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Cidades
A vida longe do governo
Com
seus bares, clubes, academias,
shoppings e cinemas, a capital se livra
da imagem oficial

João
Paulo Gomes
Ana Araujo
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| Academia
de ginástica em Brasília: são 350 pontos
com 200 000 matriculados |
Uma
outra Brasília menos visível começou a surgir
lentamente nas franjas do poder. A cidade estatal aos poucos está
se transformando numa cidade privada, que funciona do lado de fora
dos palácios. De acordo com as últimas estatísticas,
o número de trabalhadores privados (350.000)
já supera o de funcionários públicos (230.000).
Até 1997, a capital tinha apenas dois grandes shopping centers,
templos de consumo sem nenhuma relação com o serviço
público. Hoje, são nove centros comerciais. Os clubes
de lazer, antes majoritariamente freqüentados por funcionários
públicos, se expandiram entre os trabalhadores privados.
No Iate Clube, um dos maiores de Brasília, a maioria dos
12.000 associados é formada por gente
da iniciativa privada. As academias de ginástica também
são um sinal da expansão do setor privado da cidade.
Há uma década, eram 150 estabelecimentos. Hoje, passam
de 350.
Ana Araujo
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| Janaína
Ortiga, dona de butique: 60% da clientela está na iniciativa
privada |
A empresária Janaína Ortiga, 29 anos, acompanhou a
mudança do perfil de Brasília de dentro de suas lojas.
Há nove anos, quando abriu as portas de sua butique especializada
em moda feminina, 80% da clientela trabalhava no serviço
público. Hoje, com duas lojas, 60% das consumidoras vêm
da iniciativa privada. "Hoje, as lojas são freqüentadas
por empresárias e gente do comércio", diz ela. Com
2 milhões de habitantes em todo o Distrito Federal, os setores
privados mais efervescentes em Brasília são comércio
e serviços responsáveis por 70% de tudo o que
se fatura na iniciativa privada na capital. São mais de 10.000
estabelecimentos. Só os bares, hotéis e restaurantes
geram cerca de 100.000 empregos diretos.
O
advogado baiano Luciano Andrade, 28 anos, conta que chegou à
capital em 1999, vindo de Salvador, esperando encontrar a mesma
cidade fria da década de 1960. "Eu achava que Brasília
ainda vivia apinhada de terça a quinta e deserta nos fins
de semana", diz ele. "Mas isso mudou." A cidade, hoje, tem 7.000
bares, que costumam lotar nos fins de semana. O crescimento da porção
privada da cidade não a tornou independente do poder público.
Sem o dinheiro dos salários dos servidores, o comércio
local quebra. Mesmo com uma massa de trabalhadores mais reduzida
que a do setor privado, o serviço público paga melhor.
Em muitos casos, bem melhor como infelizmente ainda se pode
ler no noticiário político.
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