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Aço O sem-siderúrgicaBenjamin
Steinbruch perde a CST e
Nos últimos quatro anos, o empresário Benjamin Steinbruch colecionou uma vitória após a outra. Comprou a Companhia Siderúrgica Nacional, CSN, a Vale do Rio Doce, a Light e a Ferrovia Centro Atlântica, que liga o Rio de Janeiro ao Nordeste, entre outras estatais privatizadas. A estrela do empresário parecia estar mais brilhante do que nunca. Em abril, arrematou a Eletropaulo-Metropolitana, a companhia de distribuição de energia elétrica que atende à Grande São Paulo. A rotina era de um êxito após o outro. Em maio, Steinbruch empenhou-se até o pescoço num novo desafio. Queria, por intermédio da CSN, comprar a Acesita, dona da Companhia Siderúrgica de Tubarão, CST, a jóia da coroa entre as siderúrgicas brasileiras. Foi nessa tentativa que o emergente Steinbruch sofreu sua primeira grande derrota pública: na segunda-feira 25, perdeu a briga pela Acesita para o grupo francês Usinor, que arrematou a empresa por 720 milhões de reais. Em vez de Steinbruch, quem manda na CST agora é o empresário francês Francis Mer, presidente da Usinor, um gigante da siderurgia que faturou 12 bilhões de dólares no ano passado. Steinbruch não conseguiu apresentar uma proposta melhor que a dos franceses. Foi capaz apenas de mandar aos fundos de pensão donos da Acesita uma vaga carta de intenções de duas páginas, na qual nem o valor de compra estava explicitado. Nela, assegurava que pagaria 1 milhão de reais acima da oferta que fosse feita pela Usinor, mesmo sem saber exatamente quanto os franceses pagariam pela Acesita. Além disso, fez uma exigência que irritou os fundos. Eles, que também são sócios de Steinbruch na Vale, deveriam obedecer a ele nas decisões que dissessem respeito à CST. O malogro de Steinbruch pode ter surpreendido a quem acompanha de longe as movimentações do empresário. Mas a verdade é que algumas de suas alianças vinham se esgarçando. Os fundos de pensão de empresas estatais, aliados de primeira hora quando ele comprou a Vale, andam acusando Steinbruch de autoritário e já não manifestam vontade de andar de mãos dadas com o empresário. "O problema do Benjamin é que ele não soube parar e consolidar o que conseguiu. Abriu muitos flancos", diz um diretor de um fundo de pensão estatal.
Um desses flancos foi o próprio governo. Por ocasião da privatização da Vale, o governo o ajudou. Mas a relação foi se deteriorando. A ponto de o próprio presidente Fernando Henrique ter mandado vários recados a Steinbruch sugerindo que ele renunciasse à vaga que ocupava no conselho de administração da Petrobrás. O empresário fingiu não entender. Seu comportamento irritou o governo. Na disputa pela Acesita, o governo trancou os cofres do BNDES, que poderia emprestar dinheiro para o negócio. Não liberou empréstimos para Steinbruch. "Não fomos nós os prejudicados. Foi o país", diz o empresário, que um dia depois da derrota anunciava que criará, em parceria com o grupo alemão Krupp Thyssen, uma concorrente para a CST. Conclusão: ao contrário do que diz Steinbruch, o país saiu ganhando nessa história. Em vez de uma supersiderúrgica, passará a ter diversas concorrendo no mercado. O que melhora a qualidade e baixa o preço do aço. Consuelo Dieguez
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