Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

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Donos de imóveis valiosos usam a internet
para fazer intercâmbio de luxo nas férias


Bia Baldim


Divulgação
Casa anunciada no site HomeLink: à sua disposição

EXCLUSIVO ON-LINE
Fotos das casas

Annalisa Rossi, mulher do prefeito da pequena cidade italiana de Oderzo, perto de Veneza, não gasta nada para se hospedar em mansões luxuosas. No ano passado, ficou em um casarão de estilo colonial na Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais. Annalisa, que já fez quarenta viagens nesse sistema, é uma entre os 16.000 filiados ao HomeLink.org, um site usado por endinheirados para trocar de endereço nos períodos de férias. "Numa viagem assim conhecemos os vizinhos, os objetos, a comida e o modo de vida da família que nos empresta a casa", ela conta. Para tirar proveito desse tipo de negócio é preciso ter uma casa do mesmo padrão do imóvel que se pretende usar e aceitar cedê-la a outros participantes para utilização temporária.


Página do HomeExchange.com: um dos maiores do ramo

Segundo estatística de outro site, o HomeExchange.com, acontecem por ano 250.000 trocas desse gênero no mundo. Um terço desse público tem renda superior a 100.000 dólares por ano. Metade fez curso de pós-graduação, e a maioria está acima dos 40 anos. "Temos em nosso cadastro casas de atores, produtores e escritores famosos", afirma Ed Kushins, presidente do HomeExchange. A professora de inglês Sandra Faria, dona de uma casa em Florianópolis, cadastrou-se em três sites do gênero e já recebeu ofertas da Holanda, Itália, França, Estados Unidos e África do Sul, mas seu objetivo é passar pelo menos dois meses estudando na Inglaterra. "Quero um apartamento em Londres", diz. Outro usuário brasileiro, um operador do mercado financeiro, trocou a casa de praia, no Litoral Norte de São Paulo, por mansões no Caribe e no Canadá. Em fevereiro, ele e a família vão para Aspen, no Colorado.

Nos três principais sites do gênero, o participante paga uma taxa anual entre 50 e 200 dólares, pode acessar todo o banco de dados e fazer quantas viagens conseguir. A partir do interesse inicial de uma das partes, negocia-se por e-mail ou telefone. Na maioria dos casos, a troca é simultânea. A prática do intercâmbio, que surgiu há mais de cinqüenta anos na Europa, entre professores universitários, tornou-se intensa com a popularização da internet. "Antes trabalhávamos com catálogos impressos", diz o canadense Jack Graber, diretor da HomeLink International. Há mansões com barcos no píer e jacuzzi no quintal, mas também é possível encontrar, em Nova York ou Paris, apartamentos pequenos e aconchegantes – mas nada baratos.

 
 
 
 
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