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Saúde
Minha
proteína é
melhor que a sua
A
Dieta de South Beach, versão amena
do regime de Atkins, é o livro mais vendido
nos EUA há quatro meses
Na
primeira linha do capítulo 2 de seu livro de dietas, o cardiologista
americano Arthur Agatston declara: "Não sou um médico
de dieta". Imaginem se fosse. Lançado em abril, The South
Beach Diet A Dieta de South Beach, em português,
assim chamado porque o autor mora em Miami e South Beach é
o bairro que evoca moda, riqueza e sucesso pulou quase que
imediatamente para o primeiro lugar na lista dos títulos
de auto-ajuda mais vendidos do jornal The New York Times
e lá permanece há sólidos quatro meses. Deve
ficar muito mais ainda, agora que o regime do doutor Agatston deu
o primeiro passo na direção da mesa-de-cabeceira das
celebridades: a revista New York entreouviu o ex-presidente
Bill Clinton atribuindo sua atual boa forma, e a de sua mulher,
Hillary, à dieta de South Beach. Apesar de todo o seu sucesso,
baseado em parte na propaganda boca a boca de ex-obesos e em parte
em um muito bem- sucedido
plano de marketing, o regime de Agatston não traz nenhuma
fórmula nova ou mirabolante. Ele é, basicamente, uma
adaptação, mais amena, da dieta rica em proteínas
e escassa em carboidratos preconizada pelo mais famoso dos médicos
do gênero, Robert Atkins, de longe o maior freqüentador
de listas de best-sellers dos Estados Unidos: só nos primeiros
seis meses deste ano, ele esteve 21 semanas na dos livros de auto-ajuda
de capa dura e 26 na dos livros de bolso. A diferença entre
os cardiologistas Atkins (morto em abril, aos 72 anos, ao cair e
bater a cabeça na calçada congelada por uma nevasca)
e Agatston, 56 anos, é que o médico de Miami tem uma
visão mais eclética (veja quadro ao lado) da
guerra da picanha contra o pão de fôrma. No front das
proteínas, diz, há gorduras boas e gorduras ruins.
Igualmente, há mocinhos e bandidos entre os carboidratos.
Emagrecerá com saúde quem souber identificá-los.
O
próprio Agatston concorda que os dois programas são
parecidos. "Conheci Atkins e sei que era sincero", declarou em uma
entrevista. "Mas meu livro trata do que há de mais moderno
na ciência e vai além do dele." A primeira fase dos
dois regimes é parecidíssima: ambos propõem
um período de duas semanas em que carboidratos, frutas inclusive,
não são permitidos. Gordura pode, porque com ela vem
proteína, mas, enquanto Atkins preconiza o consumo à
vontade de bacon e carnes gordurosas, Agatston recomenda comer carnes
mais magras e frango sem pele, com moderação, empanturrar-se
de peixes como salmão e atum e dar sempre preferência
às gorduras monoinsaturadas, como a do azeite de oliva, a
das castanhas e a dos amendoins. Garante, em catorze dias, perda
de 3,5 a 6 quilos. Na fase dois, introduz mais frutas do que Atkins
e, rompendo o princípio mais básico do manual atkiniano,
autoriza alguns carboidratos (com muita moderação):
pão ("trigo integral é melhor que pão sírio,
que é melhor que pumpernickel, que é melhor
que centeio, que é melhor que pão branco", ensina
Agatston), cereal matinal e macarrão feitos com grãos
integrais, arroz também integral, pipoca e batata-doce. Chocólatra
assumido, permite (pouco) chocolate amargo e meio-amargo, ou sorvete,
ou merengue "mas você terá de escolher uma dessas
indulgências. Não pode querer todas, o tempo todo".
Ao contrário da abstinência pregada por Atkins, na
dieta de South Beach vinho, a essa altura, pode ser tomado na medida
do bom senso. A perda de peso, segundo Agatston, será de
meio a 1 quilo por semana, e a fase dura até a pessoa chegar
ao peso desejado. Resumindo: é a dieta de Atkins temperada
aqui e ali com concessões aos alertas para o efeito das gorduras
saturadas (como a da picanha, bacon e manteiga) e da ausência
de fibras no bom funcionamento do organismo.
Em
boa forma com 1,70 metro e 74 quilos, Agatston conta que foi a primeira
cobaia para sua dieta, organizada em meados dos anos 90, quando,
muito descontente, viu sua cintura crescer e a barriga aumentar.
Passou a receitá-la a seus pacientes e começou a dar
entrevistas a TVs e rádios locais até chegar a um
agente, que montou um projeto de livro pelo qual várias editoras
se interessaram. Ganhou a Rodale, especializada em saúde,
que primeiro publicou um trecho de The South Beach Diet
em sua própria revista, Prevention (13 milhões
de leitores), e depois fez propaganda da nova dieta por mala-direta
a 5 milhões de clientes. Resultado: a tiragem inicial de
50.000 exemplares esgotou-se em semanas
e o livro está na oitava edição. A editora
já planeja um volume só de receitas, outro contendo
um guia de compras dos ingredientes "legais" como define
Agatston e ainda uma edição em espanhol. Planos
de uma linha de produtos são mencionados, mas Agatston, que
continua clinicando diariamente, jura que não quer nada disso.
Seu projeto agora, diz, é escrever sobre medicina preventiva,
exercícios (por sinal, ausentes do primeiro livro) e hábitos
saudáveis.
| Adeptos
da comida zero |
Maurício Nahas
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Nem carne gordurosa, nem carne magra, nem pão branco,
nem pão preto tem muita gente nos Estados
Unidos apelando para a mais radical das dietas para emagrecer:
aquela em que a pessoa simplesmente não come. Natalia
Rose, consultora de nutrição de Nova York,
ganha dinheiro com isso. Ela organiza concorridos fins
de semana só para mulheres em que o cardápio
é jejuar. Para distrair, muita massagem, muitos
tratamentos estéticos e, ponto alto da jornada,
uma longa visita à Barneys, loja com vários
andares lotados de grifes badaladas. "Criamos um guarda-roupa
completo", explicou Natalia ao The New York Times,
que acaba de dedicar uma ampla reportagem aos adeptos
do jejum estético. Comprar não é
obrigatório. "Elas focam a atenção
em Narciso Rodriguez (o estilista cubano-americano),
em vez de ficar pensando no que estão pondo no
estômago." Um regime típico dessa turma dura
no mínimo quatro dias, chegando a um mês
no caso dos mais empenhados. No período, consumirão
sucos de fruta e de vegetais, chás de ervas, sopas
batidas e laxantes. Quem deseja orientação
e acompanhamento médico paga caro para jejuar.
No We Care Spa, da Califórnia, freqüentado
por Liv Tyler e Ben Affleck, lotado até outubro,
uma semana sem comer custa mais de 3 000 dólares.
Dietas à base de sucos e sopas também são
comuns em spas brasileiros, onde a média de tolerância
fica entre uma semana e dez dias. "Apesar de abranger
todos os nutrientes necessários, essa dieta é
meio enjoativa", reconhece o médico Alexandre Ferrari
da Cunha, do Spa Sete Voltas, de São Paulo. Seu
colega Carlos Alberto Moraes, da Lapinha Clínica
Naturista, do Paraná, ensina um truque: "O suco
deve ser tomado de colherada. Assim, a pessoa tem insalivação
e deglutição lentas, fazendo o cérebro
perceber a sensação de saciedade". Bom apetite.
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