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Comportamento
Em casa e com dor
O parto doméstico, sem anestesia
e às vezes até sem obstetra,
conquista adeptas no país

Adriana
Negreiros
Caras
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| A
modelo Caroline, que quer dar à luz sem anestesia: "Sempre
deu certo" |
Há grávidas que fazem questão de ter um parto
à moda antiga e são capazes de pagar até 15
000 reais para viver essa experiência. E há, também,
médicos e grupos organizados que pregam esse tipo de parto.
A julgar pelos números apresentados pelos defensores desse
método, trata-se de uma nova moda entre as parturientes.
Nos consultórios que aceitam fazer essa modalidade de parto,
90% das pacientes fazem questão de ter seu bebê assim.
Há dois anos, eram 10%. As visitas diárias ao site
do grupo Amigas do Parto, que divulga o procedimento, aumentaram,
no mesmo período, de 100 para 800. O chamado parto humanizado
vem sendo praticado tanto na casa dos futuros pais quanto em alguns
hospitais. Na hora do nascimento, evitam-se anestesias, cortes e
medicamentos para induzir o parto. Não são poucos
os casos em que se substitui o obstetra por uma parteira, como há
dois séculos. Para dar um ar de festa ao evento, há
quem convide amigos para comemorar o feito, como num aniversário.
Uma das vantagens citadas pelos adeptos do parto à antiga
é a rápida recuperação da mulher. Outra
é de ordem emocional: "No parto não humanizado, a
mãe nem se sente protagonista do evento", diz o obstetra
Ricardo Herbert Jones, de Porto Alegre. "A dor guia naturalmente
o movimento da mulher e facilita a saída do bebê",
ele defende. Quem passou pela experiência, como a psicoterapeuta
Adriana Tanese Nogueira, concorda. Aos 36 anos, ela teve a primeira
filha em casa, sem anestesia, de cócoras. Quer repetir a
dose. "Dor de dente é pior que dor de parto", assegura Adriana,
autora de um livro com depoimentos de outras mães que optaram
por esse método. A modelo Caroline Ribeiro, grávida
de oito meses, fez a mesma escolha. Terá a criança
numa maternidade, mas com o mínimo de intervenções.
"Não tenho medo. Sempre deu certo desse jeito."
Em termos estatísticos, isso não é exatamente
verdade. Com a popularização das maternidades no século
XX, nas cidades americanas a redução da mortalidade
de mães em decorrência de complicações
do parto foi da ordem de 90%. No Brasil não foi diferente.
Não é por acaso que muitos vêem o parto humanizado
com desconfiança. "Querendo evitar as cesáreas, muitas
pessoas cometem um exagero tolo", diz o médico José
Aristodemo Pinotti, do Hospital das Clínicas de São
Paulo. "Mãe e criança podem morrer se não houver
equipamentos e médico disponíveis em caso de emergência."
Abner Lobão Filho, coordenador do pré-natal personalizado
da Universidade Federal de São Paulo, afirma que partos domiciliares
só devem ser feitos com uma ambulância à porta.
"A futura mãe tem de estar em excelentes condições
de saúde, e mesmo assim os riscos são maiores do que
na maternidade", alerta Lobão.
Os defensores do parto com dor rejeitam o rótulo de esotéricos,
apesar de chegarem a propor música ambiente e orações
na hora do nascimento e sessões de ioga para a mulher grávida.
Uma grande diferença entre esse modelo e o que de fato acontecia
no passado são os gastos para ter o bebê. Enquanto
muitas parteiras trabalhavam por amor ao ofício, médicos
adeptos do método cobram valores equivalentes ao de um parto
tradicional. Em termos de tempo, isso faz sentido. O médico
Jorge Kuhn, professor da Universidade Federal de São Paulo,
faz de dois a três desses partos por mês. Conta que
já ficou até 24 horas com uma paciente. Numa cesárea,
demoraria no máximo uma hora. "Olhando por esse ângulo,
a cesariana é mais rentável e mais prática
para o médico", ele diz.
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