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Brasil
O PT de caso com a máfia
Delúbio Soares mantinha estreitas
ligações com integrantes de quadrilhas
que desviavam dinheiro público

Fábio Portela
Dida Sampaio/AE
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DRÁCULA DO PT
O ex-tesoureiro Delúbio Soares: pelo jeito,
valia tudo para arrecadar dinheiro |
Já se sabia que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares
havia montado um caixa dois para o seu partido com contribuições
ilegais e empréstimos bancários fajutos. Na semana
passada, VEJA descobriu que o polivalente esquema de Delúbio
arrecadou dinheiro também entre bandidos. Sim, bandidos.
O ex-tesoureiro do PT pode ter recebido dinheiro desviado do Orçamento
da União pela máfia dos vampiros, aquela que sugou
2 bilhões de reais dos recursos reservados pelo Ministério
da Saúde para a compra de produtos derivados do sangue. Seu
contato com os vampiros era feito pelo lobista Laerte Correa Junior,
um dos integrantes da máfia, que foi preso pela Polícia
Federal. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça
revelaram que Delúbio mantinha relações com
integrantes de mais uma quadrilha, a máfia do lixo. Ela era
composta de empreiteiras que faziam conchavos para fraudar licitações
municipais para a coleta e o tratamento de lixo.
A ligação da máfia do
lixo com Delúbio se fazia por intermédio de Rogério
Buratti, um antigo quadro petista. Buratti foi assessor do ex-ministro
José Dirceu e do ex-presidente da Câmara João
Paulo Cunha, ambos envolvidos nas denúncias do mensalão.
Sua relação mais estreita, no entanto, era com o ministro
da Fazenda, Antonio Palocci. Buratti foi o secretário de
Governo de Ribeirão Preto em 1993, quando Palocci era prefeito.
Acabou demitido depois que foi flagrado pedindo propina para um
empreiteiro. Fora do governo, foi contratado para presidir a empreiteira
Leão Leão, que passou a atuar na coleta e no tratamento
de lixo em diversas cidades no estado de São Paulo. De lá,
Buratti passou a comandar a distribuição de obras
entre as empreiteiras. As investigações conduzidas
pelo promotor Sebastião Sérgio da Silveira envolvem
também outros três diretores da Leão Leão.
São Fernando Fischer, Wilney Barquete, Marcelo Franzine e
Luiz Cláudio Leão, o dono da empresa.
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Fabiano Accorsi
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O TESOUREIRO E OS
VAMPIROS
O lobista Laerte Correa Junior, um dos
integrantes da máfia dos vampiros, arrecadou 1,5 milhão de reais
com empresas farmacêuticas para a campanha de Lula. Depois disso,
virou amigão de Delúbio e nas eleições de 2004 pagou fornecedores
do PT a pedido do ex-tesoureiro |
Nos grampos telefônicos, a turma ensina
como eram divididas as licitações do lixo no estado
de São Paulo e mostra relação próxima
com estrelas do petismo. Numa das gravações, um dos
diretores da Leão Leão conta que recebeu um telefonema
da secretária do ex-tesoureiro Delúbio para marcar
um encontro do petista com a diretoria da empreiteira. As investigações
foram ampliadas depois de alguns meses de escuta. Descobriu-se,
então, que os mesmos diretores telefonaram para funcionários
do governo federal. Num dos telefonemas, Wilney Barquete conta que
havia pedido ajuda do então deputado Paulo Bernardo, hoje
ministro do Planejamento, para resolver umas tais "pendências"
em Brasília. Procurado pela reportagem, o ministro negou
ter dado qualquer tipo de ajuda à empreiteira, mas admitiu
ter relações com Buratti. O empresário Buratti
também tinha contatos freqüentes com Valdemir Garreta,
o homem forte da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy.
Muito material ainda se encontra sob sigilo. Em especial, provas
de que a quadrilha se encontrava periodicamente com Delúbio.
