Edição 1916 . 3 de agosto de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Auto-retrato
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Estilo
O mestre do salto altíssimo

No mundo dos preciosos sapatos
de alto luxo, o nome agora é
o impronunciável Louboutin


Fotos divulgação
O Pesce, o Lady Rings e a estampa de oncinha: riqueza de detalhes e sola toda vermelha


EXCLUSIVO ON-LINE
Galeria de imagens

Antes que a maioria das mulheres comuns conseguisse decorar Manolo Blahnik, o peculiar nome que se transformou em sinônimo dos sapatos mais chiques do planeta, outro estilista, de nome mais complicado ainda, vai assumindo a posição de autor do salto agulha que toda consumidora louca por moda (e muito bem forrada de dinheiro) precisa ter. Christian Louboutin, 40 anos, mistura de francês com vietnamita, não é novato no ramo, mas agora chegou ao topo, segundo as caprichosas preferências do mercado de luxo. Tem duas marcas registradas: o salto altíssimo (na faixa dos 12 a 13 centímetros) e a sola pintada de vermelho-sangue. "É um detalhe supersexy e que só ele tem", encanta-se a apresentadora Luciana Gimenez, que possui três Louboutin (ou, simplificadamente, Lubutã).

Ex-aprendiz do mestre Charles Jourdan (com ele aperfeiçoou os mais ou menos 100 passos para a confecção de um salto agulha perfeito), Louboutin trabalhou para grandes grifes antes de se estabelecer por conta própria em Paris, em 1992. Um exemplar da sua primeira fornada foi direto para o acervo permanente do Instituto de Moda do Metropolitan Museum de Nova York. A segunda coleção, intitulada "Trash", não tinha nada de lixo, mas utilizava como decoração bilhetes de ônibus, tampas de latinha de cerveja e outras traquitanas do cotidiano. Mas é na esfera das festas, dos tapetes vermelhos, das ocasiões em que todo mundo comenta o que todo mundo usa que Louboutin se supera – como bem atestam freguesas fiéis como Caroline de Mônaco, Nicole Kidman e, surpresa, Sarah Jessica Parker. Na pele da personagem Carrie Bradshaw, da série Sex and the City, a atriz americana se tornou a maior propagandista de Manolo Blahnik, mas se casou na vida real usando um Louboutin – de sola azul, a cor exclusiva dos sapatos de noiva da marca.

"Para as mulheres, os sapatos são uma extensão de si mesmas", pontifica, todo lânguido, Louboutin, autor tanto de modelos completamente despojados, em que o destaque é a arquitetura perfeita, quanto de coisinhas recobertas de bordados, aplicações, estampas de onça. Seu modelo mais caro, o Lady Rings de camurça com cristais, custa 1.290 euros (3.800 reais). O Pesce, fazendo jus ao nome, desenha com recortes de couro uma exótica carpa. O preço médio fica em torno dos 500 euros (1.500 reais). Comparado a Blahnik, é tido como mais criativo, mais ousado e, estranhamente, mais confortável ("Detesto a palavra 'conforto'. Evito até pronunciá-la. Mas, no fim das contas, é importante", resigna-se). "Um Manolo tem a aura de sandália sexy; Louboutin brinca mais com a moda", compara Gabriela Freire, gerente de importados da loja Daslu, o único lugar onde as duas marcas são vendidas no Brasil.

 
 
 
 
topovoltar