Edição 1916 . 3 de agosto de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Auto-retrato
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"O presidente está equivocado! Entre os 180 milhões de brasileiros, existe uma senhora com formação universitária, mãe e avó que pode lhe dar lição de moral e ética."
Marilia Fernandes da Silva Henrique
São José dos Campos, SP

Governo Lula

A assessoria de Comunicação Social do Ministério da Justiça foi procurada no fim da manhã de sexta-feira 22 de julho por VEJA para comentar a apuração dos supostos fatos que deram origem à matéria de capa da última edição da revista. Suas respostas foram encaminhadas no mesmo dia à reportagem. Como VEJA optou por não mencionar o conteúdo dos esclarecimentos fornecidos pelo Ministério da Justiça, principalmente com relação à matéria intitulada "A reação" (27 de julho), convém elucidar alguns pontos factuais: ao contrário do que afirma a matéria, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, não tomou conhecimento de nenhum episódio envolvendo suposta chantagem. Portanto, o ministro da Justiça não atuou para "acalmar" o empresário Marcos Valério, tampouco para emitir "sinais" a seu advogado. Como foi respondido à revista, já na sexta-feira 22 de julho, Márcio Thomaz Bastos não tinha estado e nem falado com o advogado Marcelo Leonardo nenhuma vez neste ano. Ao contrário do que informa a reportagem, após o encontro do ministro da Justiça com o advogado Arnaldo Malheiros Filho, os dois não "dizem que apenas jogavam conversa fora como dois velhos amigos". A matéria seguinte da mesma edição, intitulada "A farsa", esclarece que "na mesma quinta-feira, Malheiros encontrou-se com Thomaz Bastos em São Paulo. Falaram-se pessoalmente. Malheiros disse que Delúbio Soares queria prestar um novo depoimento. O ministro sugeriu que, para agilizar as investigações, o depoimento fosse prestado diretamente ao procurador Antonio Fernando de Souza". Essa versão apresentada pela revista é a correta. VEJA não perguntou ao Ministério da Justiça nada sobre a pauta da reunião ocorrida no Palácio do Planalto no dia 11 de julho, segunda-feira. No entanto, não se furtou em publicar ilações sobre o encontro. Ao contrário do que supõe a matéria, a chamada "tese jurídica" que "surgiu" no fim da semana retrasada não teve absolutamente a participação do ministro da Justiça. Ao governo federal interessa apenas a elucidação dos fatos. Márcio Thomaz Bastos advogou por mais de quarenta anos. Ao ser chamado pelo presidente Lula para assumir sua pasta, vendeu seu escritório de advocacia e entregou toda a administração de seus bens a uma instituição bancária. Dedica-se desde dezembro de 2002 apenas à vida pública. A atuação do ministro da Justiça no episódio, assim como em todo o seu trabalho à frente da pasta, visa apenas ao fortalecimento das instituições da República.
Léia Rabelo
Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Justiça
Brasília, DF

A matéria de capa sobre a chantagem do senhor Marcos Valério nos faz lembrar das palavras de Giovanni Falconi, juiz italiano morto em 1992 por mafiosos em Palermo, na Sicília: "Quando a delinqüência conquista o poder, o oficial confunde-se com o marginal ("A chantagem", 27 de julho).
Rodrigo Otávio da Silva
Dracena, SP

Está cada vez mais evidente o esquema armado pelas cabeças mais brilhantes do PT. Apesar de ter beneficiado somente "elites de camaradas", o "Valerioduto" foi um dos poucos, se não o único, programas de distribuição de renda que realmente funcionaram no governo Lula.
Ricardo Hin
Manaus, AM

Minha empregada é um dos 180 milhões de brasileiros e possui moral suficiente para dar lições de ética ao presidente. Eu possuo. Meu marido, ex-estrelinha-vermelha-no-peito, possui. Fora desse pequeno universo de pessoas, há milhares de brasileiros que podem, sim, dar lições de ética ao Lula. Porque ele não está acima da condição humana. Ele não é Deus. Ele não é vítima. Ele não é inocente ("Tempos sombrios", 27 de julho).
Erica Duguay
Recife, PE

