Edição 1818 . 3 de setembro de 2003

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Televisão
Ajuste de mira

Linha Direta exibe episódios educativos,
ajuda a prender bandidos e ganha
respeito na Globo


Ricardo Valladares


Fera de Macabu: reconstituição de um caso célebre do século XIX

O policial Linha Direta, exibido às quintas-feiras, já foi o patinho feio da programação da Globo. Na própria cúpula da emissora há quem o ache de mau gosto, e ele já esteve prestes a sair do ar algumas vezes. Mas sobreviveu – e está mais firme do que nunca. Sua audiência estabilizou-se nos 24 pontos de ibope, uma média boa. Além disso, o programa ganhou um vernizinho cultural e, quem diria, uma legião de defensores. O verniz veio na forma de episódios especiais, exibidos sob a grife Linha Direta Justiça, que tratam de crimes e julgamentos históricos. Já os defensores pertencem a entidades protetoras dos direitos humanos. Para eles, o programa presta um serviço de utilidade pública ao exibir, a cada edição, fotos de criminosos procurados pela polícia.

O Linha Direta Justiça vai ao ar uma vez por mês. Como o Linha Direta normal, é apresentado pelo repórter Domingos Meirelles e conta com recriações dramáticas de crimes e julgamentos. Sua intenção, contudo, é "educativa": ele pretende mostrar como crimes têm sido investigados, julgados e punidos no Brasil através da história. No primeiro episódio, em maio, tratou-se do caso Van-Lou, um assassinato que eletrizou o país em 1974. Depois foram abordados o seqüestro do menino Carlinhos, em 1973, e o da checa Dana Teffé, em 1961. Na quinta-feira passada, o programa retrocedeu mais no tempo e tratou do caso da Fera de Macabu – um fazendeiro rico que foi condenado ao enforcamento no século XIX, sob a acusação de ter matado oito pessoas.

"Nós temos caprichado muito nas reconstituições históricas, pois queremos atrair um público de classe A e B para o horário", diz um diretor da Globo. Parte desse público, contudo, já está cativada. No fim do ano passado, doze entidades empenhadas no combate à violência e à criminalidade mandaram um abaixo-assinado à Rede Globo, para protestar contra a notícia de que o Linha Direta poderia acabar. Nesta segunda-feira, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro deverá conferir à atração a Medalha Tiradentes, a maior comenda do Estado. Tudo isso pelo papel que o programa tem tido na captura de bandidos. Graças às fotos mostradas pelo Linha Direta, 266 foragidos já foram capturados pela polícia, segundo a contabilidade mais recente.

 
 
 
 
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