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São
Paulo
Serra contra Marta?
Antes refratário à idéia,
o tucano
se movimenta
como candidato
à prefeitura em São Paulo

Maurício
Lima
Depois da eleição presidencial, o ex-ministro da Saúde
José Serra parecia liquidado. A derrota por uma diferença
de quase 20 milhões de votos, a debandada de aliados para
as hostes petistas e a falta de perspectiva dentro do próprio
partido, o PSDB, pareciam traçar o fim da carreira política
de Serra. Em pouco mais de um ano, esse cenário mudou radicalmente.
Conhecido pelo temperamento difícil, Serra resolveu diferenças
com antigos adversários e, com o apoio de todas as facções
do tucanato, tornou-se o presidente da legenda. Impulsionado por
um grande movimento de dentro e fora do partido, Serra agora tem
boas chances de se aventurar em outro desafio: a disputa pela prefeitura
de São Paulo. Questionado sobre essa possibilidade no passado,
o tucano sempre se mostrou refratário e até
hoje ainda despista quando o assunto é esse. Mas, na semana
passada, pela primeira vez, Serra começou a se movimentar
como quem está disposto a aceitar a empreitada. Numa conversa
com outro pré-candidato do PSDB à prefeitura, disse
que estava avaliando a possibilidade e pediu um prazo de mais dois
meses para se definir. Em conversas com assessores, ele soltou a
senha que, em politiquês, significa que vai concorrer. "A
pressão está ficando insuportável", disse.
A pressão a que Serra se refere é daquelas que todo
político gosta de receber e vem de duas frentes. A primeira
é a percepção de políticos do PSDB e
do PFL, as únicas legendas de oposição ao PT
hoje em dia, de que a vitória dele em São Paulo é
um passo fundamental para as pretensões oposicionistas em
2006. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já defendeu
essa visão há alguns meses e, recentemente, o prefeito
Cesar Maia, do PFL, expôs o mesmo raciocínio. O outro
foco de pressão é a análise das possibilidades
eleitorais de Serra. Apesar de ele já ter sido derrotado
para o cargo de prefeito de São Paulo, os últimos
números são bastante animadores. No segundo turno
da eleição presidencial, em 2002, Serra teve 49% dos
votos válidos na cidade de São Paulo. E ele estava
enfrentando o então candidato da esperança, Luiz Inácio
Lula da Silva. Em tese, uma disputa com Marta Suplicy seria muito
mais fácil para Serra do que a que travou com Lula, que tem
mais carisma e mais apoio do que a prefeita de São Paulo.
Hoje, Serra tem entre 20% e 30% das intenções de voto,
dependendo da lista de candidatos apresentada ao eleitor. É
um patamar inicial bastante alto. Marta fica entre 18% e 23%. Resta
saber se o tucano, conhecido pela demora em decisões desse
tipo, vai ceder à doce pressão ou esperar uma nova
chance lá na frente.
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