Exemplar a postura de VEJA em relação ao esquema de corrupção que consome o Brasil. Diferentemente de outros periódicos, a revista desmascara com total imparcialidade a cúpula petista que tentou assumir o Brasil para fins próprios. Não poupou nem o senhor "Lulla", que até hoje faz de conta que essa crise não é com ele. Aliás, enoja a postura desse nobre cidadão que se diz presidente (embora não saiba governar) em bater no peito e afirmar que, dentre 180 milhões de brasileiros, não há alguém mais honesto e que possa discutir ética com ele. Qual será seu discurso na solenidade de posse de José Alencar?
Cristiano Dias
Anápolis, GO

Apesar das insistentes negativas do senhor Valério a respeito da reportagem de capa de VEJA, acredito piamente no teor da referida matéria. Assim como também deve ocorrer com a grande maioria de seus leitores, uma vez que foram pouquíssimas as vezes nas quais a revista me decepcionou. Por que uma revista do porte, da importância e da seriedade de VEJA iria publicar inverdades a respeito de tema tão sério e complexo da vida política de nosso país? Meus sinceros e efusivos parabéns à equipe de VEJA pelo coerente e minucioso trabalho que vem fazendo em relação à atual crise política.
Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP

No quadro "O outro lado do mensalão" ("Fábrica de fraudes", 27 de julho), VEJA cita que a prefeitura de Contagem teria realizado pagamentos que não geraram serviço algum (dois registros acima de 100.000 reais). Faltou dizer que essa movimentação diz respeito à administração de Ademir Lucas (PSDB), cuja conta publicitária era da SMPB, agência que fez a campanha à reeleição do prefeito. A prefeita Marília Campos (PT) não teve e não tem nenhum vínculo com a empresa de Marcos Valério. No início de julho, a pedido do Ministério Público, a prefeitura entregou cópia da documentação que registra a relação da SMPB com a administração tucana de 2001 a 2004.
Hamilton Reis
Secretário de Comunicação Social da prefeitura
Contagem, MG

O grupo Associados Minas faz pagamentos às agências de propaganda, inclusive SMPB e DNA, somente em três circunstâncias: comissão de publicidade veiculada, prêmio de produção e pagamento de comissão por venda antecipada de espaço publicitário. Em seus 78 anos, o jornal Estado de Minas jamais participou de uma campanha política e sua isenção é reconhecida pela inconteste liderança de mercado em toda sua existência, embora nunca tenha se furtado ao posicionamento crítico em favor da comunidade, do estado e do país.
Edison Zenóbio, diretor-geral, e Álvaro A. Teixeira da Costa, diretor executivo
Belo Horizonte, MG

Com relação à matéria "Quanto ele sabia" (20 de julho), gostaria de esclarecer o seguinte: 1) como já declarei anteriormente, nunca convidei nenhum parlamentar para ingressar no Partido Liberal em troca de proposta pecuniária; 2) no que diz respeito ao ingresso do deputado Enio Tático no Partido Liberal, em fevereiro de 2005, a troca de legenda partidária foi uma decisão espontânea do parlamentar, conforme ele mesmo declarou à revista VEJA e por motivos pessoais que não cabe a ninguém julgar.
Sandro Mabel
Líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados
Brasília, DF

 

Roberto Pompeu de Toledo

Está cada vez melhor a cobertura de VEJA dos escândalos na política brasileira. A redação das reportagens, os fatos desvendados, as ilustrações e as fotos, a entrevista oportuna com o cubano Raúl Rivero, os artigos primorosos de Tales Alvarenga, Lya Luft e Diogo Mainardi, tudo merece elogios. Já é de praxe a revista ser encerrada com chave de ouro por Roberto Pompeu de Toledo, mas nesta última edição ("Uma furtiva lágrima", Ensaio, 27 de julho), ele nos brindou com uma chave de diamante. Muito se fala dos escândalos, mas faltava alguém com o brilhantismo de Toledo para dissecar o plano de dominação em curso pela cúpula do PT. O ensaio de Toledo é magistral e expõe com pertinência a hipótese sobre as reais motivações que inspiravam o "capitão do time" José Dirceu, para quem a democracia é um meio, e não um fim.
Maria Suely Moreira
Belo Horizonte, MG

