Edição 1818 . 3 de setembro de 2003

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Bem rodados

Os caminhoneiros de Carga Pesada
fazem sucesso como há vinte anos


Ricardo Valladares


Divulgação/Rede Globo
Bino e Pedro: o primeiro já tem um filho adulto e o segundo continua a chamegar

A série Carga Pesada, que vai ao ar toda terça-feira à noite, está cumprindo a mesma trajetória de A Grande Família. Ambas foram sucesso no passado e viram-se ressuscitadas para suprir, por um período limitado, lacunas na programação da Rede Globo. Só que o público gostou tanto de uma e de outra que a direção da emissora decidiu que elas teriam sobrevida. No caso de Carga Pesada, está previsto que o programa dure pelo menos até o ano que vem. O curioso é que os protagonistas são os da série original, que foi ao ar entre 1979 e 1981: os atores Stênio Garcia (Bino) e Antônio Fagundes (Pedro). Eles continuam viajando pelos cafundós do Brasil, enfrentando os mesmos perigos das estradas, mas agora na companhia de um terceiro caminhoneiro, Pedrinho, interpretado por Wagner Moura, que é filho de Bino. O novo personagem deverá ter mais espaço em alguns programas, porque Stênio Garcia está de licença. O ator sofreu uma cirurgia na semana passada, para eliminar um aneurisma na aorta abdominal. "Stênio deverá voltar a gravar dentro de um mês", diz o diretor Marcos Paulo.


Divulgação/Rede Globo
O caminhão-estúdio Proteus: gravações mais fáceis

Pedro e Bino, evidentemente, já não exibem aquele vigor de outrora. Mais de vinte anos depois, Bino tem as preocupações de um homem velho. Pedro, por sua vez, é capaz de se esquecer de pagar o seguro do caminhão. O que não mudou no personagem de Fagundes (e no próprio Fagundes, para sermos justos) é sua veia de sedutor. Nos primeiros episódios, ele mantinha um romance estável com uma caminhoneira viúva, Rosa, interpretada por Patrícia Pillar. Desde que a série voltou ao ar, há três semanas, Rosa sumiu, para que Pedro pudesse chamegar pela estrada afora. "Não queríamos que ele parecesse um mau-caráter que não respeita a namorada", diz Marcos Paulo. Fagundes está como pinto no lixo – para usar uma linguagem caminhoneira. Dos oito episódios deste segundo semestre, ele assinou o roteiro de três. Além disso, a estonteante atriz uruguaia Nadia Rowinsky, que trabalhou numa das aventuras recentes, sucumbiu ao charme do galã. Eles engataram um namoro na vida real.

A passagem do tempo fez bem ao figurino dos atores, que já não é tão brega quanto o de duas décadas atrás, e também tornou mais fácil a produção da série. Por exemplo, para gravar as cenas ao volante, antes os atores precisavam ficar de olho na pista, lembrar-se do texto e ainda segurar um refletor entre as pernas, enquanto um cinegrafista ia pendurado do lado de fora do caminhão. Agora, a produção conta com um equipamento chamado Proteus, um caminhão-estúdio montado em cima de um chassi de ônibus. Nele há duas cabines, a de verdade, onde fica um motorista, e a cenográfica, onde vão Stênio e Fagundes, cercados por câmeras bem posicionadas, que os filmam nos momentos em que estão conversando durante uma viagem. Eles só dirigem de verdade quando as tomadas são de fora para dentro da boléia. Carga Pesada é um programa muito apreciado no interior do Brasil, que se vê representado nele.

 
 
 
 
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