Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

Índice
Lya Luft
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Auto-retrato
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

DVD
Eles vivem

Todo Mundo Quase Morto injeta
ânimo nos filmes de zumbis


Isabela Boscov

Shaun sai para comprar uma Coca-Cola e depara com as cenas de sempre: um carro com o pára-brisa quebrado, lixo espalhado pela calçada, gente caminhando trôpega pelo meio da rua, o pop indiano sintético no som da mercearia. Enfim: uma típica manhã de domingo em Londres. Como, então, Shaun poderia ter notado que a civilização acabou e os zumbis tomaram a cidade? Não poderia, claro. Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, Inglaterra, 2004), que está saindo aqui diretamente em DVD, é um desses momentos de quase genialidade do cinema inglês: uma comédia que ridiculariza não só os filmes de zumbis, mas a própria Inglaterra, tão cheia de vivos-mortos que a chegada dos mortos-vivos mal a abala. Shaun e seus amigos, por exemplo, pensam, pensam e pensam numa alternativa de refúgio. E, claro, só conseguem ter uma idéia (a de sempre): o pub. A meio caminho, cruzam com outros sobreviventes. Todos ensangüentados, e carregando pás e tacos de críquete cobertos de fragmentos de zumbis, eles iniciam as apresentações: "Yvonne, como vai? Esta é minha mãe. E acho que você já conhece a minha namorada". Seria surreal, se não fosse tão fiel à filosofia britânica de que desgraças devem ser aceitas graciosamente, e com o ar mais distraído possível. É sátira no seu mais engraçado e debochado. Para quem está quase morto, enfim, os ingleses até que andam bem vivos.

 
 
 
 
topovoltar