Edição 1818 . 3 de setembro de 2003

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Aventura
O resgate de 4 bilhões
de dólares

Explorador vai usar robôs para
retirar o ouro de destroços no
fundo do Mediterrâneo

 
Reprodução Revista Popular Mechanics
Sussex afunda em Gibraltar: carga de ouro e jóias

O ouro está a 750 metros de profundidade, perto do Estreito de Gibraltar, a passagem entre o Mediterrâneo e o Atlântico – ou, pelo menos, é o que pensa o americano Greg Stemm. Com a ajuda de um robô-sonar, o caçador de tesouros localizou os destroços de um grande navio e acredita que eles sejam do Sussex, embarcação inglesa que afundou em 1694 com uma carga de 3 milhões de libras esterlinas em moedas de ouro e outras 6 toneladas do metal precioso na forma de lingotes e jóias. O tesouro iria comprar o apoio do duque de Savóia na guerra contra a França. Como o navio sumiu no mar, o duque aliou-se aos franceses. No próximo mês, Stemm vasculhará os destroços com um segundo robô, equipado com câmeras e holofotes. Se a identidade da embarcação for confirmada, um terceiro robô entrará em cena. Dotado de braços mecânicos, vai recolher o tesouro submerso. Estima-se que a carga do Sussex possa ser vendida por 4 bilhões de dólares.

Dono de uma empresa de exploração de naufrágios chamada Odyssey, Stemm gastou duas décadas e mais de 4 milhões de dólares mapeando o relevo submarino da costa espanhola. A primeira providência depois de encontrar os destroços foi fechar um acordo com o governo inglês, para evitar que a coroa britânica reclame o que for retirado do mar. Ficou combinado que, se o valor das peças resgatadas não chegar a 45 milhões de dólares, Stemm fica com 80%. Entre 45 e 500 milhões sua cota será de 50%. Se ultrapassar 500 milhões de dólares, o aventureiro ficará com uma fatia de 40%. O Sussex não é a única aposta de Stemm. No mês passado, a Odyssey localizou um vapor que naufragou na costa dos Estados Unidos em 1865. Trata-se do Republic, que foi a pique com 20.000 moedas de ouro a bordo, avaliadas agora em 150 milhões de dólares. O dinheiro ia de Nova York para Nova Orleans e era destinado à reconstrução dos Estados do Sul depois da Guerra de Secessão americana.

Se recolher o tesouro do Sussex, Stemm baterá com folga a façanha de seu compatriota Mel Fisher, responsável pelo resgate do mais famoso tesouro submerso da história, o do Nuestra Señora de Atocha, em 1985. O galeão espanhol naufragado em 1622 foi localizado a 60 quilômetros da costa da Flórida. Nos destroços, a apenas 16 metros de profundidade, foram encontradas 47 toneladas de prata, 150.000 moedas e peças de ouro e centenas de pedras preciosas, tesouro estimado em 400 milhões de dólares. O governo do Estado da Flórida é dono de 25% e o restante pertence a Fisher e seus investidores. A grande diferença entre as duas expedições é tecnológica. Fisher contava apenas com mergulhadores e três deles morreram no resgate. O Sussex – se é realmente ele – está fundo demais para ser alcançado por mergulhadores. Não fossem os aparelhos robotizados, seu tesouro continuaria inacessível aos aventureiros.

 
 
 
 
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