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Televisão
Ajuste
de mira
Linha
Direta exibe
episódios educativos,
ajuda a prender bandidos e ganha
respeito na Globo

Ricardo Valladares
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| Fera
de Macabu: reconstituição de um caso célebre do século XIX |
O policial
Linha Direta, exibido às quintas-feiras, já
foi o patinho feio da programação da Globo. Na própria
cúpula da emissora há quem o ache de mau gosto, e
ele já esteve prestes a sair do ar algumas vezes. Mas sobreviveu
e está mais firme do que nunca. Sua audiência
estabilizou-se nos 24 pontos de ibope, uma média boa. Além
disso, o programa ganhou um vernizinho cultural e, quem diria, uma
legião de defensores. O verniz veio na forma de episódios
especiais, exibidos sob a grife Linha Direta Justiça,
que tratam de crimes e julgamentos históricos. Já
os defensores pertencem a entidades protetoras dos direitos humanos.
Para eles, o programa presta um serviço de utilidade pública
ao exibir, a cada edição, fotos de criminosos procurados
pela polícia.
O
Linha Direta Justiça vai ao ar uma vez por mês.
Como o Linha Direta normal, é apresentado pelo repórter
Domingos Meirelles e conta com recriações dramáticas
de crimes e julgamentos. Sua intenção, contudo, é
"educativa": ele pretende mostrar como crimes têm sido investigados,
julgados e punidos no Brasil através da história.
No primeiro episódio, em maio, tratou-se do caso Van-Lou,
um assassinato que eletrizou o país em 1974. Depois foram
abordados o seqüestro do menino Carlinhos, em 1973, e o da
checa Dana Teffé, em 1961. Na quinta-feira passada, o programa
retrocedeu mais no tempo e tratou do caso da Fera de Macabu
um fazendeiro rico que foi condenado ao enforcamento no século
XIX, sob a acusação de ter matado oito pessoas.
"Nós
temos caprichado muito nas reconstituições históricas,
pois queremos atrair um público de classe A e B para o horário",
diz um diretor da Globo. Parte desse público, contudo, já
está cativada. No fim do ano passado, doze entidades empenhadas
no combate à violência e à criminalidade mandaram
um abaixo-assinado à Rede Globo, para protestar contra a
notícia de que o Linha Direta poderia acabar. Nesta
segunda-feira, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro
deverá conferir à atração a Medalha
Tiradentes, a maior comenda do Estado. Tudo isso pelo papel que
o programa tem tido na captura de bandidos. Graças às
fotos mostradas pelo Linha Direta, 266 foragidos já
foram capturados pela polícia, segundo a contabilidade mais
recente.
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