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Esporte
O Corinthians do beisebol
Um dos times mais populares dos
Estados Unidos quebra maldição
de 86 anos e é campeão

André Fontenelle
Reuters
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| O arremessador Pedro Martínez, um dos
ídolos do Boston Red Sox, na última partida da
série decisiva |
Durante os 23 anos que passou sem conquistar
um campeonato estadual, o Corinthians Paulista só viu aumentar
a fidelidade de sua fanática torcida. Um fenômeno de
proporções ainda maiores ocorreu nos Estados Unidos
com o time de beisebol do Boston Red Sox. Uma das mais queridas
do país, a equipe encerrou na semana passada um jejum de
títulos nacionais iniciado em 1918. A euforia da imprensa
e dos torcedores chegou a tal ponto que o assunto disputou espaço
com um tema bem mais importante para os americanos, o confronto
entre George Bush e John Kerry na eleição presidencial.
Vanessa Kerry, filha do candidato democrata, compareceu a eventos
de campanha pedindo votos para o pai e pensamentos positivos para
o Sox.
Longos jejuns não são raros
no beisebol. O Chicago Cubs, por exemplo, não ganha um campeonato
desde 1908. Mas o tabu dos Red Sox tornou-se mais famoso porque
uma série de azares lhes tirou a chance de vitória
diversas vezes, ao longo dos anos. Em 1978, por exemplo, estavam
prestes a derrotar os arqui-rivais do New York Yankees quando um
obscuro jogador nova-iorquino deu a maior rebatida de sua vida e
virou o resultado da partida. Oito anos depois, o placar eletrônico
do estádio já parabenizava os "novos campeões"
quando um rebatedor do New York Mets, na última oportunidade,
acertou uma paulada que derrubou o Sox do pódio.
Os supersticiosos torcedores do Boston atribuem
a angustiante espera de um título ao que chamam de "maldição
do Bambino". Bambino era Babe Ruth, considerado o Pelé do
beisebol. Vendido em 1920 pelos Red Sox aos Yankees, teria rogado
uma praga sobre o ex-clube. Desde então o time de Nova York
ganhou 26 campeonatos, enquanto o Boston conseguia perder muitas
chances às portas da vitória. Neste ano, a maré
se inverteu. "Os Red Sox pareciam enfeitiçados", diz o historiador
Harvey Frommer, autor de um livro sobre a rivalidade entre bostonianos
e nova-iorquinos. Na série semifinal do campeonato, os Yankees
venceram as três primeiras partidas e só precisavam
de mais uma vitória para garantir-se nas finais. Nunca na
história do beisebol um time havia revertido uma desvantagem
de três derrotas. Pois os Red Sox conseguiram o feito inédito.
Na decisão, não deram sopa ao azar, mesmo enfrentando
o time de melhor campanha da competição, o Saint Louis
Cardinals.
O beisebol disputa com o futebol americano
e o basquete o título de esporte mais popular dos EUA. Dos
cinqüenta atletas mais bem pagos do mundo, treze praticam esse
esporte, segundo a revista americana Forbes. A estrela dos
Red Sox, o arremessador Manny Ramírez, nascido na República
Dominicana, ganha 22 milhões de dólares por ano, 20%
mais do que o atacante Ronaldo, do Real Madrid. As regras são
muitas e quase subjetivas. As partidas chegam a durar mais de cinco
horas. A torcida, desatenta, consome tonéis de refrigerantes
e toneladas de cachorros-quentes. Tudo tão americano que
o candidato Kerry, morador de Boston, cogitou tirar uma casquinha
eleitoral comparecendo a uma das partidas decisivas. Sua assessoria
vetou a idéia. No caso de uma derrota, Kerry sairia com a
fama de pé-frio. Além disso, a presença ilustre
poderia enervar os jogadores e deixar a equipe mais um ano na fila.
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