Edição 1916 . 3 de agosto de 2005

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Consumo
Invadiram nossa praia

Marcas nacionais pagam o preço
do sucesso: estão sendo pirateadas
no exterior


Camila Antunes

Na moda, uma das maneiras de aferir o sucesso de um produto é, infelizmente, a pirataria. Há décadas, grifes americanas, francesas, italianas e de outros países industrializados têm seus lançamentos copiados ilegalmente mundo afora. O Brasil, que faz poucos anos se tornou referência no design de roupas, sapatos e acessórios, agora experimenta esse lado perverso do sucesso – marcas nacionais também passaram a ser pirateadas no exterior. A lista inclui biquínis, calçados e calças jeans. Três meses atrás, Antonio De Biasi, dono da marca de moda praia Salinas, descobriu que a loja de departamentos americana Target vendia cópias de alguns de seus modelos. Os produtos, fabricados na Indonésia, são como as bolsas Louis Vuitton falsificadas. De longe, parecem iguais. De perto, dá para ver a diferença. O biquíni original tem a alça listrada e um pingente na parte de cima em forma de coração. O falso tem o tecido mais fino, a alça lisa e o enfeite é uma borboleta. De Biasi deparou, ainda, com cópias de outros biquínis de sua marca à venda na rede portuguesa Parfois. A empresa gaúcha Grendene enfrentou problemas semelhantes nos Estados Unidos. No ano passado, lançou o tênis de plástico Love Sister, inspirado na moda dos anos 80, que mereceu referências elogiosas na revista americana Time. Um mês depois de o Love Sister desembarcar nos Estados Unidos, já estava sendo clonado por cinco fabricantes chineses e vendido por 20% do preço.

Em abril, a polícia espanhola apreendeu 50.000 pares de sapatos falsificados na China com a marca Via Uno, fabricada no Rio Grande do Sul. No ano passado, a AmBev descobriu que o Guaraná Antarctica estava sendo falsificado e vendido na China. Reclamou às autoridades e conseguiu barrar a fraude. A carioca Gang encontrou cópias piratas de seus jeans justíssimos, o uniforme das popozudas, nos Estados Unidos. Soube que alguns falsificadores eram brasileiros, recorreu à Justiça e conseguiu fechar uma das fábricas piratas. A Salinas patenteia seus modelos e estampas. Isso lhe permite processar as lojas que vendem cópias ilegais. A Grendene também recorreu a expediente semelhante no caso do tênis de plástico. "Gastamos 1 milhão de dólares com patentes e advogados", diz Ângelo Daros, vice-presidente da empresa. A Alpargatas é dona do produto brasileiro mais pirateado: as sandálias Havaianas. No ano passado, exportou 13.000 pares. Estima que poderia ter vendido o dobro se o mercado não tivesse sido tomado por sandálias piratas. Apesar do prejuízo, não move nenhum processo judicial contra a concorrência malandra. A Alpargatas prefere cobrir os prejuízos no mercado internacional mantendo seu produto como um ícone do consumo de luxo. Nos Estados Unidos e na Europa, as "legítimas" só são encontradas em lojas de renome, que as vendem a preços salgados. Os consumidores estrangeiros pagam cerca de 20 dólares, o equivalente a 50 reais, por um par dessas sandálias de dedos.

 

 

Fotos divulgação

A modelo veste o biquíni pirata. No quadro, o verdadeiro: quase igual. Quase

 
 
 
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