 

Raúl Rivero

Cuba não é um país em dificuldades. É um país destroçado. Por detrás do retrato vendido ao turista, há uma nação sofrida e plena de contradições. Em meio à beleza estonteante de todo o seu território, existe um país roto. Tudo está roto: telefones públicos, o serviço de abastecimento de água e luz, o sistema de transporte público, as companhias de aviação e até mesmo o que se pensa que Cuba possui de melhor: os sistemas de educação e de saúde. Rivero tem toda a razão: o povo cubano já sofreu em demasia. Seu futuro é absolutamente incerto e imprevisível (Amarelas, 27 de julho).
Maria das Graças Targino
Teresina, PI

É muito triste ver que em Cuba você é preso pelo simples fato de pensar diferente do regime. Como disse Raúl Rivero, muitos intelectuais de esquerda ainda não entenderam que a realidade da revolução tem sido um pesadelo para o povo. Tomara que agora as pessoas possam entender isso melhor, porque na Venezuela estamos sofrendo com o regime de Hugo Chávez. Esse modelo não é o caminho para um futuro de harmonia, prosperidade, liberdade e justiça.
Juan Carlos Paz
Arlington, Virgínia, EUA

 

Terrorismo

Moro em Londres há nove anos. E sou casada com um muçulmano, filho de iraquianos e a favor da guerra no Iraque. Infelizmente, a Inglaterra reagiu muito tarde, pois esses clérigos muçulmanos estão invocando o terror faz muitos anos na cara do governo.
Claudia Gregori
Londres, Inglaterra

 

Albert Einstein

Sinto-me privilegiada por ter acesso à reportagem especial "Einstein – 100 anos das teorias que mudaram nosso modo de ver o universo" (27 de julho). De modo muito característico, a revista homenageou Albert Einstein, relacionando suas idéias ao mundo moderno, e construiu uma imagem nova e envolvente do cientista. Parabéns pela inovação e obrigada por propiciar-me momentos agradáveis de leitura.
Mariane Manso Musso
Baependi, MG

Grande idéia de VEJA a reportagem sobre o imortal cientista Albert Einstein! A elite cultural, não só do Brasil, precisa manter viva a memória desse gênio. No momento em que se discute tanto a ética, também seria oportuno lembrar o lado místico de Einstein, suas idéias sobre Deus, o homem intuitivo, a ética e a moral, a admiração por Gandhi. Sugiro que consultem a obra do filósofo brasileiro Huberto Rohden, que conviveu com Einstein em Princeton: Einstein, o Enigma da Matemática. Rohden é outro brasileiro a ser lembrado. Sobre ele existe um site (http://memoriarohden.cjb.net).
Iris Helena Gomes
São Paulo, SP

 

Pressão arterial

VEJA contribui de forma importante para a educação em saúde no Brasil. De acordo com as IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, o monitoramento ambulatorial da pressão arterial (Mapa) ajuda a afastar a possibilidade de influência do observador e do ambiente hospitalar na medida da pressão arterial, como bem lembrado na reportagem. Cabe apenas ressaltar que, além das indicações já citadas na matéria, todas referentes à hipertensão, o Mapa pode ser usado ainda em casos de suspeita de hipotensão arterial sintomática, ou seja, naqueles casos em que os baixos níveis de pressão arterial causam sintomas nos pacientes ("A pressão em 24 horas", 27 de julho).
Doutor Marco Aurélio Nerosky
Brasília, DF

 

