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Bebidas Marvada pingaReceita Federal descobre falsários de selos de bebidas
Ao prender em flagrante os irmãos Alberto Felipe Haddad e Luiz Felipe Haddad, na quinta-feira 21, a Polícia Federal descobriu um alambique de irregularidades na produção brasileira de cachaça. Os Haddad eram donos de uma gráfica clandestina em São Paulo em que eram falsificados selos de recolhimento de impostos e títulos da dívida agrária, TDAs. De suas oficinas saíam selos e notas fiscais falsas que, depois de passar por outra empresa, acabavam "esquentando" a produção de diversas engarrafadoras da bebida, entre elas marcas populares como Pitú, Tatuzinho, Três Fazendas e Caranguejo. O problema é grave. A pinga é a segunda bebida alcoólica mais vendida no país. Só perde para a cerveja. A Receita estima que, usando selos falsos, praticamente todas as engarrafadoras de pinga estão sonegando cerca de 45 milhões de reais por ano. A sonegação atinge 60% de toda a cachaça consumida no Brasil, um total de 1 bilhão de litros por ano. "Todas as indústrias e engarrafadoras de cachaça no país foram fiscalizadas, e em apenas uma não foram encontrados indícios de sonegação de tributos", afirma o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. A Receita Federal já autuou todas as empresas envolvidas e pediu ao Ministério Público Federal que abra processo contra elas, por crime contra a ordem tributária. Não se sabe se os Haddad são os únicos fornecedores de selos falsos para os fabricantes de pinga. Esse é um crime antigo. Já houve outras quadrilhas descobertas, e desconfia-se que outras ainda estejam em atividade. O que a Receita descobriu em detalhes, desta vez, foi o modo de operação dessa quadrilha, a dos Haddad. Ela criava destilarias fantasma, que emitiam notas fiscais falsas para uma empresa maior, a Indústria de Bebidas Sabará Ltda., pertencente à família Haddad. A Sabará, por sua vez, emitia notas frias em nome das grandes engarrafadoras. O processo que está sendo aberto agora na Justiça vai ajudar a esclarecer um dos maiores e mais antigos mistérios tributários do Brasil. A Indústrias Müller de Bebidas Ltda., fabricante da aguardente 51, é responsável por 65% de todo o IPI proveniente da indústria da cachaça, embora fabrique apenas 30% da bebida nacional. A conta não fecha. Leonel Rocha
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