|
|
Senado
Seis
por meia dúzia
Sai
um ministro investigado e outro,
também sob suspeita, se candidata

Maurício Lima
Dida Sampaio/AE
 |
| Luiz
Otávio: desvio de dinheiro público e indicação
ao TCU |
Atenção,
candidatos a um belo emprego público: na semana passada, o ministro
Iram Saraiva, do Tribunal de Contas da União, anunciou sua aposentadoria.
Abriu com isso uma vaga semivitalícia, com salário de 13.000 reais,
carro e motorista à disposição, passaporte para solenidades e festas
de Brasília, três meses de férias por ano e possibilidade de inúmeras
viagens ao exterior com tudo pago. Atento, o senador paraense Luiz
Otávio, do PMDB, foi o primeiro a se candidatar ao raro e cobiçado
emprego, que exige dos interessados como pré-requisito apenas ter
mais de 35 anos, notório saber (em qualquer coisa), experiência de
dez anos em alguma profissão e, claro, reputação ilibada. O senador
teve o nome aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos por 20 votos
contra 1. Só não foi unanimidade porque o senador Eduardo Suplicy
achou que seu colega atendia a apenas três das quatro exigências:
tem 49 anos de idade, foi político quase a vida toda e possui indiscutível
sabedoria. Já a reputação... Luiz Otávio é acusado pelo desvio de
13 milhões de reais de um empréstimo do BNDES. Foi denunciado pelo
Ministério Público e responde a processo no Supremo Tribunal Federal
por falsidade ideológica e crime contra o sistema financeiro. Há dois
anos enfrentou uma investigação no Conselho de Ética do Senado, que
chegou a pedir a cassação de seu mandato. Apesar disso, ele foi o
primeiro candidato da fila e tem tudo para garantir o empregão.
José Paulo Lacerda/AE
 |
| Iram
Saraiva: negócios atípicos e aposentadoria |
O Tribunal
de Contas da União é responsável por zelar pela correta aplicação
dos recursos públicos. Dos nove ministros que integram a corte,
seis são indicados pelo Congresso. Luiz Otávio foi uma escolha do
PMDB, mas contou com o apoio de todos os partidos, inclusive do
PT, à exceção do senador Suplicy. Se seu nome for confirmado, ele
ainda vai encontrar a cadeira quente de Iram Saraiva, que se aposentou.
O fato de auditores decidirem examinar as contas do ministro pode
ter apressado sua aposentadoria. Eles encontraram indícios de uma
atividade atípica para quem tem o papel de fiscal do dinheiro público.
No período em que presidiu o TCU, Iram Saraiva contratou uma empreiteira
para executar obras de restauração no prédio do tribunal. A mesma
empreiteira, descobriu-se depois, construiu também o prédio da Faculdade
Sul Americana. A instituição pertence às filhas do ministro, e a
obra foi feita de graça. A conjugação dos fatos acima detonou um
processo de investigação das atividades de Saraiva. Ex-vereador,
deputado estadual, deputado federal e senador, Iram vai agora curtir
a vida como ex-ministro com proventos integrais. Luiz Otávio ainda
vai ter seu nome submetido ao plenário do Senado e depois ao da
Câmara. Preocupação? "Já expliquei aos senadores que não houve irregularidade
nenhuma. Além disso, a empresa acusada de desviar dinheiro era do
meu sogro. O problema é que vivo uma situação injusta. Até que se
prove minha inocência, o que não acontece porque a denúncia está
parada no Supremo, não posso ter mais cargo nenhum." Otávio é ex-vereador,
ex-deputado estadual e atual senador pelo PMDB. Deve conseguir o
almejado posto no TCU. Se não fosse o fato de Iram Saraiva, além
do PMDB, ter sido do PDT, as biografias seriam bem parecidas.
|