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Livros
O Apocalipse segundo
Dan Brown
As maluquices de Anjos e Demônios,
thriller em que surgiu o herói do
megassucesso O Código Da Vinci

Jerônimo Teixeira
A capa de Anjos e Demônios (tradução
de Maria Luiza Newlands da Silveira; Sextante; 464 páginas;
39,90) destaca que esta é "a primeira aventura de Robert
Langdon". A segunda aventura dessa espécie de detetive museológico
criado pelo escritor americano Dan Brown já é bem
conhecida do leitor brasileiro: trata-se de O Código Da
Vinci, livro que está há trinta semanas na lista
de mais vendidos de VEJA e já vendeu mais de 14 milhões
de exemplares ao redor do mundo. Anjos e Demônios não
gerou tanto barulho quando foi lançado nos Estados Unidos,
em 2000, mas foi redescoberto no rastro do sucesso do Código.
Em uma interessante inversão cronológica, o segundo
livro despertou interesse sobre o primeiro. Fica um alerta, contudo,
para o leitor que se deixou fascinar com as elucubrações
de Langdon em torno do Santo Graal e da obra de Leonardo da Vinci:
Brown errou a mão no primeiro thriller.
Os dois livros seguem a mesma fórmula.
Começam com um assassinato espetacular, que será investigado
por Langdon, um professor de história da arte de Harvard
especializado em simbologia religiosa. Em ambos os livros, ele se
confronta com antigas irmandades secretas que escondem pistas em
obras-primas da arte. Finalmente, nos dois livros, ele conta com
a ajuda inteligente de uma sensual européia. A italiana de
Anjos e Demônios é mais fogosa do que a francesa
de O Código Da Vinci, mas este é o único
ponto em que o primeiro livro sai ganhando.
Código garante o apelo popular
aludindo à obra do universalmente conhecido Leonardo, enquanto
os enigmas de Anjos e Demônios estão ocultos
nas esculturas barrocas do bem menos conhecido Gian Lorenzo Bernini.
A teoria conspiratória do Código remonta a
uma suposta ligação carnal entre Jesus e Madalena,
tema que garante um certo escândalo herético. Anjos
e Demônios enreda-se em uma discussão confusa sobre
o choque entre ciência e religião. Mas a principal
razão para que Anjos e Demônios não tenha
se convertido em sucesso por seus próprios méritos
talvez seja bem mais simples: o enredo é simplesmente estapafúrdio.
Envolve uma cápsula de antimatéria (veja
quadro) roubada do CERN a maior instituição
de pesquisa nuclear da Europa para destruir o Vaticano durante
o conclave que deve escolher um novo papa. Não bastasse essa
ameaça apocalíptica, um assassino árabe seqüestra
quatro cardeais e promete matá-los antes da explosão
final do Vaticano.
Para desatar todos os nós dessa trama,
Brown recorre a expedientes mais próprios de um desenho animado
do que de um thriller. No final apoteótico, surge até
um pára-quedas improvisado que parece um projeto do Coiote
do Papa-Léguas. Há também o primário
"momento Scooby-Doo", em que o vilão explica, passo a passo,
como conseguiu enganar a todos com seu plano maligno. E lembra quando
Jerry ateava fogo na cauda de Tom? O gato sentia o cheiro de fumaça
antes da dor da queimadura. Pois os físicos quânticos
de Anjos e Demônios não são mais espertos.
Eis a primeira frase do livro: "O físico Leonardo Vetra sentiu
cheiro de carne queimada e sabia que era a sua".
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