Edição 1878 . 3 de novembro de 2004

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Partidos
Unidos na economia
e separados no resto

VEJA ouviu vinte especialistas sobre as
semelhanças e as diferenças entre PT
e PSDB, os vencedores das eleições
municipais. Conclusão: as visões sobre
o papel do Estado divergem


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Diferenças
Quadro: Semelhanças

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) despontaram como os grandes vencedores das eleições municipais deste ano, independentemente do resultado nas cidades onde há segundo turno. As duas legendas foram as mais votadas no primeiro turno das eleições municipais, que podem ser consideradas uma prévia do embate presidencial de 2006. O PT saiu das urnas com 16,3 milhões de votos, mais de 500 000 à frente do PSDB, com 15,7 milhões. A nova realidade torna crucial ter clareza a respeito do que cada um dos partidos defende. Para traçar os pontos teóricos e práticos que separam os dois partidos – e também os que unem petistas e tucanos –, VEJA entrevistou vinte especialistas sobre trinta temas diferentes no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. José Genoíno, presidente do PT, e o senador Eduardo Azeredo, presidente em exercício do PSDB, foram ouvidos. O grande fator de divergência entre os dois partidos é a visão sobre o papel e as limitações do Estado. O PT acredita em um poder público com força e recursos para induzir o desenvolvimento econômico e reduzir injustiças sociais. O PSDB acredita que o Estado deve apenas regular e estimular o desenvolvimento do país. Isso fica claro no papel dado pelos dois governos às agências reguladoras. O PSDB as criou e deu a elas autonomia para fiscalizar setores como o de telecomunicações. Para o PT, as agências devem ser mais atreladas às diretrizes políticas do governo.

Para o bem e para o mal, as maiores convergências entre os dois partidos estão na área econômica. A carga tributária, que deu um salto durante os oito anos do governo do PSDB, continua a crescer nos quase dois anos do PT no Palácio do Planalto. O corte de gastos e o melhor gerenciamento da máquina continuam no plano das promessas. O mesmo vale para a redução da burocracia, um dos fatores que colocam o Brasil entre os piores em rankings internacionais sobre competitividade. Por outro lado, o PT manteve o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, que controla o endividamento público, e à independência de fato do Banco Central, o que dá credibilidade ao combate à inflação.


Eraldo Peres
Paulo Jares
Pesquisadora da Embrapa (alto, acima), órgão que foi obrigado a privilegiar a agricultura familiar. Biblioteca da UFRJ (acima): educação é uma das maiores divergências entre PSDB e PT. Rebelião na Febem de São Paulo (abaixo): o PSDB quer novas punições para adolescentes
Almeida Rocha/Folha Imagem



Roberto Castro/AE
Paulo Liebert/AE
Para o PT e o PSDB, a relação com o FMI é mais beijos do que tapas (alto, acima). Sede do TRT de São Paulo e fila nos hospitais (abaixo): PT e PSDB concordam sobre a reforma do Judiciário e a política de saúde
Antonio Milena

 

 
 
 
 
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