Edição 1839 . 4 de fevereiro de 2004

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Cidades
O amigo de Paris

Prefeito francês foi convidado de honra
na festa da prefeita de São Paulo


André Fontenelle


Sergio Castro/AE
Delanoë e Marta inauguram painel de um artista francês em São Paulo: elegância notável

A prefeita Marta Suplicy convidou um amigo especial para a festa dos 450 anos de São Paulo, realizada há duas semanas. Bertrand Delanoë, prefeito de Paris, aproveitou a estada para debater acordos de cooperação entre as duas administrações. Marta, que já criou taxas para o lixo e para a iluminação pública, além de investir recentemente em obras que dão prioridade a quem anda de carro, tem o que aprender com o colega. O prefeito de Paris vem cumprindo sua promessa eleitoral de não elevar impostos e toca projetos para livrar o centro de sua capital dos automóveis.

Mas há mais pontos comuns do que divergências no estilo dos dois prefeitos. O primeiro, forte razão da aproximação entre eles, é a luta pela liberdade sexual. Marta, há oito anos, como deputada federal, apresentou um projeto para oficializar uniões homossexuais. Delanoë, por seu lado, admitiu sua homossexualidade num programa de televisão, em 1998, durante um debate sobre o assunto. "Hesitei muito", ele recorda. "Eu não escondia nem mostrava nada, estava bem, mas falei por todos os que se sentem rejeitados." A revelação não provocou escândalo, e ele depois se elegeria prefeito tendo em seu palanque até mesmo Marta, que discursou em francês: "Bertrand, audácia!" De lá para cá, eles se veriam muito: no segundo Fórum Social de Porto Alegre, em 2002, e também nas várias vezes em que Marta foi a Paris, a trabalho ou a passeio, com seu marido, Luis Favre, cidadão francês e bem relacionado com a esquerda local.

Delanoë e Marta são socialistas, mas nem por isso se preocupam só com o social. Em Paris, o prefeito criou uma praia de verão às margens do Sena, e Marta, em São Paulo, lançou a Operação Belezura como uma das primeiras medidas de seu governo. Com 78% de aprovação entre os parisienses, Delanoë é um potencial candidato socialista à Presidência em 2007. Uma eventual vitória seria uma conquista dos que lutam contra os preconceitos, mas o prefeito é cauteloso. "Não tenho tempo de pensar nisso, ainda nem sei se serei candidato à reeleição."

 
 
 
 
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