Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

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Esporte
O Corinthians do beisebol

Um dos times mais populares dos
Estados Unidos quebra maldição
de 86 anos e é campeão


André Fontenelle


Reuters
O arremessador Pedro Martínez, um dos ídolos do Boston Red Sox, na última partida da série decisiva

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As regras básicas do beisebol

Durante os 23 anos que passou sem conquistar um campeonato estadual, o Corinthians Paulista só viu aumentar a fidelidade de sua fanática torcida. Um fenômeno de proporções ainda maiores ocorreu nos Estados Unidos com o time de beisebol do Boston Red Sox. Uma das mais queridas do país, a equipe encerrou na semana passada um jejum de títulos nacionais iniciado em 1918. A euforia da imprensa e dos torcedores chegou a tal ponto que o assunto disputou espaço com um tema bem mais importante para os americanos, o confronto entre George Bush e John Kerry na eleição presidencial. Vanessa Kerry, filha do candidato democrata, compareceu a eventos de campanha pedindo votos para o pai e pensamentos positivos para o Sox.

Longos jejuns não são raros no beisebol. O Chicago Cubs, por exemplo, não ganha um campeonato desde 1908. Mas o tabu dos Red Sox tornou-se mais famoso porque uma série de azares lhes tirou a chance de vitória diversas vezes, ao longo dos anos. Em 1978, por exemplo, estavam prestes a derrotar os arqui-rivais do New York Yankees quando um obscuro jogador nova-iorquino deu a maior rebatida de sua vida e virou o resultado da partida. Oito anos depois, o placar eletrônico do estádio já parabenizava os "novos campeões" quando um rebatedor do New York Mets, na última oportunidade, acertou uma paulada que derrubou o Sox do pódio.

Os supersticiosos torcedores do Boston atribuem a angustiante espera de um título ao que chamam de "maldição do Bambino". Bambino era Babe Ruth, considerado o Pelé do beisebol. Vendido em 1920 pelos Red Sox aos Yankees, teria rogado uma praga sobre o ex-clube. Desde então o time de Nova York ganhou 26 campeonatos, enquanto o Boston conseguia perder muitas chances às portas da vitória. Neste ano, a maré se inverteu. "Os Red Sox pareciam enfeitiçados", diz o historiador Harvey Frommer, autor de um livro sobre a rivalidade entre bostonianos e nova-iorquinos. Na série semifinal do campeonato, os Yankees venceram as três primeiras partidas e só precisavam de mais uma vitória para garantir-se nas finais. Nunca na história do beisebol um time havia revertido uma desvantagem de três derrotas. Pois os Red Sox conseguiram o feito inédito. Na decisão, não deram sopa ao azar, mesmo enfrentando o time de melhor campanha da competição, o Saint Louis Cardinals.

O beisebol disputa com o futebol americano e o basquete o título de esporte mais popular dos EUA. Dos cinqüenta atletas mais bem pagos do mundo, treze praticam esse esporte, segundo a revista americana Forbes. A estrela dos Red Sox, o arremessador Manny Ramírez, nascido na República Dominicana, ganha 22 milhões de dólares por ano, 20% mais do que o atacante Ronaldo, do Real Madrid. As regras são muitas e quase subjetivas. As partidas chegam a durar mais de cinco horas. A torcida, desatenta, consome tonéis de refrigerantes e toneladas de cachorros-quentes. Tudo tão americano que o candidato Kerry, morador de Boston, cogitou tirar uma casquinha eleitoral comparecendo a uma das partidas decisivas. Sua assessoria vetou a idéia. No caso de uma derrota, Kerry sairia com a fama de pé-frio. Além disso, a presença ilustre poderia enervar os jogadores e deixar a equipe mais um ano na fila.

 
 
 
 
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