Edição 1839 . 4 de fevereiro de 2004

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São Paulo
Serra contra Marta?

Antes refratário à idéia, o tucano
se movimenta
como candidato
à prefeitura em São Paulo


Maurício Lima

Depois da eleição presidencial, o ex-ministro da Saúde José Serra parecia liquidado. A derrota por uma diferença de quase 20 milhões de votos, a debandada de aliados para as hostes petistas e a falta de perspectiva dentro do próprio partido, o PSDB, pareciam traçar o fim da carreira política de Serra. Em pouco mais de um ano, esse cenário mudou radicalmente. Conhecido pelo temperamento difícil, Serra resolveu diferenças com antigos adversários e, com o apoio de todas as facções do tucanato, tornou-se o presidente da legenda. Impulsionado por um grande movimento de dentro e fora do partido, Serra agora tem boas chances de se aventurar em outro desafio: a disputa pela prefeitura de São Paulo. Questionado sobre essa possibilidade no passado, o tucano sempre se mostrou refratário – e até hoje ainda despista quando o assunto é esse. Mas, na semana passada, pela primeira vez, Serra começou a se movimentar como quem está disposto a aceitar a empreitada. Numa conversa com outro pré-candidato do PSDB à prefeitura, disse que estava avaliando a possibilidade e pediu um prazo de mais dois meses para se definir. Em conversas com assessores, ele soltou a senha que, em politiquês, significa que vai concorrer. "A pressão está ficando insuportável", disse.

A pressão a que Serra se refere é daquelas que todo político gosta de receber e vem de duas frentes. A primeira é a percepção de políticos do PSDB e do PFL, as únicas legendas de oposição ao PT hoje em dia, de que a vitória dele em São Paulo é um passo fundamental para as pretensões oposicionistas em 2006. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já defendeu essa visão há alguns meses e, recentemente, o prefeito Cesar Maia, do PFL, expôs o mesmo raciocínio. O outro foco de pressão é a análise das possibilidades eleitorais de Serra. Apesar de ele já ter sido derrotado para o cargo de prefeito de São Paulo, os últimos números são bastante animadores. No segundo turno da eleição presidencial, em 2002, Serra teve 49% dos votos válidos na cidade de São Paulo. E ele estava enfrentando o então candidato da esperança, Luiz Inácio Lula da Silva. Em tese, uma disputa com Marta Suplicy seria muito mais fácil para Serra do que a que travou com Lula, que tem mais carisma e mais apoio do que a prefeita de São Paulo. Hoje, Serra tem entre 20% e 30% das intenções de voto, dependendo da lista de candidatos apresentada ao eleitor. É um patamar inicial bastante alto. Marta fica entre 18% e 23%. Resta saber se o tucano, conhecido pela demora em decisões desse tipo, vai ceder à doce pressão ou esperar uma nova chance lá na frente.

 
 
 
 
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