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Coisa fina
Coleção
apresenta edições críticas de clássicos
Raramente o leitor comum consegue
enxergar o artesanato literário por trás de uma
obra-prima. Quantas pesquisas o autor fez? Ele escreveu
somente uma versão? Ou modificou o texto inúmeras
vezes? Como a elucidação desse tipo de mistério requer
um mergulho em arquivos e bibliotecas, as respostas
normalmente circulam apenas entre pesquisadores. Mas nem
por isso elas são meras "coisas de
especialista". É surpreendente a quantidade de
informações interessantes que um manuscrito pode
oferecer mesmo para um leitor menos ambicioso. Daí o
interesse das chamadas "edições críticas".
Além de apresentar o texto mais correto possível, livre
dos erros que edições comuns muitas vezes contêm, elas
reúnem originais e variantes conhecidas de uma obra. Com
isso, recompõem a "gênese" dos clássicos.
Por serem caras de fazer, há poucas
edições desse tipo no Brasil. Há vinte anos, porém, uma coleção organizada
em Paris vem tratando de estabelecer edições críticas de 150 grandes textos
da literatura latino-americana. Entre eles, dezesseis brasileiros. A Coleção
Archivos é financiada por oito países do continente e quatro europeus.
"É um projeto que atingiu a maturidade", diz Amos Segala, seu
diretor. "Será reconhecido como prioridade na próxima Cúpula de Chefes
de Estado da América Latina, em outubro." Apesar de estar entre os
financiadores, o Brasil nunca contou com um sistema de distribuição regular
da coleção. Mas isso muda agora, pois uma editora comercial brasileira
a Scipione vai prestar esse serviço. A primeira edição a
sair com o selo da Scipione foi a de Triste Fim de Policarpo Quaresma,
de Lima Barreto, que inspirou um filme equivocado (veja crítica). Além dessa, obras de Mário de Andrade, Clarice
Lispector e Lúcio Cardoso já podem ser encontradas. Editados na França
e impressos na Espanha, os volumes têm um preço só: 38 reais.

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