Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

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Turismo
Invasão chinesa

Turistas da China ultrapassam
japoneses em viagens ao exterior


AFP
Chineses posam em frente à Torre Eiffel: visitantes


As lojas de Paris andam lotadas de fregueses com traços orientais. A novidade é que não são turistas japoneses ou coreanos, que há décadas fazem parte da paisagem, mas chineses. No ano passado, o número desses viajantes ultrapassou o de japoneses no exterior. De acordo com a Organização Mundial do Turismo, foram 20 milhões de chineses, um aumento de 22% em relação a 2002. Se continuar nesse ritmo de crescimento, dentro de quinze anos a China será a quarta maior fonte de turistas internacionais. Fora da Ásia, Paris é a cidade mais procurada por eles. É fácil identificar uma excursão de chineses na capital francesa. Eles falam alto, ficam impacientes com a demora nos restaurantes e reclamam veementemente da pouca fartura de comida.

Os japoneses são conhecidos por tirar fotos de tudo, sem parar. Já a atração preferida dos chineses é fazer compras, em especial de produtos de grife. Eles não podem voltar para casa sem um presente para cada um dos integrantes de sua extensa família e de sua rede de amigos. Gastam, em média, 2.500 dólares por viagem, mais do que os turistas ingleses e tanto quanto os alemães. Os bons lucros levam os funcionários das lojas e hotéis a relevar as diferenças culturais com os visitantes, que não são poucas. Algumas agências chegam a distribuir folhetos explicando aos turistas chineses que certos comportamentos normais em Pequim – como limpar os dentes, tirar o sapato ou cuspir em público – não são bem-vistos na Europa.

A onda repentina de turistas chineses deve-se à ascensão de uma nova classe média na esteira do crescimento da economia chinesa. São 65 milhões de pessoas, ansiosas por fazer tudo aquilo que é normal no mundo civilizado, como viajar para o exterior. O problema é que são limitados os países que os chineses podem visitar como turistas. Para a maioria dos lugares, eles precisam comprovar que a viagem é a trabalho. Além dos entraves burocráticos, um visto de negócios custa caro. Desde o ano passado, Pequim vem ampliando a lista dos países que seus cidadãos podem visitar como turistas. Há dois meses, o privilégio passou a incluir 29 nações européias, entre elas a França. Brasil, Argentina e Peru entram na lista neste mês. Atualmente, o Brasil recebe 15.000 visitantes chineses por ano. A esmagadora maioria deles vem a negócios. Será difícil para o país conquistar esse filão de turistas. Por dois motivos. Primeiro, porque os chineses, acostumados a décadas de confinamento em seu país, consideram viajar para o exterior uma oportunidade única na vida e preferem conhecer vários países de uma só vez. Nesse ponto, a Europa leva vantagem. Segundo, porque a atração preferida do turista chinês é fazer compras, em especial produtos de grife. Também nesse quesito os europeus saem ganhando.

 
 
 
 
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