Bolso

Loteria bancária

Como funcionam os investimentos que
rendem pouco mas podem distribuir prêmios

Os bancos e as seguradoras estão ganhando um bom dinheiro oferecendo aos clientes um tipo de aplicação financeira conhecida como título de capitalização. É um investimento que paga rendimentos modestos, mas dá aos poupadores a chance de receber prêmios em dinheiro. Em 1997, os brasileiros aplicaram 4,4 bilhões de reais nesses títulos e o valor deve crescer 5% neste ano. Quem pensa em comprar um título de capitalização de olho no retorno do dinheiro deve desistir. Na melhor das hipóteses, terá de volta rendimento de 0,5% ao mês mais a TR. É o mesmo que paga a poupança. A diferença é que nem tudo o que se aplica nos planos de capitalização volta para o bolso de quem comprou o título. Uma parte do dinheiro é separada e vai para o bolo que financia os prêmios. No PIC, do Itaú, por exemplo, apenas 12% das duas primeiras mensalidades são destinados à poupança. Da terceira prestação em diante, a relação se inverte: 88% viram investimento e 12% alimentam o bolo. No Megaplin, do Unibanco, 25% de cada mensalidade é destinada ao sorteio. O certo é encará-los como o que são: um jogo interessante. "Esses planos são, na verdade, uma forma de jogar sem sentimento de culpa", diz Sergio Diuana, diretor da Sul América Capitalização.

Com os títulos de capitalização, as pessoas investem a partir de 30 reais por mês, dinheiro que raramente faz falta a alguém, e concorrem a prêmios mensais que variam de 3.000 a mais de 200.000 reais. As chances de ganhar variam conforme o título. "A possibilidade de levar um prêmio alto é pequena", diz o consultor independente José Dutra Vieira Sobrinho, especialista em matemática financeira. Dutra analisou as possibilidades de premiação dos onze maiores títulos de capitalização do mercado. Em seis deles, a chance de ganhar o prêmio principal é menor do que a da extração de quarta-feira da Loteria Federal (uma em 70.000).




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