| |
Humor reciclado
Boa
música e história repetitiva na
continuação de Os Irmãos Cara-de-Pau
Os Irmãos
Cara-de-Pau 2000 (Blues Brothers 2000,
Estados Unidos, 1998), que estréia nesta semana em São
Paulo e no Rio de Janeiro, não se compara ao filme
original, escrito a quatro mãos pelo ator Dan Aykroyd e
pelo diretor John Landis em 1980. Desta vez, a mesma
dupla errou o alvo: faltam à narrativa o humor e o ritmo
que consagraram Os Irmãos Cara-de-Pau como uma
das comédias mais divertidas de todos os tempos. Falta
ainda um ator como John Belushi, morto em 1982, que fazia
dupla com Aykroyd e era a alma da primeira fita. A
continuação apenas repete meia dúzia de piadas que
tinham graça dezoito anos atrás. Quem se dispuser a ver
os guitarristas B.B. King, Eric Clapton e Bo Didley
tocando juntos vai encontrar alguma diversão. Quem faz
parte da tribo que cultua os personagens blueseiros do
original também terá algum interesse nessa paródia. Os
demais espectadores irão apenas se decepcionar.
O argumento ecoa o
do filme anterior, com poucas variações. Dan Aykroyd
vive um cantor de blues, órfão, criado em reformatório
e com uma longa ficha policial. Perseguido pelo FBI, pela
máfia russa e por um grupo neonazista, só consegue
escapar criando mais confusão. No primeiro filme, a
caçada humana era divertida pelo absurdo. Agora, cai no
ridículo. Apenas nos quinze minutos finais o espectador
consegue entusiasmar-se. Isso porque entram em cena,
juntos, vários músicos de peso. Parece até uma versão
do videoclipe de We Are the World, só que em
ritmo de blues. Os outros números musicais pouco ajudam.
Deslocados da trama, fazem com que a história fique
forçada. Por mais que seja agradável ver e ouvir Aretha
Franklin cantando, é constrangedor constatar que a cena
em que ela aparece, numa revenda de automóveis, não tem
outro propósito senão o de fazer merchandising.
Duas semanas
atrás, durante o Festival de Cannes, os produtores do
filme tentaram fazer barulho, mas não adiantou. Os
Irmãos Cara-de-Pau 2000 é um fracasso também de
bilheteria. Nos Estados Unidos, onde estreou no dia 8 de
fevereiro, ele empacou na casa dos 13 milhões de
dólares, um prejuízo grosso. Os grandes nomes da
música que fizeram pequenas pontas no filme deveriam ter
cantado em outra freguesia.
Celso
Masson

|
|