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Beleza
As
mais vaidosas do mundo
Uma
pesquisa confirma: não há
mulheres tão preocupadas com
a aparência quanto as brasileiras

Anna
Paula Buchalla
Fotos Rafael Campos e Renato Chaui
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| As
modelos Gisele Bündchen e Ana Hickmann e a atriz Camila
Pitanga (da esq. para a dir.): com beldades assim, a
auto-estima geral só podia ser grande |
Quando
o assunto é vaidade, ninguém é páreo
para as brasileiras. Elas são as que mais se preocupam em
manter o corpo alinhado e a fisionomia jovial e se desvelam para
aprimorar o que a natureza lhes deu (e que o tempo, aos poucos,
se encarrega de roubar-lhes). Em nenhum lugar, a cirurgia plástica
é encarada com tanta naturalidade quanto no Brasil
nem nos Estados Unidos, país que, em números absolutos,
lidera o ranking das intervenções estéticas.
O cuidado das brasileiras com a aparência está quantificado
numa pesquisa com 21.000 mulheres, de 24 países, concluída
recentemente. A sondagem foi encomendada pela Avon, uma das maiores
multinacionais na área de cosméticos, e serve para
auxiliar a companhia a traçar suas estratégias nos
quatro cantos do mundo. Muitos dos resultados dessa grande pesquisa
são surpreendentes. Engana-se, por exemplo, quem pensa que
as brasileiras se arrumam e se perfumam para agradar a seus companheiros
ou causar inveja a suas rivais. A esmagadora maioria se embeleza
principalmente para si própria. Apenas 19% das brasileiras
se enfeitam para os outros. Para efeito de comparação,
esse índice chega a 30% entre as italianas. Confiantes, elas
não titubeiam em afirmar que as mulheres mais sexy do mundo
são... as brasileiras. Ou seja, além de vaidosas,
revelam-se também muito convencidas. Tanta auto-estima é
compreensível em se tratando de um país que tem Gisele
Bündchen, Ana Hickmann, Camila Pitanga, Aline Moraes e outras
beldades que fazem babar os marmanjos de todas as latitudes.
Claudia Martins
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| Loja
de perfumes e cosméticos no Rio de Janeiro: preços
mais baixos |
Um
intelectual teria provavelmente duas explicações para
tamanha vaidade uma de ordem sociológica e outra de
ordem geográfica. A sensualidade seria um dos traços
formativos do povo brasileiro, como analisa à exaustão
o pernambucano Gilberto Freyre no clássico Casa-Grande
& Senzala. E não há como ser sensual sem ser
(ou parecer) bonito. Nas mulheres, naturalmente, a característica
se acentuaria ainda mais. Essa é a explicação
sociológica. A outra, geográfica, é que o Brasil
é um país de clima predominantemente tropical, o que
leva as pessoas a usar menos roupa. O que vaidade tem a ver com
as calças (ou a falta delas, para ser mais exato)? Bem, desse
ponto de vista, que recende ao mais inequívoco determinismo,
corpos mais à mostra são diretamente proporcionais
à preocupação em esconder imperfeições
que o espelho insiste em refletir. E as mulheres, naturalmente...
Nenhuma
das explicações o convence? Se é assim, vamos
à justificativa mais chã. Para usar aquela frase que
ficou famosa na boca do ex-presidente americano Bill Clinton, "é
a economia, estúpido". A vaidade exibida atualmente pelas
brasileiras tem fortes raízes na expansão que, apesar
de todos os contratempos, o Brasil experimentou nos últimos
anos. A entrada de cosméticos importados no mercado nacional
no início dos anos 90, a melhora na qualidade dos produtos
nacionais e a estabilização da moeda ajudaram a impulsionar
a indústria da beleza no país. "Tudo isso contribuiu
para que houvesse uma explosão de consumo", diz Marcos Rothenberg,
presidente da Associação dos Distribuidores e Importadores
de Perfumes e Cosméticos. Explosão, aqui, não
é uma simples imagem. Hoje, o Brasil já é o
quinto maior mercado consumidor de cosméticos do mundo. Nos
últimos seis anos, o crescimento do setor foi de 75%, sete
vezes mais do que o registrado pela economia brasileira no mesmo
período. Com o aperfeiçoamento da tecnologia de fabricação
de cosméticos e o aumento dos canais de distribuição
(especialmente o das vendas porta a porta), o preço desses
produtos caiu drasticamente 48%, nos últimos seis
anos. Há dez anos, quando foi lançado pela Avon, um
potinho do anti-rugas Renew custava um salário mínimo.
Hoje, ele sai por um quarto do mínimo. O barateamento dos
cosméticos e sua maior diversificação são,
sem dúvida, um outro incentivo a que a vaidade desabroche.
Rafael Campos
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| A
atriz Aline Moraes, de 21 anos: a juventude idealizada |
O crescimento da indústria cosmética começou
a se desenhar cerca de vinte anos atrás, quando as mulheres
fincaram de vez sua bandeira no mercado de trabalho. Com dinheiro
próprio para gastar, elas começaram a investir mais
nos cuidados com a beleza. Não só para massagear o
ego, como também para atender a uma exigência do moderno
mundo dos negócios, no qual a boa aparência conta muito.
Segundo a pesquisa da Avon, no Brasil, para 90% das mulheres os
cosméticos são uma necessidade, e não um luxo.
Nos Estados Unidos, elas somam 67%. E na Europa Ocidental, 73%,
em média. Imagem, enfim, é tudo para elas. Quase 90%
das brasileiras entrevistadas disseram que a aparência é
importante para definir o que são.
Com
reportagem de Paula Neiva
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