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Medicina
Outra má notícia
para os gordinhos
Dois
estudos mostram que a obesidade
pode comprometer a fertilidade de
homens e mulheres

Giuliana Bergamo
Christie's
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Casal
Dançando, do
pintor e escultor colombiano Fernando Botero: o problema
é depois da dança
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É
mais do que sabido que a obesidade está associada ao surgimento
de diversas doenças apnéia, diabetes, hipertensão,
colesterol alto e vários tipos de câncer, entre outras.
Agora os médicos estão chegando a outra conclusão
igualmente negativa sobre o excesso de peso: a de que homens e mulheres
obesos apresentam mais dificuldade para ter filhos do que quem está
dentro dos padrões saudáveis de peso. Uma estreita
relação entre obesidade e infertilidade foi traçada
por dois estudos apresentados no último Congresso da Sociedade
Americana de Medicina Reprodutiva, na Filadélfia, nos Estados
Unidos. Num dos trabalhos, conduzido por médicos dinamarqueses
e publicado na mais recente edição da revista científica
Fertility and Sterility (Fertilidade e Esterilidade),
demonstrou-se que os quilos em excesso comprometem a produção
de espermatozóides. No outro, elaborado por especialistas
americanos, mostrou-se que a qualidade dos óvulos das mulheres
obesas é baixa e que elas têm mais dificuldade para
engravidar do que as magras mesmo quando submetidas a técnicas
de reprodução assistida.
A pesquisa
dinamarquesa contou com a participação de quase 1.600
homens. Constatou-se que quem tinha índice de massa corporal
(IMC) acima do considerado saudável (veja quadro) produzia
uma quantidade de espermatozóides menor do que a esperada,
o que prejudica a qualidade do sêmen. Chama atenção
a faixa etária dos participantes do estudo: 19 anos, em média.
"Nessa idade, é muito raro um homem apresentar problemas
na produção de espermatozóides", diz o médico
Eduardo Motta, diretor do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva,
em São Paulo. "O trabalho dos pesquisadores dinamarqueses
mostra que a obesidade exerce mesmo uma grande influência
na fertilidade masculina." O outro estudo, feito por americanos,
é um dos maiores já realizados sobre a relação
entre o excesso de peso e a capacidade reprodutiva feminina. Quase
6.000 mulheres foram acompanhadas. Todas elas haviam sido submetidas
à fertilização in vitro. Entre as que apresentavam
altos índices de massa corporal, a probabilidade de a fertilização
resultar em gravidez era até 30% menor do que no universo
das pacientes com peso dentro dos limites.
A explicação
para a infertilidade decorrente dos quilos a mais está no
desequilíbrio hormonal provocado pelo acúmulo de tecido
adiposo no organismo. Uma das substâncias responsáveis
pelo funcionamento das gônadas masculinas (os testículos)
e das femininas (os ovários) é a enzima aromatase.
Como ela é produzida nas células de gordura, quanto
mais gorda a pessoa for, maior será a quantidade de aromatase
sintetizada pelo seu organismo. Em excesso, essa enzima altera o
equilíbrio dos hormônios que comandam a produção
de espermatozóides e óvulos. Ou seja, pense nos níveis
de sua aromatase quando estiver à frente daquele montão
de calorias suculentas. Tudo pelos filhos.
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