|
|
Turismo Invasão
chinesa Turistas
da China ultrapassam japoneses em viagens ao exterior
AFP
 | | Chineses
posam em frente à
Torre Eiffel: visitantes |
As
lojas de Paris andam lotadas de fregueses com traços orientais. A novidade
é que não são turistas japoneses ou coreanos, que há
décadas fazem parte da paisagem, mas chineses. No ano passado, o número
desses viajantes ultrapassou o de japoneses no exterior. De acordo com a Organização
Mundial do Turismo, foram 20 milhões de chineses, um aumento de 22% em
relação a 2002. Se continuar nesse ritmo de crescimento, dentro
de quinze anos a China será a quarta maior fonte de turistas internacionais.
Fora da Ásia, Paris é a cidade mais procurada por eles. É
fácil identificar uma excursão de chineses na capital francesa.
Eles falam alto, ficam impacientes com a demora nos restaurantes e reclamam veementemente
da pouca fartura de comida.
Os japoneses são conhecidos por tirar fotos de tudo, sem parar. Já
a atração preferida dos chineses é fazer compras, em especial
de produtos de grife. Eles não podem voltar para casa sem um presente para
cada um dos integrantes de sua extensa família e de sua rede de amigos.
Gastam, em média, 2.500 dólares por viagem, mais do que os turistas
ingleses e tanto quanto os alemães. Os bons lucros levam os funcionários
das lojas e hotéis a relevar as diferenças culturais com os visitantes,
que não são poucas. Algumas agências chegam a distribuir folhetos
explicando aos turistas chineses que certos comportamentos normais em Pequim
como limpar os dentes, tirar o sapato ou cuspir em público não
são bem-vistos na Europa.
A onda repentina de turistas chineses deve-se à ascensão de uma
nova classe média na esteira do crescimento da economia chinesa. São
65 milhões de pessoas, ansiosas por fazer tudo aquilo que é normal
no mundo civilizado, como viajar para o exterior. O problema é que são
limitados os países que os chineses podem visitar como turistas. Para a
maioria dos lugares, eles precisam comprovar que a viagem é a trabalho.
Além dos entraves burocráticos, um visto de negócios custa
caro. Desde o ano passado, Pequim vem ampliando a lista dos países que
seus cidadãos podem visitar como turistas. Há dois meses, o privilégio
passou a incluir 29 nações européias, entre elas a França.
Brasil, Argentina e Peru entram na lista neste mês. Atualmente, o Brasil
recebe 15.000 visitantes chineses por ano. A esmagadora maioria deles vem a negócios.
Será difícil para o país conquistar esse filão de
turistas. Por dois motivos. Primeiro, porque os chineses, acostumados a décadas
de confinamento em seu país, consideram viajar para o exterior uma oportunidade
única na vida e preferem conhecer vários países de uma só
vez. Nesse ponto, a Europa leva vantagem. Segundo, porque a atração
preferida do turista chinês é fazer compras, em especial produtos
de grife. Também nesse quesito os europeus saem ganhando.
|