Cartas

Com referência à carta da leitora Hilda Fátima de Jesus Pena (Cartas, 27 de julho), cumpre informar que a Casa Ronald McDonald tem pulseiras institucionais de borracha tanto no tamanho padronizado para adultos quanto com diâmetro menor, para crianças ou pessoas que, como a leitora, "têm o pulso fino". Toda a renda obtida é utilizada pela Associação de Apoio à Criança com Neoplasia em projetos que beneficiam famílias economicamente desfavorecidas de crianças em tratamento para câncer.
Hugo Dart
Voluntário da Casa Ronald McDonald
Rio de Janeiro, RJ

 

Diogo Mainardi

Em minha opinião Mainardi está certíssimo ao dizer que Lula morreu (e não sabe), e terei o máximo prazer de carregar a alça esquerda de seu caixão. Sim, a simbólica alça esquerda burra, ignorante e retrógrada, mas altamente esperta e corrupta.
Sergio Augusto Fonseca
Rio Claro, SP

Sempre fiquei intrigado porque Mainardi sempre teceu críticas ao governo petista. Hoje vejo que ele tinha razão. Parabéns, Diogo Mainardi, pela sua lucidez. "Brasil, um país de todos." Todos os amigos do PT.
Ricardo Henrique Perpétuo
Governador Valadares, MG

 

André Petry

Li o artigo do colunista André Petry intitulado "Um escândalo, por favor" (27 de julho) e confesso que me senti um pouco ofendido. Sobre suas referências à Igreja Católica, entendo que nas instituições em geral há trigo e joio. Essa, aliás, é uma regra comum em todos os espaços da vida social. A igreja não pretende ser um "clube" reservado somente aos santos, mas um local para aqueles que buscam o aperfeiçoamento, e assim trigo e joio convivem desde os tempos de Cristo. Generalizar seria punir aqueles que, dentro da hierarquia católica, têm uma conduta firme e reproduzem o caráter cristão.
Luiz Eduardo de Souza Pinto
Montes Claros, MG

Excelente! O conteúdo é a mais pura e infeliz verdade. É impressionante como desde a nossa colonização os corruptores continuam desbravando ardilosamente nosso povo, não somente quanto à exploração de nossas riquezas como quanto à depravação de nossas índias pelos padres jesuítas.
Pastor Cláudio Teixeira da Silva
Araraquara, SP

 

Lya Luft

O Brasil fossilizou-se na sua mais profunda crise ética histórica, em que a palavra de ordem é corrupção. Quinhentos anos de quê? Será isso mesmo? Até quando? Para onde estamos indo com nossos filhos? Tudo isso parece mais a Escolhinha do Professor Raimundo ou o Casseta & Planeta; gargalhamos e nos disfarçamos na nossa covardia. Esperem só os próximos enredos do Carnaval 2006! Ridicularizaremos nossas esquizofrenias éticas e depois curtiremos a ressaca da mesmice (Ponto de vista, 27 de julho).
Edigar Leite, sociólogo
Arcoverde, PE  

Lya Luft traduziu, em poéticas palavras, todo o desapontamento, indignação e sentimento de desesperança que se apoderou de todos nós, brasileiros, diante da séria crise política em que vive nosso amado Brasil.
José Nivaldo de Oliveira

Anápolis, GO

 

Livros

O reconhecimento do sucesso de J.K. Rowling pelos livros da série Harry Potter é inevitável. Estamos vivendo uma época em que a leitura se tornou sinônimo de obrigação ou tarefa de casa para os adolescentes. É magnífica e estonteante a capacidade que os livros Harry Potter têm de prender a atenção e surpreender, tornando a leitura cada vez mais aprazível e conseqüentemente capturando em massa os jovens leitores e tornando-os assíduos da série ("Como num passe de mágica", 27 de julho).
Fernanda da Nóbrega Moura
Natal, RN

 