A suspeita mais forte é a de que a máfia do lixo obtinha
favores do governo e repassava ao ex-tesoureiro do PT uma comissão.
"Apenas começamos a desenrolar o novelo das ligações
do esquema do ex-tesoureiro Delúbio com as empreiteiras",
explica o promotor Sebastião Sérgio da Silveira, que
cuida do caso.
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Marlene Bergamo/Folha
Imagem
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LIGAÇÕES DA TURMA
DO LIXO
A gravação das conversas telefônicas
da máfia do lixo revela que a quadrilha tinha entre seus interlocutores,
além de Delúbio, o então deputado Paulo Bernardo, atual ministro
do Planejamento |
Na semana passada, o delegado Benedito Antônio
Valencise, que lidera as investigações sobre a máfia
do lixo, avisou os promotores públicos envolvidos na investigação
que já tem elementos suficientes para convocar todos os envolvidos
para depor. Quase todos os depoentes devem ser indiciados por formação
de quadrilha, fraude em licitação, lavagem de dinheiro
e sonegação fiscal. O delegado também informou
ao Ministério Público que já há elementos
para estender as investigações a respeito da atuação
da Leão Leão ao Distrito Federal, aos municípios
de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao ampliar
as investigações, o Ministério Público
paulista deverá deparar com uma investigação
já em curso na esfera federal. O Conselho de Controle de
Atividades Financeiras (Coaf) incluiu Buratti entre as pessoas que
têm movimentação financeira incompatível
com seus rendimentos declarados. Ele tem renda declarada de 10.000
reais, mas movimentou mais de 1,5 milhão de reais em suas
contas bancárias entre 2003 e 2004.
O ex-tesoureiro Delúbio também
se aproximou da máfia dos vampiros, o grupo que dominava
as vendas de derivados do sangue para o Ministério da Saúde.
As relações começaram durante a campanha de
2002 de Luiz Inácio Lula da Silva para o Palácio do
Planalto. O primeiro contato de Delúbio com essa máfia
foi o lobista Laerte Correa Junior. A pedido do ex-tesoureiro, o
lobista montou uma operação de guerra junto aos laboratórios
farmacêuticos para conseguir doações para o
PT. Levantou 1,5 milhão de reais. A dinheirama garantiu-lhe
um interlocutor privilegiado no governo. Depois da posse de Lula,
Laerte e Delúbio continuaram a se encontrar. O que eles conversavam?
"Assuntos relativos ao relacionamento entre a indústria farmacêutica
e o governo", disse Laerte em depoimento à Justiça
Federal. Não era só isso. Na campanha municipal do
ano passado, Delúbio voltou a pedir socorro a Laerte. Disse-lhe
que estava com dificuldade para arranjar dinheiro para as campanhas
petistas. Pediu ao lobista que pagasse a alguns fornecedores e prestadores
de serviços contratados pelo PT. O favor de Laerte seria
recompensado no futuro. O lobista topou.
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A MÁFIA DO
LIXO NO PARAÍSO
Fernando Fischer, Wilney Barquete e Rogério
Buratti festejam os bons negócios. Grupo será indiciado nos
próximos dias, juntamente com o patrão, Luiz Cláudio Leão |
Na época em que fazia os pagamentos
a pedido de Delúbio, Laerte estava sendo investigado pela
Polícia Federal na Operação Vampiro. Por pouco
não foi flagrado executando um favor ao ex-tesoureiro do
PT. A polícia o prendeu em maio do ano passado em São
Paulo, horas antes de um encontro que teria para pagar um dos fornecedores
da campanha do petista José Machado, então candidato
à prefeitura de Piracicaba. Laerte foi liberado, porque enfrenta
sérios problemas de saúde. Conseguiu uma autorização
para tratar-se nos Estados Unidos. Machado perdeu a eleição,
mas foi agraciado com o cargo de superintendente da Agência
Nacional de Águas.
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