Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

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Tecnologia
Para mim, uma ninfa esvoaçante

Empresa japonesa lança máquina
que promete programar os sonhos


Mariane Gusan

Não se pode dizer que essa é de fazer Sigmund Freud se revirar na tumba porque o pai da psicanálise não acreditava em tais superstições. Mas é de assustar todos os seus filhos simbólicos – os psicanalisados planeta afora –, confrontados agora com a possibilidade de nunca mais ter sonhos para discutir no divã. Pelo menos, os sonhos do tipo janela para a alma, daqueles que terapeutas dissecam para expor o íntimo do íntimo de cada um. Tudo culpa da Yumemi Kobo, ou Máquina dos Sonhos, novíssima geringonça japonesa que, à maneira da telinha com sons usada para dormir por Elroy, o filho mais novo do seriado Os Jetsons, promete dar ao sonhador o roteiro que ele encomendar. O procedimento é simples. Primeiro, o usuário escolhe um tema, uma situação, um personagem, um local. Depois, baixa na máquina uma fotografia digital relacionada e se concentra nela por algum tempo, ainda acordado. Durante o sono, a maquininha cor-de-rosa, com pouco mais de 30 centímetros de altura e jeitão de liquidificador, reproduz músicas e frases também pré-programadas pelo usuário. Ao mesmo tempo, libera fragrâncias suaves e pisca levemente luzes coloridas – recursos que não têm uma função muito clara no processo. Oito horas depois, acorda o sonhador lenta e calmamente, com aumento gradual do volume da música e da intensidade das luzes. Isso, segundo a fabricante Takara, permite que ele se lembre quase perfeitamente do que sonhou. Testes realizados pela Takara apontam um índice de desempenho satisfatório de 22% – sendo "satisfatória" a lembrança de um personagem ou um fato pré-escolhido, e não necessariamente do roteiro inteiro. A Yumemi Kobo custa o equivalente a 140 dólares (400 reais) e por enquanto só está disponível em Tóquio, onde foi lançada há três meses. Seu destino provável é causar comentários curiosos e depois se juntar a outras invenções estapafúrdias no Japão, um celeiro de máquinas perfeitamente dispensáveis (e também de muitas indispensáveis). De lá saíram, por exemplo, um "tradutor" de latidos e miados, um sensor acionado por gestos que, instalado em banheiros, imita o barulho de água para disfarçar outros sons e ainda robôs animais variados – cachorro, gato, peixe. Definitivamente, um país de sonhadores.

 
Divulgação
A Yumemi Kobo em ação: foto, frases, música e, por via das dúvidas, um pouco de perfume e luzes

 
 
 
 
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