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Cidades
O amigo de Paris
Prefeito
francês foi convidado de honra
na festa da prefeita de São Paulo

André
Fontenelle
Sergio Castro/AE
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| Delanoë
e Marta inauguram painel de um artista francês em São
Paulo: elegância notável |
A prefeita
Marta Suplicy convidou um amigo especial para a festa dos 450 anos
de São Paulo, realizada há duas semanas. Bertrand
Delanoë, prefeito de Paris, aproveitou a estada para debater
acordos de cooperação entre as duas administrações.
Marta, que já criou taxas para o lixo e para a iluminação
pública, além de investir recentemente em obras que
dão prioridade a quem anda de carro, tem o que aprender com
o colega. O prefeito de Paris vem cumprindo sua promessa eleitoral
de não elevar impostos e toca projetos para livrar o centro
de sua capital dos automóveis.
Mas
há mais pontos comuns do que divergências no estilo
dos dois prefeitos. O primeiro, forte razão da aproximação
entre eles, é a luta pela liberdade sexual. Marta, há
oito anos, como deputada federal, apresentou um projeto para oficializar
uniões homossexuais. Delanoë, por seu lado, admitiu
sua homossexualidade num programa de televisão, em 1998,
durante um debate sobre o assunto. "Hesitei muito", ele recorda.
"Eu não escondia nem mostrava nada, estava bem, mas falei
por todos os que se sentem rejeitados." A revelação
não provocou escândalo, e ele depois se elegeria prefeito
tendo em seu palanque até mesmo Marta, que discursou em francês:
"Bertrand, audácia!" De lá para cá, eles se
veriam muito: no segundo Fórum Social de Porto Alegre, em
2002, e também nas várias vezes em que Marta foi a
Paris, a trabalho ou a passeio, com seu marido, Luis Favre, cidadão
francês e bem relacionado com a esquerda local.
Delanoë
e Marta são socialistas, mas nem por isso se preocupam só
com o social. Em Paris, o prefeito criou uma praia de verão
às margens do Sena, e Marta, em São Paulo, lançou
a Operação Belezura como uma das primeiras medidas
de seu governo. Com 78% de aprovação entre os parisienses,
Delanoë é um potencial candidato socialista à
Presidência em 2007. Uma eventual vitória seria uma
conquista dos que lutam contra os preconceitos, mas o prefeito é
cauteloso. "Não tenho tempo de pensar nisso, ainda nem sei
se serei candidato à reeleição."
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