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Saúde
"Vou me curar"
Roberto Carlos fala de sua luta contra
o transtorno obsessivo-compulsivo

Okky de Souza
Marcos Vieira/Ag. O Globo
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Alex Silva/AE
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TERAPIA
E BOATOS
Roberto Carlos aconselha os portadores de TOC a procurar
ajuda sem demora: "O transtorno é algo mais sério
do que se imagina, perturba muito, e o paciente precisa ter
coragem, disposição e empenho". Já
o namoro com Maria de Fátima Barbosa (à esq.),
segundo ele, não passa de gorda fofoca |
Quem assiste aos shows da nova turnê
de Roberto Carlos, iniciada em julho, se surpreende com sua atuação
no palco. Roberto está visivelmente mais à vontade
e alegre. Canta músicas que havia riscado do repertório
por conterem palavras que considerava tabu, como "mentira" e "maldade".
Parece um novo Roberto Carlos e é mesmo. Nos últimos
quatro meses, o cantor vem se submetendo a sessões de terapia
cognitivo-comportamental para se livrar de um distúrbio psicológico
que o acomete há mais de uma década, mas que só
agora ele resolveu combater o transtorno obsessivo-compulsivo,
ou TOC. Há seis meses, o TOC foi assunto de uma reportagem
de capa de VEJA, que trazia um depoimento tocante de uma de suas
vítimas, a atriz Luciana Vendramini. Trata-se de um distúrbio
que se manifesta por meio de uma série de excentricidades
e manias cultivadas no cotidiano. No caso de Roberto, por exemplo,
tornaram-se famosas manias como sair de um ambiente pela mesma porta
pela qual entrou, não usar nada de cor marrom, evitar palavras
de conotação negativa e jamais assinar documentos
na fase minguante da Lua. "As manias estavam me incomodando", ele
admite. Aos 63 anos, Roberto dá outros sinais de mudança.
Parece aceitar com mais serenidade a morte de sua última
mulher, Maria Rita. Pela primeira vez, depois de trinta anos, concordou
em fazer um show ao vivo e não gravado para
o especial de fim de ano da Rede Globo. Além disso, prepara
a reedição completa de sua obra em cinco caixas de
CDs. Na entrevista a seguir, ele conta como estão se dando
essas transformações.
QUANDO VOCÊ SOUBE QUE SOFRIA DE TRANSTORNO
OBSESSIVO-COMPULSIVO, DISTÚRBIO CONHECIDO PELA SIGLA TOC?
Há quase cinco anos. A princípio, pensei que
pudesse me curar sozinho. Tentei fazê-lo com a ajuda de um
livro que fala do assunto. Mas logo vi que o transtorno obsessivo-compulsivo
é algo muito mais sério do que em geral se imagina.
QUE SINTOMAS LEVARAM AO DIAGNÓSTICO?
Minhas manias e superstições. Todo mundo tem
algumas maniazinhas, como sentar no mesmo banco quando vai à
igreja, por exemplo, e não fica chateado quando o banco está
ocupado. Mas minhas manias estavam me incomodando. Já consegui
me livrar de algumas delas. Também confundia alguns sintomas
do TOC com superstições. Hoje, vejo que não
sou tão supersticioso assim. Minhas superstições
até que são bastante comuns, muita gente também
as tem.
O QUE O FEZ PROCURAR TRATAMENTO?
Fiquei sabendo do caso grave de TOC de Luciana Vendramini.
Depois disso, cheguei a conversar com ela sobre o assunto. Já
sentia vontade de fazer tratamento e fiquei animado com o que ouvi
dela. Resolvi que era hora de procurar a cura. Há quatro
meses estou fazendo terapia cognitiva-comportamental. Submeto-me
a sessões de uma hora, duas vezes por semana. A autocura
é possível, mas é muito difícil. Bom
mesmo é ter um terapeuta cuidando de cada aspecto do transtorno.
Hoje já existem muitos terapeutas especializados em TOC.
É um distúrbio que atinge, em diferentes níveis,
3% da população brasileira.
VOCÊ TOMA REMÉDIOS PARA COMBATER
O TOC?
Não. No meu caso, em que não há sintomas
graves, como ficar horas parado no mesmo lugar, não me foram
receitados remédios. A cura pode demorar um pouquinho mais
sem eles, mas é possível. Estou me curando apenas
através da conversa com a terapeuta. A cura depende muito
da vontade do paciente. Tem de ter coragem, disposição,
empenho.
QUAL A REAÇÃO DAS PESSOAS
QUANDO SABEM QUE VOCÊ SOFRE DE TOC?
É incrível, mas o TOC às vezes é
tratado até como uma coisa engraçada. Há quem
diga "Pára com isso, rapaz. Que bobagem!". No filme Melhor
É Impossível, em que o personagem de Jack Nicholson
sofre de TOC, o transtorno também é mostrado de forma
meio cômica. Mas não é nada disso. O TOC é
uma coisa muito séria, que perturba muito. Quem o tem deve
procurar um terapeuta o mais rápido possível.
POR QUE VOCÊ DEMOROU PARA PROCURAR
UM TERAPEUTA?
Gostaria de tê-lo feito antes. Teria sido bom para mim.
Mas, de qualquer maneira, sinto que estou melhor a cada dia que
passa. Estou um pouco mais solto.
ESSE ESTADO DE ESPÍRITO PARECE SE
REFLETIR EM SEUS SHOWS, QUE ESTÃO MAIS ALEGRES. ISSO É
RESULTADO DO TRATAMENTO?
Pra Sempre é um show romântico com mais
ritmo que o anterior, é mais dinâmico, com músicas
que eu não cantava havia algum tempo, mas isso não
é resultado das minhas mudanças. Faz parte da minha
proposta de variar de um show para outro. Sempre falando de amor
na sua forma eterna, como diz a canção que dá
título ao espetáculo.
VOCÊ CONSIDERA QUE ESTÁ COM
AS FORÇAS RENOVADAS PARA SEGUIR NA CARREIRA?
Renovadas não é o termo correto. Na verdade,
todos os dias eu uso de muita força para seguir meu caminho,
e cuido da minha carreira com muito empenho, cuidado e atenção.
TEM COMPOSTO NOVAS MÚSICAS?
Lancei novas canções no CD Pra Sempre
e, agora, continuo compondo. Até já liguei para o
Erasmo Carlos e combinei de trabalharmos juntos para o próximo
CD.
É VERDADE QUE VOCÊ ESTA NAMORANDO
MARIA DE FÁTIMA BARBOSA, SECRETÁRIA DO EX-PRESIDENTE
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO NO PALÁCIO DO PLANALTO E HOJE BRAÇO-DIREITO
DO GOVERNADOR DE MINAS GERAIS, AÉCIO NEVES?
É um exagero o que inventam de boatos a meu respeito.
Vi a Maria de Fátima três vezes no período de
um ano, nos camarins de meus shows, sempre cercada por grupos de
amigos que costumo receber depois dos espetáculos. E de repente
vejo esses boatos circulando. Não tem nada a ver.
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