. A seu favor estão os sinais positivos de crescimento da economia e dos empregos. O ponto forte de Kerry deve ser a política externa. Apesar de ter apoiado a invasão do Iraque, ele critica os exageros da Casa Branca sobre as armas de Saddam Hussein. É um tema com potencial explosivo para Bush.

 
O homem é um atleta

Com 1,93 metro de altura e aparentando menos que seus 60 anos, John Kerry está em ótima forma e explora à exaustão a imagem de esportista. Ele pilota uma poderosa motocicleta Harley-Davidson e tem paixão por carne vermelha. No fim do ano passado, no entanto, surpreendeu ao revelar ter diagnosticado e tratado um câncer de próstata.

Fotos AP

Kerry praticando kitesurf em Porto Rico

Jogando boliche, há um mês

Kerry pedala num evento beneficente em Massachusetts, em agosto

 

 
 
 
 
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