Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

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Medicina
Outra má notícia
para os gordinhos

Dois estudos mostram que a obesidade
pode comprometer a fertilidade
de
homens e mulheres


Giuliana Bergamo

 
Christie's

Casal Dançando, do pintor e escultor colombiano Fernando Botero: o problema é depois da dança


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É mais do que sabido que a obesidade está associada ao surgimento de diversas doenças – apnéia, diabetes, hipertensão, colesterol alto e vários tipos de câncer, entre outras. Agora os médicos estão chegando a outra conclusão igualmente negativa sobre o excesso de peso: a de que homens e mulheres obesos apresentam mais dificuldade para ter filhos do que quem está dentro dos padrões saudáveis de peso. Uma estreita relação entre obesidade e infertilidade foi traçada por dois estudos apresentados no último Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, na Filadélfia, nos Estados Unidos. Num dos trabalhos, conduzido por médicos dinamarqueses e publicado na mais recente edição da revista científica Fertility and Sterility (Fertilidade e Esterilidade), demonstrou-se que os quilos em excesso comprometem a produção de espermatozóides. No outro, elaborado por especialistas americanos, mostrou-se que a qualidade dos óvulos das mulheres obesas é baixa e que elas têm mais dificuldade para engravidar do que as magras mesmo quando submetidas a técnicas de reprodução assistida.

A pesquisa dinamarquesa contou com a participação de quase 1.600 homens. Constatou-se que quem tinha índice de massa corporal (IMC) acima do considerado saudável (veja quadro) produzia uma quantidade de espermatozóides menor do que a esperada, o que prejudica a qualidade do sêmen. Chama atenção a faixa etária dos participantes do estudo: 19 anos, em média. "Nessa idade, é muito raro um homem apresentar problemas na produção de espermatozóides", diz o médico Eduardo Motta, diretor do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva, em São Paulo. "O trabalho dos pesquisadores dinamarqueses mostra que a obesidade exerce mesmo uma grande influência na fertilidade masculina." O outro estudo, feito por americanos, é um dos maiores já realizados sobre a relação entre o excesso de peso e a capacidade reprodutiva feminina. Quase 6.000 mulheres foram acompanhadas. Todas elas haviam sido submetidas à fertilização in vitro. Entre as que apresentavam altos índices de massa corporal, a probabilidade de a fertilização resultar em gravidez era até 30% menor do que no universo das pacientes com peso dentro dos limites.

A explicação para a infertilidade decorrente dos quilos a mais está no desequilíbrio hormonal provocado pelo acúmulo de tecido adiposo no organismo. Uma das substâncias responsáveis pelo funcionamento das gônadas masculinas (os testículos) e das femininas (os ovários) é a enzima aromatase. Como ela é produzida nas células de gordura, quanto mais gorda a pessoa for, maior será a quantidade de aromatase sintetizada pelo seu organismo. Em excesso, essa enzima altera o equilíbrio dos hormônios que comandam a produção de espermatozóides e óvulos. Ou seja, pense nos níveis de sua aromatase quando estiver à frente daquele montão de calorias suculentas. Tudo pelos filhos.

 

 

 
 
 
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