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Moda Onde
está a roupa? Em geral, bem disfarçada
no meio dos cenários fantásticos dos editoriais

| | Angelina Jolie e Brad Pitt,
com os "filhinhos" (acima, à esq.), posam de família
feliz na W e, na Vogue, um show de plásticas, ataduras e
cicatrizes: situações da "vida real" para mostrar figurinos
de grife | Numa foto, a modelo se
contorce (falsamente) de dor ao ter as pálpebras costuradas; outra enfrenta
a mesa de lipoaspiração, com sangue (falso) e tudo. As roupas? Bem,
quem olhar atentamente verá que, sim, em meio à parafernália
hospitalar, aparecem vestidos, casacos e outros elementos costumeiros nesse tipo
de foto. Num momento em que a alta moda anda comportada, sem grandes arroubos
que comprometam a lenta recuperação comercial, nas publicações
especializadas de vanguarda, ao contrário, a criatividade anda a toda.
Inventar novidade em editoriais de moda como são chamados os conjuntos
de fotos usados para apresentar os últimos lançamentos é
praticamente uma obrigação das revistas do ramo, para atiçar
o público e não cair na monotonia. Quem não está acostumado
estranha os cenários bizarros, as poses esotéricas, as roupas combinadas
de maneira que ninguém jamais usa na vida real. Desbravar novos territórios
faz parte do negócio e, nessa busca, o fotógrafo americano Steven
Meisel, 51 anos e um catálogo recheado de trabalhos polêmicos, encontrou
recentemente um novo nicho: as fotos que imitam a vida real em momentos propositadamente
não glamourosos. O resultado pode ser engraçado, instigante ou até
assustador, dependendo do grau de flexibilidade do leitor. Mas uma coisa é
certa: nunca fotos de moda foram tão comentadas.
Abrigado na Vogue Italia, na qual assina trabalhos há vinte anos,
Meisel apresentou em janeiro setenta páginas de fotos inspiradas nos flagrantes
dos paparazzi de celebridades de Hollywood. Na edição de julho,
mais barulho ainda: 65 páginas mostram, dentro de um "hospital", modelos
sendo submetidas ao pré, ao pós e ao momento em si de cirurgias
plásticas simuladas e outros procedimentos estéticos. "Editoriais
de moda são feitos em função de anunciantes, que são
sempre os mesmos nas revistas mais conhecidas. Por isso, correm o risco de ficar
muito parecidos. Quem inova ganha credibilidade", diz o diretor de arte carioca
Giovanni Bianco, que contabiliza trabalhos na própria Vogue Italia e
em outras publicações do gênero.
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| Caroline com o próprio celular em "Hollywood": palpites nas
fotos | Imitar a vida real dá
um trabalho danado. O editorial "Hollywood style" foi fotografado em um estúdio
de Los Angeles que reproduzia uma rua da cidade, com modelos e gente comum (inclusive
uma grávida de verdade) imitando famosos em situações cotidianas:
indo ao supermercado, passeando com o cachorro ou até colocando o lixo
na rua. Incentivou-se um clima de descontração. "As fotos eram todas
bem rápidas. Tudo foi feito em dois dias. Em algumas eu apareço
com o meu próprio celular. E todo mundo dava palpite", conta a modelo brasileira
Caroline Trentini, uma graça, de calcinha de biquíni aparecendo
abusadamente sob a bermuda. Mais difícil
de convencer, apesar do impacto, foi o trabalho do fotógrafo Steven Klein
para a revista W retratando um casal ao estilo anos 60, com cinco filhinhos
loirinhos numa casa de subúrbio americano. Modelos: o casal da vida real
mais comentado atualmente no planeta, Brad Pitt e Angelina Jolie. "Não
quero fabricar uma vida de sonho, com Barbies que não existem mais", teoriza
Klein, como se ídolos do cinema fossem gente normal. "Procuramos fotógrafos
com capacidade de provocar", explica Nandini D'Souze, editora de moda da W.
"Mas os temas seguem a tendência da estação. Não fazemos
nada muito louco", diz. E as roupas? Descrições, grifes, lojas e
outras informações estão lá embora pouca gente
vá se preocupar com esses detalhes quando Brad e Angelina, belos como deuses,
brincam de família feliz. |