|
|
![]() |
| 1.
As aulas de artes são
importantes para o desenvolvimento da
criatividade e da imaginação. Estimulam a
sensibilidade e a percepção. 2. As disciplinas tradicionais do currículo básico não podem ser deixadas de lado. A escola deve reforçar o conteúdo e proporcionar um conhecimento sólido. 3. As atividades esportivas são fundamentais para o desenvolvimento corporal da criança. 4. É bom que o aluno tenha contato com mais de uma modalidade artística. Isso o ajudará a descobrir suas tendências e a desenvolver suas habilidades. |
Escolher em que escola matricular o filho
é uma das decisões mais importantes que os pais tomam
em sua vida. Uma boa escolha pode ajudar seu filho a
disputar, mais tarde, os melhores postos do mercado de
trabalho com maior possibilidade de sucesso. Poderá
contribuir para torná-lo mais independente e criativo.
Se a decisão for acertada, a escola será uma aliada
poderosa dos pais, que hoje não dispõem do tempo
necessário para acompanhar cada passo da educação da
criança. Como a tarefa é complexa, exige tempo e muita
paciência, é preciso começar já. As vagas nas boas
escolas são tão disputadas quanto num vestibular.
Algumas exigem reserva com meses ou anos de
antecedência, outras fazem testes de seleção. Deixar o
problema para as vésperas do início do período letivo
pode significar perder o lugar para outro.
O primeiro passo é tentar identificar entre as boas escolas aquela que oferece o modelo de educação mais próximo do que os pais esperam para o filho. O segundo passo é procurar saber se o método de ensino adotado pelo estabelecimento combina com as características da criança. Ela gosta mais de matemática? Dá sinais de que aprecia ciências? Há escolas que, dentro das limitações do currículo, enfatizam mais uma área que outra. O certo é que não existe uma cartilha a ser seguida na hora de optar pelo lugar ideal para matricular o filho. "O melhor critério é o bom senso", diz a pedagoga Sônia Kramer, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O fundamental é que os pais jamais deixem de estar atentos às mensagens que recebem das crianças. São elas que indicarão se a escolha foi bem-feita ou não. Se o filho manifestar sinais claros de falta de adaptação (ansiedade, nervosismo, irritação e uso de desculpas para deixar de ir à aula, por exemplo) e eles persistirem depois de esgotados os recursos de orientação, a escolha pode não ter sido a melhor. Nesse caso, será necessário reconhecer o erro e transferir a criança para outro estabelecimento.
Qualquer escolha nesse campo deve levar em conta a organização da escola e o objetivo pedagógico de cada atividade do currículo. É preciso saber, por exemplo, se os cursos extras, cada vez mais comuns, são apenas uma forma de ocupar o tempo ou se realmente contribuirão para a formação da criança. "O que ninguém deve é considerar que está proporcionando uma boa educação simplesmente porque sobrecarregou o filho de atividades", diz a psicóloga Ivonise Catafesta, da Universidade de São Paulo. A necessidade de atenção por parte dos pais varia de acordo com a idade da criança e diminui gradativamente com o tempo. À medida que o filho cresce e passa a descobrir seus espaços, é até aconselhável que tenha mais liberdade para desenvolver a autoconfiança. O que não se pode fazer, qualquer que seja a idade, é demonstrar desinteresse pelo desempenho escolar da criança.
![]() |
A escola precisa estar atualizada e incluir as novidades tecnológicas em seu currículo. Conhecer o computador e saber usá-lo é essencial. |
Uma boa formação escolar, hoje em dia, não se limita ao currículo básico. As atividades extras são cada vez mais necessárias. Mais do que um complemento de currículo, o contato com o computador, por exemplo, se tornou uma necessidade. Alguns educadores aconselham que o aluno comece a ter contato com o micro a partir dos 4 anos. "Essas aulas ajudam a dominar uma nova linguagem e têm o mesmo peso dos livros infantis", diz a professora Idméa Semeghini, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Os educadores que defendem a utilização desse recurso concordam que as aulas não devem limitar-se ao ensino do uso do computador. "A máquina deve servir de instrumento para facilitar a convivência com o conteúdo das outras disciplinas", diz o educador Hubert Alquéres, secretário adjunto da Educação do Estado de São Paulo.
