|
|
Medicina
Pretinho básico
Chocolate
amargo faz bem para a
pressão e para o coração. É o que
dizem dois estudos

Paula Neiva
O chocolate
era considerado um delicioso atentado contra a saúde. Na
última década, contudo, a guloseima começou
a ser alforriada pela ciência. Estudos realizados em vários
centros de pesquisa mostram que o consumo moderado do doce pode
fazer bem à saúde. Especialmente de chocolate amargo.
Um dos mais novos trabalhos sobre o assunto foi publicado na semana
passada no Journal of the American Medical Association, a
revista da Associação Médica Americana. Segundo
pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, duas
barras pequenas de chocolate amargo por dia podem abaixar a pressão
arterial de pessoas vítimas de hipertensão
e diminuir, assim, os riscos de infartos e derrames. Os participantes
do estudo tinham entre 55 e 64 anos, não recebiam tratamento
medicamentoso para a pressão alta e foram acompanhados ao
longo de duas semanas pelos médicos alemães. Ao término
desse período, registrou-se uma queda de 5 pontos na pressão
máxima, a sistólica, e de quase 2 pontos na mínima,
a diastólica.
As
evidências de que o chocolate amargo é um poderoso
aliado do coração foram reforçadas pela divulgação,
também na semana passada, de outro estudo este publicado
na revista Nature e conduzido por pesquisadores da Universidade
de Glasgow, na Escócia, e do Instituto de Pesquisa em Alimentos
e Nutrição da Itália. O consumo de chocolate
amargo por homens e mulheres saudáveis, com idade entre 25
e 35 anos, aumentou em até 20% a quantidade de substâncias
antioxidantes circulantes no organismo. Esses compostos previnem
danos às artérias coronárias (veja
quadro).
Os
dois grupos de pesquisadores compararam os benefícios do
chocolate amargo com os efeitos do branco e do ao leite. Nenhum
deles é páreo para o amargo. Isso porque só
o amargo tem uma grande concentração de cacau. É
no cacau que estão as substâncias que protegem o coração.
Em média, o amargo tem o triplo de antioxidantes que o ao
leite. Ele é rico em flavonóides e polifenóis,
compostos presentes na uva vermelha e responsáveis por, na
década de 80, alçar o vinho tinto à condição
de aliado da saúde cardíaca.
Apesar
das boas notícias em relação ao chocolate amargo,
que ninguém pense em se empanturrar dele. "Tanto o chocolate
ao leite quanto o amargo são ricos em açúcar
e gorduras saturadas, o que contribui para o aumento do peso e dos
níveis de colesterol", diz a nutricionista Cristina Menna
Barreto, de São Paulo. Quer dizer, até duas barras
pequenas por dia é aceitável. Nem tudo é perfeito.
|