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Tales
Alvarenga Erro tático
"A
garrafa da crise está desarrolhada e
não é mais possível voltar a fechá-la.
O presidente Lula deve ser convidado a baixar a cabeça,
sim. Para ver melhor onde está pisando" O
presidente Lula faria bem a sua biografia e à tranqüilidade do país
se parasse de tentar fazer os brasileiros de bobos. É tão caricata
sua iniciativa de culpar a elite pela crise que enfrenta, são tão
patéticos seus discursos diante de sindicalistas, fingindo que tem o proletariado
a seu lado contra a burguesia, tudo isso é tão simplório,
tão anacrônico que quem está no papel de bobo é ele
mesmo Luiz Inácio Lula da Silva. Desorientado, Lula se encaminha
para um campo minado, olhando para cima, para as nuvens.
A tentativa de instigar os humores da massa sindicalizada contra os imaginários
venenos destilados pela elite reflete, em escala menor, as táticas aplicadas
na Venezuela por seu amigo, o coronel Hugo Chávez. Se existe alguma inspiração
desse tipo, ela não é nem um pouco aconselhável.
Só nos faltava essa. Depois da descoberta da quadrilha
mafiosa de petistas que assaltava o Estado para garantir sua permanência
no poder, isso debaixo das barbas e das vistas do presidente da República,
o Brasil tem de conviver com um Lula que recorre a truques que desonram sua inteligência
e seu senso de realidade. Diz Lula que a elite
brasileira quer fazê-lo baixar a cabeça e tenta dar-lhe lição
de moral. A elite brasileira tem dado provas de que fará o que estiver
a seu alcance para que o mandato do presidente não corra nenhum risco de
interrupção fora da data prevista para seu encerramento. A elite
é, neste momento, uma aliada do bom senso e, por isso, não quer
contribuir para alimentar a crise política que está aí
e uma potencial crise econômica, que poderá vir se as fronteiras
da razão ficarem sob ameaça de rompimento.
O assalto ao Estado não é uma exclusividade petista. Viu-se, nos
últimos dias, um desfile de denunciados que conta também com estrelas
do PSDB, do PFL e, principalmente, dos partidos menores que constituem a chamada
base de apoio do governo. Essa base, conforme o que já ficou claro na CPI
dos Correios, era comprada com o dinheiro desviado pelo PT dos cofres de empresas
públicas e particulares. Políticos de outros partidos também
receberam as "doações" realizadas por meio de empréstimos
ilícitos e pagamentos por serviços de publicidade com valores inflados.
No entanto, nessa fabulosa rapinagem, a maior já vista na história
do país, o PT é o principal ator. Ele é o responsável
pela existência do aparelho delinqüente.
A garrafa da crise está desarrolhada e não é mais possível
voltar a fechá-la. A pressão criada no interior da garrafa pela
fermentação da ganância, rivalidades, inveja de classe, fome
de poder, ódio, culpa e pânico parece destinada a expelir tudo o
que existe dentro dela, até a última gota. A análise do que
vier à tona é que se tornará decisiva. E, nesse ponto, a
interpretação até agora feita pela elite é muito cuidadosa
em relação ao papel do presidente Lula nas ocorrências investigadas
pela CPI. O presidente deve ser convidado a baixar a cabeça, sim. Para
ver melhor onde está pisando. |