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Guia Tratamentos
para dormir melhor Um novo medicamento, aprovado
nos EUA, promete tornar menos penosas as noites dos insones Na
semana passada, a agência americana que controla a venda de alimentos e
remédios, o FDA, deu o aval para a comercialização nos Estados
Unidos de um medicamento que promete acabar com um dos fantasmas que assombram
milhões de pessoas todas as noites. Trata-se de um produto que, segundo
os testes divulgados pelo fabricante e aceitos pelo FDA, não provoca dependência
nem está sujeito ao processo de tolerância, que leva o organismo
a se habituar a certas substâncias e a responder apenas a doses cada vez
maiores para reagir. O Rozerem, nome comercial do remédio, é o primeiro
cuja atuação se dá nos mesmos receptores cerebrais da melatonina,
o hormônio que regula o ciclo sono-vigília.
Medicamentos de gerações anteriores agem em um complexo do cérebro
conhecido como receptor GABA tipo A, que, ao ser quimicamente estimulado, atua
como uma espécie de chave que leva a pessoa a cair no sono. "O novo remédio
ataca outra frente com substâncias que simulam melhor os caminhos naturais
do organismo para o sono, com menor intensidade", diz o neurofisiologista Flávio
Alóe, do Centro de Estudos do Sono do Hospital das Clínicas de São
Paulo. Com isso, diminui a probabilidade de tolerância e dependência
ao medicamento tanto que nos EUA o Rozerem entra no mercado em setembro
sem a necessidade de prescrição controlada.
O surgimento de novos soníferos não significa que os antigos sejam
ruins ou obsoletos. Os tipos de insônia variam tanto quanto a maneira de
superá-los. Em determinados cenários clínicos, produtos anteriores
ainda são os mais indicados, sejam eles os benzodiazepínicos, caso
do Dormonid e do Rohypnol, sejam os da família zolpidem e zopiclone, cujos
representantes mais conhecidos são o Stilnox, o Lioram e o Imovane.
O uso de remédios para dormir é
uma saída aceitável em determinadas situações, mas
é importante lembrar que eles não atacam as causas da insônia,
como o stress e a depressão. Tomar certos cuidados antes da hora de dormir
pode ser mais efetivo a longo prazo. O quadro abaixo lista algumas ações
que podem contribuir para uma boa noite de sono.
CONSELHOS PARA UM REPOUSO TRANQÜILO
Ter
um horário para deitar-se e para acordar, mesmo nos fins de semana
Caso não se adormeça em meia hora, o melhor é levantar, ler
um livro ou ouvir música e só voltar para a cama com sono
Perto do horário de dormir, evitar o fumo e alimentos ou bebidas ricos
em cafeína, como chocolate, café, refrigerantes e chá preto
Fazer refeições leves à noite
Evitar
exercícios à noite relaxamento, alongamento e ioga são
exceções
Dormir sob temperaturas entre 22 e 24 graus Celsius vale usar o ar-condicionado
Tomar um banho quente duas horas antes de ir para a cama
Qualidade do sono, qualidade de vida
Enquanto dormimos, o corpo está
em plena atividade. Não é por acaso que passamos cerca de um terço
de nossa vida na cama. Várias funções essenciais ao bom funcionamento
do organismo são atribuídas ao sono. A principal é que ele
serve para recuperar parte da energia gasta durante o dia. Ele também ajuda
na ordenação e na fixação de informações
recebidas no período de vigília. "A ausência de um sono reparador
pode provocar sérios problemas de saúde", alerta a especialista
Lia Rita Bittencourt, do Instituto do Sono de São Paulo. Eis algumas das
principais descobertas científicas sobre o que acontece no corpo ao dormir:
O hormônio do crescimento é liberado com maior intensidade. Nos adultos,
ele atua na renovação de tecidos, sobretudo musculares, evitando
a flacidez e contribuindo para o vigor físico.
As células
adiposas liberam maior quantidade de leptina, hormônio que controla a sensação
de saciedade. Uma pesquisa da Universidade Columbia indicou que quem dorme mal
está mais propenso a engordar. "Outros estudos mostram que uma boa noite
de sono pode até emagrecer", diz Lia.
O corpo
se livra de alguns radicais livres, moléculas que podem causar envelhecimento
precoce e até tumores.
Cai a produção de cortisol, o hormônio liberado em situações
de stress.
Aumentam os níveis de prolactina, hormônio que age nas glândulas
mamárias estimulando seu crescimento e a produção de leite.
Aumenta a produção de insulina. Uma pesquisa da Universidade de
Chicago mostrou que a privação do sono levou jovens a apresentar
níveis do hormônio em quantidades semelhantes às de portadores
do diabetes.
O cérebro passa por uma regulação térmica, essencial
para o bom funcionamento da memória e do raciocínio.
Editado por Eduardo Burckhardt. Colaboraram
Helena Fruet, Paula Neiva e Roberta Abreu Lima |