A mesma importância têm as aulas de idiomas, especialmente o inglês. Uma corrente de educadores recomenda que a criança comece a aprender uma língua antes da alfabetização. Outra linha acredita que é preferível esperar um pouco mais. Mas ninguém discute a importância do ensino do idioma. "É uma forma de estabelecer contato com o mundo", diz o pedagogo Ricardo Antunes de Sá, da Universidade Federal do Paraná. O importante, aí, é discutir com orientadores e psicólogos e tentar saber as vantagens e desvantagens de estudar línguas na pré-escola. Aulas de idiomas fazem parte do currículo, a partir da 5ª série do 1º grau, há algumas décadas. Mas é praticamente impossível encontrar um brasileiro com mais de 25 anos que domine o inglês apenas com as lições que recebeu no colégio. Uma das razões dessa ineficiência é que as aulas eram (e na maioria dos casos ainda são) dadas para as classes normais, com trinta alunos ou mais. Algumas escolas oferecem hoje, como parte do currículo normal, aulas reforçadas de inglês em salas de, no máximo, quinze alunos.
Atividades artísticas e esportivas são complementos importantes, e a escola deve oferecê-las. "São essenciais para o desenvolvimento do corpo e da sensibilidade", diz a pedagoga Maria Luisa Xavier, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Nessas áreas estão as mais diversas alternativas. O Colégio Magno, de São Paulo, por exemplo, oferece aulas de balé, jazz, natação, atletismo e judô. Os alunos do Centro Educacional da Lagoa, no Rio de Janeiro, podem ter aulas de teclado, sapateado, desenho em quadrinhos e interpretação para as câmeras. Essas atividades podem ser feitas fora da escola. Mas, por uma questão de praticidade, muitos pais estão preferindo concentrá-las num mesmo estabelecimento.
A formação dos professores é um ponto fundamental a ser observado. Quanto maior a especialização do corpo docente, mais bem atendida estará a criança. Todo professor deve ter, no mínimo, diploma de graduação na disciplina que leciona. Além disso, tem de se atualizar sempre. A escola precisa incentivar a formação contínua de seus profissionais. "É fundamental que o professor saia da escola e enxergue o mundo além de seu universo profissional", diz o professor Ricardo Antunes de Sá, do Paraná. "Caso contrário, seu trabalho tende a se tornar medíocre e afastado da realidade." O número de professores por aluno varia conforme o grau de escolaridade. Na pré-escola, conforme um cálculo do educador Hubert Alquéres, a média ideal é de um professor para cada dezessete alunos. No 1º grau, a relação é de um professor para cada vinte alunos. A média ideal é de 23 alunos por professor no 2º grau. Os cálculos de Alquéres levam em conta, além dos professores em sala de aula, os coordenadores de ensino. Quanto mais nova for a criança, maior será a necessidade de ter um professor mais próximo e atento à sua individualidade. Uma sala de aula com estudantes além da média aconselhável pode gerar problemas de concentração.
Outro ponto importante é a infra-estrutura pedagógica da escola. O computador é importante, mas não pode e nem deve substituir o livro, essencial para o desenvolvimento da criatividade e do senso crítico nos alunos. Clássicos da literatura, livros didáticos, de ficção, enciclopédias, jornais e revistas devem fazer parte do acervo do colégio. "Mais do que ter uma biblioteca, a escola deve fazer um bom uso dela", salienta o educador Hubert Alquéres. Também é importante verificar se as instalações da escola são adequadas a todas as exigências de uma boa educação. Na pré-escola e nas primeiras séries do 1º grau é fundamental que haja espaço para brincadeiras. Instalações apropriadas para a prática de esportes são importantes para todos os alunos.
A questão, aí, é o preço. As melhores escolas são, invariavelmente, as mais caras. Os preços mudam de cidade para cidade, mas essa é uma realidade inescapável. Para os pais da cidade de São Paulo que possuem recursos para pagar de 500 a 600 reais por mês pela educação regular dos filhos e ainda têm dinheiro para investir em cursos extras, sai mais em conta concentrar todas as atividades num mesmo endereço. Há três anos, Andréa Breves Costa, gerente de uma joalheria em São Paulo, optou por matricular as filhas Marina, de 10 anos, e Joana, de 7, em período integral no Colégio Magno, um dos mais caros da cidade. Além de acompanhar o desempenho das crianças, Andréa e o marido, o executivo José Carlos Souza Costa, dividem apenas a tarefa de levar e buscar as filhas. Inglês, informática, ginástica olímpica, natação, jazz, oficina de artes, vôlei e até culinária fazem parte do currículo das meninas. O casal gasta 2.200 reais por mês com a educação das crianças. "O valor é alto", declara Andréa. "Mas a proposta é oferecer às nossas filhas o que há de melhor."
Copyright © 1998, Abril
S.A. |