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Consumo Invadiram
nossa praia Marcas nacionais pagam o
preço do sucesso: estão sendo pirateadas no exterior  Camila
Antunes
Na moda, uma das maneiras de aferir
o sucesso de um produto é, infelizmente, a pirataria. Há décadas,
grifes americanas, francesas, italianas e de outros países industrializados
têm seus lançamentos copiados ilegalmente mundo afora. O Brasil,
que faz poucos anos se tornou referência no design de roupas, sapatos e
acessórios, agora experimenta esse lado perverso do sucesso marcas
nacionais também passaram a ser pirateadas no exterior. A lista inclui
biquínis, calçados e calças jeans. Três meses atrás,
Antonio De Biasi, dono da marca de moda praia Salinas, descobriu que a loja de
departamentos americana Target vendia cópias de alguns de seus modelos.
Os produtos, fabricados na Indonésia, são como as bolsas Louis Vuitton
falsificadas. De longe, parecem iguais. De perto, dá para ver a diferença.
O biquíni original tem a alça listrada e um pingente na parte de
cima em forma de coração. O falso tem o tecido mais fino, a alça
lisa e o enfeite é uma borboleta. De Biasi deparou, ainda, com cópias
de outros biquínis de sua marca à venda na rede portuguesa Parfois.
A empresa gaúcha Grendene enfrentou problemas semelhantes nos Estados Unidos.
No ano passado, lançou o tênis de plástico Love Sister, inspirado
na moda dos anos 80, que mereceu referências elogiosas na revista americana
Time. Um mês depois de o Love Sister desembarcar nos Estados Unidos,
já estava sendo clonado por cinco fabricantes chineses e vendido por 20%
do preço. Em abril, a polícia
espanhola apreendeu 50.000 pares de sapatos falsificados na China com a marca
Via Uno, fabricada no Rio Grande do Sul. No ano passado, a AmBev descobriu que
o Guaraná Antarctica estava sendo falsificado e vendido na China. Reclamou
às autoridades e conseguiu barrar a fraude. A carioca Gang encontrou cópias
piratas de seus jeans justíssimos, o uniforme das popozudas, nos Estados
Unidos. Soube que alguns falsificadores eram brasileiros, recorreu à Justiça
e conseguiu fechar uma das fábricas piratas. A Salinas patenteia seus modelos
e estampas. Isso lhe permite processar as lojas que vendem cópias ilegais.
A Grendene também recorreu a expediente semelhante no caso do tênis
de plástico. "Gastamos 1 milhão de dólares com patentes e
advogados", diz Ângelo Daros, vice-presidente da empresa. A Alpargatas é
dona do produto brasileiro mais pirateado: as sandálias Havaianas. No ano
passado, exportou 13.000 pares. Estima que poderia ter vendido o dobro se o mercado
não tivesse sido tomado por sandálias piratas. Apesar do prejuízo,
não move nenhum processo judicial contra a concorrência malandra.
A Alpargatas prefere cobrir os prejuízos no mercado internacional mantendo
seu produto como um ícone do consumo de luxo. Nos Estados Unidos e na Europa,
as "legítimas" só são encontradas em lojas de renome, que
as vendem a preços salgados. Os consumidores estrangeiros pagam cerca de
20 dólares, o equivalente a 50 reais, por um par dessas sandálias
de dedos. |