Criminosos

A revista VEJA mencionou na edição passada o nome de dois criminosos cujas ações monstruosas – ainda que de "calibres" diferentes – adquiriram proporções internacionais. Dois criminosos e um problema jurídico: ambos se beneficiam de dispositivos constitucionais em seu respectivo país. Enquanto o pequeno artigo sobre Fernandinho Beira-Mar perguntava em tese se realmente "Temos mesmo de ficar com ele?" (20 de julho), o Tribunal Constitucional Alemão (Bundesverfassungsgericht), no mesmo dia em que a revista chegava à casa dos assinantes (a minha revista semanal chega na quinta-feira, pois sou assinante em Bruxelas), colocava em liberdade o muçulmano com nacionalidade síria e alemã Mamoun Darkazanli, envolvido com a célula européia da Al Qaeda ("A nova geração do terror", 20 de julho, pág. 77). Seu pedido de extradição pela Espanha, fundado no argumento de que ele teria participado do atentado de 11 de março de 2004, foi negado pela Corte Constitucional Alemã, com base no disposto no art. 16, alínea 2, da Grundgesetz (Constituição Alemã), que proíbe a extradição de nacionais alemães, e o militante terrorista foi conseqüentemente posto em liberdade. Como bem lembrou VEJA, o artigo 5°, inciso LI, da Constituição brasileira igualmente proíbe a extradição de nacionais brasileiros.
Elaine Ramos da Silva
Bruxelas, Bélgica

 

Especial Tecnologia

Parabéns pela iniciativa da edição especial VEJA Tecnologia (julho de 2005). Mesmo empolgado, fico indignado. De que adianta ter tudo isso se apenas poucos podem pagar pelo serviço? De que adianta diversas operadoras de telefonia celular oferecendo aparelhos com descontos incríveis, serviços de localização, televisão, séries, músicas, se o difícil é manter o serviço? Ter uma habilitação de telefonia fixa é muito barato e acessível, mas pagar taxas de assinatura, que beiram os 40 reais, é inadmissível. Comprar é fácil, manter é outra história!
Elber Aparecido Araújo de Nantes
Guarulhos, SP

 

CORREÇÕES: A juíza Denise Frossard é deputada federal pelo PPS do Rio de Janeiro, e não senadora pelo PSDB (Veja essa, 27 de julho). O artista americano Bruce Nauman nasceu em 1941, e não em 1386 (Veja Recomenda, 27 de julho). O cineasta Fernando Meirelles é paulistano, e não carioca (Gente, 20 de julho).

 

 

BRASIL: TURISMO EM ALTA


O quadro "Brasil: fora do eixo do turismo", publicado na última edição de VEJA, está incorreto. Ele afirma que a receita do país com o turismo internacional ficara abaixo da média mundial em 2004. O texto tomou como base dados fornecidos por Rok Klancnik, chefe de comunicação da Organização Mundial do Turismo. Na semana passada, Klancnik enviou uma carta a VEJA corrigindo seu erro. Na verdade, a receita do Brasil com o turismo internacional foi das que mais cresceram.



