Edição 1818 . 3 de setembro de 2003

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Senado
Seis por meia dúzia

Sai um ministro investigado e outro,
também sob suspeita, se candidata


Maurício Lima


Dida Sampaio/AE
Luiz Otávio: desvio de dinheiro público e indicação ao TCU


Atenção, candidatos a um belo emprego público: na semana passada, o ministro Iram Saraiva, do Tribunal de Contas da União, anunciou sua aposentadoria. Abriu com isso uma vaga semivitalícia, com salário de 13.000 reais, carro e motorista à disposição, passaporte para solenidades e festas de Brasília, três meses de férias por ano e possibilidade de inúmeras viagens ao exterior com tudo pago. Atento, o senador paraense Luiz Otávio, do PMDB, foi o primeiro a se candidatar ao raro e cobiçado emprego, que exige dos interessados como pré-requisito apenas ter mais de 35 anos, notório saber (em qualquer coisa), experiência de dez anos em alguma profissão e, claro, reputação ilibada. O senador teve o nome aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos por 20 votos contra 1. Só não foi unanimidade porque o senador Eduardo Suplicy achou que seu colega atendia a apenas três das quatro exigências: tem 49 anos de idade, foi político quase a vida toda e possui indiscutível sabedoria. Já a reputação... Luiz Otávio é acusado pelo desvio de 13 milhões de reais de um empréstimo do BNDES. Foi denunciado pelo Ministério Público e responde a processo no Supremo Tribunal Federal por falsidade ideológica e crime contra o sistema financeiro. Há dois anos enfrentou uma investigação no Conselho de Ética do Senado, que chegou a pedir a cassação de seu mandato. Apesar disso, ele foi o primeiro candidato da fila e tem tudo para garantir o empregão.


José Paulo Lacerda/AE
Iram Saraiva: negócios atípicos e aposentadoria

O Tribunal de Contas da União é responsável por zelar pela correta aplicação dos recursos públicos. Dos nove ministros que integram a corte, seis são indicados pelo Congresso. Luiz Otávio foi uma escolha do PMDB, mas contou com o apoio de todos os partidos, inclusive do PT, à exceção do senador Suplicy. Se seu nome for confirmado, ele ainda vai encontrar a cadeira quente de Iram Saraiva, que se aposentou. O fato de auditores decidirem examinar as contas do ministro pode ter apressado sua aposentadoria. Eles encontraram indícios de uma atividade atípica para quem tem o papel de fiscal do dinheiro público. No período em que presidiu o TCU, Iram Saraiva contratou uma empreiteira para executar obras de restauração no prédio do tribunal. A mesma empreiteira, descobriu-se depois, construiu também o prédio da Faculdade Sul Americana. A instituição pertence às filhas do ministro, e a obra foi feita de graça. A conjugação dos fatos acima detonou um processo de investigação das atividades de Saraiva. Ex-vereador, deputado estadual, deputado federal e senador, Iram vai agora curtir a vida como ex-ministro com proventos integrais. Luiz Otávio ainda vai ter seu nome submetido ao plenário do Senado e depois ao da Câmara. Preocupação? "Já expliquei aos senadores que não houve irregularidade nenhuma. Além disso, a empresa acusada de desviar dinheiro era do meu sogro. O problema é que vivo uma situação injusta. Até que se prove minha inocência, o que não acontece porque a denúncia está parada no Supremo, não posso ter mais cargo nenhum." Otávio é ex-vereador, ex-deputado estadual e atual senador pelo PMDB. Deve conseguir o almejado posto no TCU. Se não fosse o fato de Iram Saraiva, além do PMDB, ter sido do PDT, as biografias seriam bem parecidas.

 
 
 
 
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