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Edição 2076

3 de setembro de 2008
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Marido e monstro

Léo, o pai de família violento de A Favorita, causa
asco no público. Acabará humilhado por uma lésbica


Marcelo Marthe

 

divulgação tv globo
CARA A BATER
Léo fustiga a mulher: o ator apanhou na rua

Numa cena que irá ao ar daqui a algum tempo na novela A Favorita, Léo – o marido machista e violento interpretado por Jackson Antunes – levará um fora de Stela (Paula Burlamaqui), a vizinha boazuda que ele vem azarando sem pudor diante dos filhos e da mulher, Catarina (Lilia Cabral). "Stela vai lhe dizer: ‘Eu gosto é da Catarina, não de você’", adianta o noveleiro João Emanuel Carneiro. O autor ainda não definiu no que vai dar essa investida lésbica ("Por enquanto, só consigo ver a Catarina como hétero"). Mas não deixa dúvida quanto ao destino do brutamontes: ele sofrerá uma punição severa. Léo é um personagem que causa asco no público. Ele trata a mulher como escrava e não perde a chance de humilhá-la. Ao flagrá-la dançando forró na casa do sogro (o dinossauro comunista Copola, interpretado por Tarcísio Meira), ordenou que a "vadia" voltasse para casa. Também não perdoou quando Catarina, cujo visual combina meião branco com chinelão, resolveu se arrumar um pouco: "Você, uma mulher bonita? Você bebeu?". O mais angustiante são as cenas em que Léo surra a mulher e os filhos: o menor perdeu a fala de tanto apanhar e a mais velha, a adolescente Mariana (Clarice Falcão), já levou um tabefe numa discussão. Na semana passada, depois de saber que a garota está grávida, a besta-fera proclamou: "A partir de hoje, não tenho mais filha".

Maridos violentos não são novidade nas novelas da Globo. Em Mulheres Apaixonadas (2003), de Manoel Carlos, o ator Dan Stulbach fazia um sujeito com pinta de galã e mente de psicopata que aplicava nada menos que raquetadas na mulher, vivida por Helena Ranaldi. Manoel Carlos usou o tema para uma das suas campanhas de "merchandising social", dando voz a entidades que denunciavam a violência contra a mulher. Embora não pretenda fazer esse tipo de militância, Carneiro também expõe o problema com contundência. Catarina é uma mulher que se nega a ver a realidade. Pode até ensaiar suas esperneadas, mas no fim abaixa a cabeça e volta para a "casinha", como diria Léo. Carneiro diz se inspirar nos dramas de duas ex-empregadas domésticas suas. "Uma delas contava que era empregada minha e do seu marido. A diferença é que, na minha casa, ela não apanhava", afirma.

Semanas atrás, Jackson Antunes pagou um preço por encarnar o monstro: um sujeito mais enfezado o agrediu e o ator sofreu uma trombose na perna esquerda. "Caí na gargalhada quando ele começou a me xingar, pois pensei que fosse uma pegadinha da turma do Pânico. E acabei levando um empurrão", diz. O mineiro de 48 anos tem outros tipos violentos no currículo – o matador Damião, de Renascer (1993), é um deles. Quando está "à paisana", curiosamente, Antunes é o antípoda disso, já que exibe um jeitão de caipira simpático (ele mora num sítio e adora plantas e bichos). Seu segredo é "se entregar loucamente", como diz, ao personagem. Para viver Léo, o ator engordou 14 quilos. "Não queria que as mulheres dissessem: ‘Quero apanhar desse caboclo gostoso’", ele explica. Consciência social é isso aí.



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