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Decoração
O
retrato da solidão
Designers alemãs criam papéis de
parede
para
a casa de pessoas sozinhas

Juliana
Linhares
Divulgação
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| Andrea
e Susanne: o homem e o sofá são um papel de parede
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Nunca
tantos viveram tão sozinhos. Principalmente no norte da Europa.
Na Suécia, 40% das casas são ocupadas por apenas uma
pessoa. Na Alemanha, elas somam 35%. No Brasil, a taxa cai para
9%, mas a tendência é que esse número suba bastante
nas próximas duas décadas. Trata-se de uma curva diretamente
proporcional ao crescente desencanto com o casamento e à
difusão do individualismo nas sociedades modernas. Viver
sozinho traz vantagens objetivas bastante evidentes e uma circunstância
de caráter subjetivo bem deprimente: a solidão. É
duro chegar do trabalho a uma casa completamente às escuras
e em silêncio, sem ninguém à espera. É
triste comer sozinho, em frente da televisão, sem ter um
companheiro com quem comentar as bobajadas que desfilam na tela.
Para pelo menos dar a impressão de que não se está
sozinho, uma empresa alemã lançou uma linha de papéis
de parede que trazem estampadas fotos de pessoas em tamanho natural,
em situações cotidianas. O realismo é impressionante.
Há, por exemplo, o papel de parede com a imagem de uma mulher
que aparentemente está para sair de casa, aquele que mostra
um sujeito escarrapachado no sofá e outro que exibe uma bela
mulher sentada numa poltrona, segurando uma taça de vinho.
O preço de cada "amigo" é 224 euros (cerca de 830
reais).
As designers que os criaram, Susanne Schmidt e Andrea Baum, ambas
solteiras e na faixa dos 30 anos, dizem ter se inspirado em outro
produto para solteiros, também alemão, que fez sucesso
no ano passado: o CD Never Alone Again (sozinho nunca mais).
O disco é composto de sons domésticos, como o
de um secador de cabelos ligado, o de uma cafeteira em funcionamento,
o de ranger de portas e o de papéis sendo mexidos. Para os
produtores do CD, ele propicia uma sensação de companhia.
Esse tipo de coisa parece ser uma maluquice (e é), mas não
há como recriminar quem tenta atenuar os efeitos deletérios
da solidão. Tanto melhor se o sujeito se sente bem conversando
com uma foto na parede, enquanto escuta uma cafeteira que não
existe. O preocupante é quando se começa a fazer isso
também fora de casa.
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