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Televisão
A volta do lerê-lerê
Nem
tão igual, nem tão diferente. Assim
é
a nova Escrava Isaura, da Record

Ricardo Valladares
Divulgação
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| A atual versão do folhetim: custo de produção
de 18 milhões de reais |
No ar há
apenas duas semanas pela Rede Record, a nova versão da novela
A Escrava Isaura já tem seu lugar assegurado como
uma das mais bem-sucedidas malandragens da história da televisão
brasileira. Com a regravação do folhetim que a Rede
Globo exibiu nos anos 70, a Record dobrou seu ibope na faixa das
7 da noite e conquistou a vice-liderança no horário,
com 11 pontos de média. Pela lei, a emissora tem direito
de usar livremente tudo o que está no romance original, escrito
por Bernardo Guimarães no século XIX e já em
domínio público. Ela não pode avançar
sobre idéias que o noveleiro Gilberto Braga aproveitou em
sua versão televisiva de 1976. Mas há uma margem de
manobra da qual a Record se aproveita até onde pode. A música-tema,
por exemplo, é a mesma: a célebre "melô do lerê-lerê".
O ator Rubens de Falco, que interpretou o vilão Leôncio
na produção da Globo, também está em
cena devidamente munido de sua peruca, como naquela época
(veja quadro). "Perdi meus cabelos quando tinha 20 anos e
desde então sempre usei", diz ele. Até uma parte considerável
da equipe da novela foi tirada da rede carioca, de câmeras
e roteiristas ao diretor Herval Rossano, o mesmo da original. Nos
bastidores, a concorrente acompanha tudo com atenção.
Os advogados da Globo analisam cada cena para flagrar se a Record
não ultrapassa os limites do permitido.
Ao investir
18 milhões de reais numa novela, a Record fez a opção
por um produto com retorno certo. A Escrava Isaura foi um
grande fenômeno em sua época e até hoje desperta
saudade. Uma pesquisa indica que 53% do público da nova versão
tem mais de 35 anos, ou seja, pôde acompanhar a novela original.
Poucos programas contaram com um vilão e uma mocinha tão
marcantes. O implacável Leôncio é considerado
por especialistas como Mauro Alencar, doutor em telenovelas pela
Universidade de São Paulo, o mais acabado malfeitor do gênero.
O papel de Isaura transformou a atriz Lucélia Santos em celebridade
até na China, um dos oitenta países onde a novela
foi exibida. A história é cheia de cenas de sofrimento
e redenção. "É uma história que atiça
o pequeno sadomasoquista escondido em cada um de nós", afirma
um diretor da Record. Para não dizer que tudo é cópia,
a emissora acrescentou à trama núcleos cômicos
bem ao gosto do público atual, que se acostumou a ver novelas
de gêneros cruzados, em que o dramalhão e o humor se
combinam. Ela programou 144 capítulos para a novela, mas,
se o ibope continuar em alta, a escrava Isaura pode esperar ainda
mais tempo para ter a sua Lei Áurea.
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Vida de negro
Semelhanças
e diferenças entre as adaptações
de A Escrava Isaura da Rede Globo e da Record
• O ator Rubens de Falco trocou de papel no passado,
interpretava o vilão Leôncio e, agora,
é o comendador Almeida. Mas ele continua usando
peruca.
• A produção da Record exibe na abertura
gravuras do francês Jean-Baptiste Debret, como
o sucesso da Globo dos anos 70.
• A música-tema é a mesma Retirantes,
poema de Jorge Amado cantado por Dorival Caymmi
aquela do refrão "lerê-lerê...".
• O leve estrabismo, que era o charme da escrava Isaura
vivida pela jovem Lucélia Santos no primeiro
folhetim, está de volta. Só que agora
essa é a marca da personagem Malvina (Maria Ribeiro).
• Para dar leveza à história, foram criados
vários núcleos cômicos.
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Fora de tom
Divulgação
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| Tom e sertanejos: a vaidade transborda |
Tom Cavalcante
despontou, nos anos 90, como um grande imitador. Fazia
rir ao repetir, com diabólica precisão,
as vozes e trejeitos de personalidades como o cantor
Nelson Ned ou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O artista ressurgiu um mês atrás, não
mais como humorista, mas como apresentador de programa
de auditório. Em troca de um salário mais
merchandising de 350 000 reais por mês, ele comanda
o Show do Tom, que vai ao ar diariamente às
22 horas, na Rede Record. Nessa nova encarnação,
Tom continua imitando na pior acepção
do termo. Seu programa é um amontoado de fórmulas
surradas. Na segunda-feira passada, ele apresentou um
número gravado com os cantores Rick e Renner,
que quase simultaneamente podiam ser vistos ao vivo
no palco do Boa Noite Brasil, da TV Bandeirantes.
A noite terminou de maneira lastimável com uma
brincadeira em que um ex-participante do reality show
Big Brother, o musculoso Kléber Bam-Bam
(alguém ainda se lembra?), era trancado numa
jaula. Pior de tudo é que, senhor absoluto do
microfone, Tom Cavalcante deixa transbordar sua enorme
vaidade um traço de personalidade que
provocou muitas rusgas quando ele ainda trabalhava na
Rede Globo, em programas como Sai de Baixo. Depois
de estrear com 9 pontos de audiência, o Show
do Tom tem hoje dificuldades para manter-se em 4.
A Record já estuda podá-lo.
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