Edição 1818 . 3 de setembro de 2003

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Moda
A intenção é brilhar

Ter dinheiro e adorar jóias –
assim se faz um bling-bling

 
Reuters
Divulgação Gap
Ronaldinho em Barcelona, Missy Elliott e Madonna na Gap: gosto para ele, atitude para elas

Em matéria de gosto, o que une o rapper-empresário de moda Puff Daddy ao jogador Ronaldinho Gaúcho? Ambos são adeptos do bling-bling, um estilo de viver, se vestir e, principalmente, se enfeitar em que o excesso é regra. Quem é do bling-bling gosta de aparecer, usa roupas de grife, freqüenta festas badaladas, tem carrões, barcos e jatinhos (assim mesmo, no plural) e não economiza nos adereços, cobrindo-se de brincos, correntes, pulseiras e anéis – daí o bling-bling, som de uma jóia batendo na outra. Tudo, de preferência, de ouro branco com diamantes, bem no gênero adotado sem disfarces, há anos, por Hebe Camargo, no Brasil, e Elton John, no mundo todo – praticamente a avó e o avô do bling-bling. "Às vezes me olho no espelho, vejo que preciso tirar alguma coisa e morro de tristeza", diz a apresentadora. O nome foi dado pelos rappers americanos, inventores da moda e mentores de sua transformação em, praticamente, uma questão de atitude. Daí para sua popularização – até onde pode ser popular uma moda caríssima – foi um pulo: na atual campanha da rede de lojas Gap, dos Estados Unidos, vestem-se de jeans e camiseta, porém reluzem em bling-bling, a rapper Missy Elliott (as jóias que ela usa são de sua própria coleção) e Madonna, que não costuma abusar do brilho mas adaptou-se.

O rei do bling, reverenciado por todos, é Sean Combs, ex-Puff Daddy, atual P. Diddy, que desde que era encrenqueiro e namorado de Jennifer Lopez já desfilava com casacos de pele, ternos risca de giz, ofuscantes diamantes nas orelhas e uma imensa cruz pendurada no peito (esta, por motivos puramente estéticos, um item obrigatório na indumentária bling-bling). Aliás, a própria Jennifer, empenhada nos últimos anos em se apresentar como moça fina, ainda recai muitas vezes no bling-bling do passado. No alto da lista de adeptos estão também, evidentemente, David e Victoria Beckham, ele sempre impecavelmente vestido (ela nem tanto) com grifes caras, de brincos, anéis, pulseiras e correntes com grandes pingentes. Jogadores de futebol são, ao lado dos rappers, os maiores divulgadores do bling-bling. O brasileiro Ronaldinho Gaúcho apresentou-se ao seu novo time, o Barcelona, de corrente de ouro branco no pescoço com um pingente com a letra R, brincão de ouro na orelha, pulseira e relógio dos grandes. "Adoro jóia. Sempre gostei de correntes", diz ele. "Jogador de futebol vive recebendo proposta para comprar ouro. Toda concentração tem alguém vendendo", entrega Diego, do Santos, que não dispensa cordão e pulseira em ocasiões sociais.

 
 
 
 
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