ESCLARECIMENTO DO GOVERNO DE MINAS

O governo do estado de Minas enviou à redação de VEJA documentos que desmentem a informação contida no quadro "O outro lado do mensalão" (27 de julho), sobre pagamentos feitos a empresas de Marcos Valério sem a contrapartida de serviços prestados. Além dos documentos, o governo mineiro mandou a seguinte carta: "Sobre os vinte lançamentos enviados à Secom pela revista VEJA em 25 de julho, posteriormente à publicação (na edição 1 915) da matéria intitulada "O outro lado do mensalão", assinada por Rachel Faria, a Subsecretaria de Comunicação Social da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais informa que todos os serviços foram efetivamente prestados e devidamente pagos aos respectivos fornecedores, obedecendo às regras e legislação vigentes no âmbito do estado. A Subsecretaria de Comunicação Social, subordinada à Secretaria de Governo, tem nos seus arquivos as notas fiscais dos serviços contratados e as confirmações de recebimento dos créditos referentes a eles pelos fornecedores, procedimento estabelecido na cláusula 7.5.1 do contrato público com as agências que atendem ao estado, medida incorporada por esta administração para garantir mais rigor no controle de gastos públicos. Em uma inovação de caráter nacional, todos os procedimentos da Secom de Minas Gerais – assim como das demais secretarias estaduais – passam rotineiramente pela verificação de auditoria setorial específica, permanente e preventiva, que acompanha o dia-a-dia da administração neste setor, o que permitiu a agilidade necessária para fornecer imediatamente este levantamento. Ainda no intuito de dar maior transparência e economia ao estado, o Governo de Minas adotou um sistema unificado de compras de produtos e serviços, via internet, que possam ser tecnicamente especificados (gráficas, por exemplo). Assim, todo fornecedor que tiver interesse pode ser cadastrado e todos os cadastrados são consultados sobre os serviços. As agências são obrigadas a contratar pelo menor preço apurado. Além disso, a Secom reduziu de 15% para 5% a comissão das agências sobre serviços terceirizados, nos casos em que não há o envolvimento direto das mesmas (pesquisas e patrocínios, por exemplo). Informo, ainda, que as contas da Comunicação Social da atual administração foram aprovadas, sem ressalvas, nos anos de 2003 e 2004. E que, em 2005, três das seis contas de publicidade governamental sob a responsabilidade da Secom (agências SMPB, RC e TOM Comunicação) foram auditadas, por inspeção-padrão e rotineira do Tribunal de Contas. Da mesma forma, as contas gerais da Administração Aécio Neves também foram aprovadas sem ressalvas pelo Tribunal de Contas do estado nos anos de 2003 e 2004. Encaminho, por último, detalhamento sobre os lançamentos citados pela revista e listados à Secom, que compõem o total de 10 192 liquidações de despesas realizadas pela comunicação social do Governo. Lamentamos que a revista não nos tenha consultado para que fosse possível encaminhar previamente estes esclarecimentos. Informo que todos os documentos originais sobre os procedimentos técnicos e operacionais da Secom se encontram arquivados na Diretoria de Contabilidade e Finanças, da Secretaria de Estado de Governo, à qual a Secom está subordinada, e disponíveis para conhecimento desta revista, assim como as respectivas peças de comunicação devidamente veiculadas na mídia mineira".

Ronaldo Lenoir
Superintendente de imprensa da Subsecretaria de Comunicação Social
Belo Horizonte, MG



ESSÊNCIA MAHLERIANA

A reportagem "Uma teoria que explica estes gênios" (15 de junho), baseada em estudo dizendo que o destaque intelectual de alguns judeus pode ser produto da seleção natural, motivou o leitor Arnold Diesendruck, de São Paulo, a resgatar uma curiosa informação. De acordo com Diesendruck, "Gustav Mahler (1860-1911) foi judeu até que lhe acenaram com a posição de diretor-geral da Ópera de Viena. Uma das exigências era, no entanto, que se convertesse ao catolicismo". De fato, o eminente regente e compositor austríaco, citado na matéria de VEJA, tornou-se católico em 1897, em nome da carreira. Autor de diversas canções e de dez sinfonias (a última inacabada), como a Nº 1, conhecida como Titã, e A Canção da Terra, Mahler dirigiu também a New York Metropolitan Opera e a Filarmônica de Viena.



COLLOR JÁ SABIA

Roberto Castro/AE
Collor: Delúbio é maior que PC


O leitor José Alex G. Silva, de Lagoa Santa, em Minas Gerais, escreveu à redação para lembrar um alerta feito pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello há quase um ano. A frase citada por Silva, publicada na seção Veja essa de 18 de agosto de 2004, é esta: "O Delúbio (Soares) é muito mais abrangente do que foi Paulo César (Faria). A situação do Delúbio é, no mínimo, muito parecida com a situação em que esteve envolvido o PC". Segundo Silva, "VEJA precisava relembrar aos leitores essa profética fala de Collor".

 
 
 
 
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