Edição 1839 . 4 de fevereiro de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
Marcos Sawaya Jank
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cidades
A vida longe do governo

Com seus bares, clubes, academias,
shoppings e cinemas, a capital se livra
da imagem oficial


João Paulo Gomes


Ana Araujo
Academia de ginástica em Brasília: são 350 pontos com 200 000 matriculados

Uma outra Brasília menos visível começou a surgir lentamente nas franjas do poder. A cidade estatal aos poucos está se transformando numa cidade privada, que funciona do lado de fora dos palácios. De acordo com as últimas estatísticas, o número de trabalhadores privados (350.000) já supera o de funcionários públicos (230.000). Até 1997, a capital tinha apenas dois grandes shopping centers, templos de consumo sem nenhuma relação com o serviço público. Hoje, são nove centros comerciais. Os clubes de lazer, antes majoritariamente freqüentados por funcionários públicos, se expandiram entre os trabalhadores privados. No Iate Clube, um dos maiores de Brasília, a maioria dos 12.000 associados é formada por gente da iniciativa privada. As academias de ginástica também são um sinal da expansão do setor privado da cidade. Há uma década, eram 150 estabelecimentos. Hoje, passam de 350.

Ana Araujo
Janaína Ortiga, dona de butique: 60% da clientela está na iniciativa privada


A empresária Janaína Ortiga, 29 anos, acompanhou a mudança do perfil de Brasília de dentro de suas lojas. Há nove anos, quando abriu as portas de sua butique especializada em moda feminina, 80% da clientela trabalhava no serviço público. Hoje, com duas lojas, 60% das consumidoras vêm da iniciativa privada. "Hoje, as lojas são freqüentadas por empresárias e gente do comércio", diz ela. Com 2 milhões de habitantes em todo o Distrito Federal, os setores privados mais efervescentes em Brasília são comércio e serviços – responsáveis por 70% de tudo o que se fatura na iniciativa privada na capital. São mais de 10.000 estabelecimentos. Só os bares, hotéis e restaurantes geram cerca de 100.000 empregos diretos.

O advogado baiano Luciano Andrade, 28 anos, conta que chegou à capital em 1999, vindo de Salvador, esperando encontrar a mesma cidade fria da década de 1960. "Eu achava que Brasília ainda vivia apinhada de terça a quinta e deserta nos fins de semana", diz ele. "Mas isso mudou." A cidade, hoje, tem 7.000 bares, que costumam lotar nos fins de semana. O crescimento da porção privada da cidade não a tornou independente do poder público. Sem o dinheiro dos salários dos servidores, o comércio local quebra. Mesmo com uma massa de trabalhadores mais reduzida que a do setor privado, o serviço público paga melhor. Em muitos casos, bem melhor – como infelizmente ainda se pode ler no noticiário político.

 
 
 
 
topo voltar