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Televisão
Bem
rodados
Os
caminhoneiros de Carga Pesada
fazem sucesso como há vinte anos

Ricardo Valladares
Divulgação/Rede Globo
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| Bino
e Pedro: o primeiro já tem um filho adulto e o segundo continua
a chamegar |
A série
Carga Pesada, que vai ao ar toda terça-feira à
noite, está cumprindo a mesma trajetória de A Grande
Família. Ambas foram sucesso no passado e viram-se ressuscitadas
para suprir, por um período limitado, lacunas na programação
da Rede Globo. Só que o público gostou tanto de uma
e de outra que a direção da emissora decidiu que elas
teriam sobrevida. No caso de Carga Pesada, está previsto
que o programa dure pelo menos até o ano que vem. O curioso
é que os protagonistas são os da série original,
que foi ao ar entre 1979 e 1981: os atores Stênio Garcia (Bino)
e Antônio Fagundes (Pedro). Eles continuam viajando pelos
cafundós do Brasil, enfrentando os mesmos perigos das estradas,
mas agora na companhia de um terceiro caminhoneiro, Pedrinho, interpretado
por Wagner Moura, que é filho de Bino. O novo personagem
deverá ter mais espaço em alguns programas, porque
Stênio Garcia está de licença. O ator sofreu
uma cirurgia na semana passada, para eliminar um aneurisma na aorta
abdominal. "Stênio deverá voltar a gravar dentro de
um mês", diz o diretor Marcos Paulo.
Divulgação/Rede Globo
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| O
caminhão-estúdio Proteus: gravações mais fáceis |
Pedro
e Bino, evidentemente, já não exibem aquele vigor
de outrora. Mais de vinte anos depois, Bino tem as preocupações
de um homem velho. Pedro, por sua vez, é capaz de se esquecer
de pagar o seguro do caminhão. O que não mudou no
personagem de Fagundes (e no próprio Fagundes, para sermos
justos) é sua veia de sedutor. Nos primeiros episódios,
ele mantinha um romance estável com uma caminhoneira viúva,
Rosa, interpretada por Patrícia Pillar. Desde que a série
voltou ao ar, há três semanas, Rosa sumiu, para que
Pedro pudesse chamegar pela estrada afora. "Não queríamos
que ele parecesse um mau-caráter que não respeita
a namorada", diz Marcos Paulo. Fagundes está como pinto no
lixo para usar uma linguagem caminhoneira. Dos oito episódios
deste segundo semestre, ele assinou o roteiro de três. Além
disso, a estonteante atriz uruguaia Nadia Rowinsky, que trabalhou
numa das aventuras recentes, sucumbiu ao charme do galã.
Eles engataram um namoro na vida real.
A
passagem do tempo fez bem ao figurino dos atores, que já
não é tão brega quanto o de duas décadas
atrás, e também tornou mais fácil a produção
da série. Por exemplo, para gravar as cenas ao volante, antes
os atores precisavam ficar de olho na pista, lembrar-se do texto
e ainda segurar um refletor entre as pernas, enquanto um cinegrafista
ia pendurado do lado de fora do caminhão. Agora, a produção
conta com um equipamento chamado Proteus, um caminhão-estúdio
montado em cima de um chassi de ônibus. Nele há duas
cabines, a de verdade, onde fica um motorista, e a cenográfica,
onde vão Stênio e Fagundes, cercados por câmeras
bem posicionadas, que os filmam nos momentos em que estão
conversando durante uma viagem. Eles só dirigem de verdade
quando as tomadas são de fora para dentro da boléia.
Carga Pesada é um programa muito apreciado no interior
do Brasil, que se vê representado nele.
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