Edição 1818 . 3 de setembro de 2003

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Medicina
Pretinho básico

Chocolate amargo faz bem para a
pressão e para o coração. É o que
dizem dois estudos


Paula Neiva


Especial VEJA Saúde

O chocolate era considerado um delicioso atentado contra a saúde. Na última década, contudo, a guloseima começou a ser alforriada pela ciência. Estudos realizados em vários centros de pesquisa mostram que o consumo moderado do doce pode fazer bem à saúde. Especialmente de chocolate amargo. Um dos mais novos trabalhos sobre o assunto foi publicado na semana passada no Journal of the American Medical Association, a revista da Associação Médica Americana. Segundo pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, duas barras pequenas de chocolate amargo por dia podem abaixar a pressão arterial de pessoas vítimas de hipertensão – e diminuir, assim, os riscos de infartos e derrames. Os participantes do estudo tinham entre 55 e 64 anos, não recebiam tratamento medicamentoso para a pressão alta e foram acompanhados ao longo de duas semanas pelos médicos alemães. Ao término desse período, registrou-se uma queda de 5 pontos na pressão máxima, a sistólica, e de quase 2 pontos na mínima, a diastólica.

As evidências de que o chocolate amargo é um poderoso aliado do coração foram reforçadas pela divulgação, também na semana passada, de outro estudo – este publicado na revista Nature e conduzido por pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, e do Instituto de Pesquisa em Alimentos e Nutrição da Itália. O consumo de chocolate amargo por homens e mulheres saudáveis, com idade entre 25 e 35 anos, aumentou em até 20% a quantidade de substâncias antioxidantes circulantes no organismo. Esses compostos previnem danos às artérias coronárias (veja quadro).

Os dois grupos de pesquisadores compararam os benefícios do chocolate amargo com os efeitos do branco e do ao leite. Nenhum deles é páreo para o amargo. Isso porque só o amargo tem uma grande concentração de cacau. É no cacau que estão as substâncias que protegem o coração. Em média, o amargo tem o triplo de antioxidantes que o ao leite. Ele é rico em flavonóides e polifenóis, compostos presentes na uva vermelha e responsáveis por, na década de 80, alçar o vinho tinto à condição de aliado da saúde cardíaca.

Apesar das boas notícias em relação ao chocolate amargo, que ninguém pense em se empanturrar dele. "Tanto o chocolate ao leite quanto o amargo são ricos em açúcar e gorduras saturadas, o que contribui para o aumento do peso e dos níveis de colesterol", diz a nutricionista Cristina Menna Barreto, de São Paulo. Quer dizer, até duas barras pequenas por dia é aceitável. Nem tudo é perfeito.



 
 
 
 
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