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Oportunidade Compre sua vagaAs
empresas que ajudam a procurar trabalho
Até pouco tempo atrás, conseguir um emprego dependia exclusivamente da rede de contatos pessoais, das ofertas publicadas em jornais, de programas de recolocação patrocinados por empresas ou de um convite salvador. Tudo isso continua valendo, mas os profissionais de nível superior que pretendem trocar de emprego ou conseguir trabalho têm a opção de recorrer às consultorias de recolocação profissional. Esse serviço, conhecido pela palavra em inglês outplacement, é oferecido no Brasil há mais de uma década. Há alguns anos, as consultorias especializadas só atendiam profissionais encaminhados pelas companhias que ajudavam ex-funcionários a conseguir um novo emprego. Agora, algumas dessas firmas (há cerca de trinta no Brasil) já aceitam que o candidato as procure diretamente. Não há restrição quanto a idade, profissão ou experiência. Esses empregos têm um preço. No mínimo, o primeiro salário que o profissional receberá depois de contratado. Algumas empresas estabelecem piso de 2.000 reais. Se o candidato for contratado por, digamos, 1.800 reais, entrega o primeiro ordenado e quita a diferença no segundo pagamento. Para quem pleiteia cargo de diretor ou gerente, o preço pode chegar a 10.000 reais. Em troca, o candidato recebe orientação sobre a melhor maneira de conseguir uma vaga. "O que não é possível é garantir emprego ao candidato, pois as vagas não são nossas, são de quem contrata", diz Elaine Saad, sócia-diretora da consultoria Saad Fellipelli, de São Paulo. Quem foi demitido não deve esconder isso de ninguém. O executivo Gilberto Bonfatti Júnior, de 36 anos, era diretor de marketing da Fotoptica, uma rede de lojas que vendem óculos e produtos eletrônicos em São Paulo. Informado com antecedência de sua demissão, não fez segredo. Telefonou para seus amigos e avisou que seria afastado. Um amigo indicou três consultorias de recolocação. Bonfatti visitou todas elas, escolheu uma e, em dois meses, marcou nove entrevistas em empresas. Foi contratado como diretor de marketing da Sosecal, representante no Brasil das câmeras Minolta. "As empresas precisam de você, mas é preciso ir atrás das oportunidades", diz Bonfatti. "A consultoria te prepara para encontrar a oportunidade." Manter a calma é muito importante. Por mais difícil que seja, não se deve entrar em pânico ou agarrar-se à primeira vaga. Há sempre o risco de surgir uma oportunidade melhor um pouco mais adiante. Quem está empregado, mas deseja mudar de trabalho, deve ser discreto. Sempre há o risco de a notícia chegar à direção da empresa. Nesse caso, existe a chance de o desligamento acontecer antes de surgir uma oportunidade no mercado. O currículo é o primeiro contato da empresa com o candidato, e as empresas dão mais importância do que as pessoas normalmente acreditam. "É uma carta de apresentação", diz Raimundo Ramos, gerente de recursos humanos da Motorola. "Ele abrirá ou não as portas para as entrevistas." Por isso é tão importante. Uma pesquisa da DBM, empresa mundial de recolocação de executivos, mostrou que os responsáveis pela seleção de profissionais nas empresas dedicam no máximo trinta segundos à leitura de cada currículo. "Hoje, ninguém mais tem tempo de ler documentos extensos", diz o consultor Gerson Corrêa, da DBM. Essa é a principal explicação para a queda em desuso dos currículos massudos, que detalham a vida do candidato do curso primário ao último emprego. O documento acompanhou as mudanças de expectativa das empresas em relação aos profissionais: precisa produzir resultados imediatos. As informações do currículo devem ser concisas, objetivas e ocupar, no máximo, duas páginas. Os dados pessoais, a área de atuação, a formação acadêmica e o domínio de idiomas continuam indispensáveis. É preciso mencionar as empresas por onde passou, os cargos ocupados e, uma novidade, os resultados alcançados. A apresentação deve ser impecável. "Maquiar o currículo para conseguir uma entrevista e distribuí-lo para todos os lados é um erro", garante Marcelo Roemer Ferreira, diretor de recursos humanos da BRM Associados. O candidato que agir dessa forma poderá conseguir uma entrevista e ser aprovado por ter convencido o recrutador. "Mas em dois meses poderá ser novamente demitido."
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