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Ufa! Até que enfim...
...a
pílula do sexo chega ao Brasil. A partir
desta segunda-feira a droga já estará a venda
Karina
Pastore

Em meio a uma onda
de boatos, piadas e suspiros, desembarca a partir desta
segunda-feira nas farmácias brasileiras o Viagra, a
pílula do laboratório Pfizer contra a impotência
sexual. Deixem-se as brincadeiras para quem gosta e os
suspiros para os amantes frustrados que agora poderão
ter remissão. Os boatos sintetizam-se numa fórmula:
"Viagra mata". No início da semana passada,
divulgava-se em tom sensacionalista que o remédio já
havia feito uma vítima fatal no Rio Grande do Sul.
Apareceu um médico gaúcho, o clínico Edy Sergio
Iankowski, dizendo ter recebido o telefonema de uma
mulher cujo marido, cardiopata de 66 anos, morrera depois
de ter conseguido fazer sexo duas vezes seguidas,
embalado pela drageazinha azul. Mais tarde, o médico
diria não ter como confirmar a relação entre o óbito
e o medicamento contra a impotência. Pior, nem sequer
sabia se havia mesmo um morto. Mas o boato correu como
rastilho de pólvora porque vinha ancorado numa notícia
análoga, divulgada nos Estados Unidos, onde o próprio
laboratório Pfizer, fabricante do Viagra, anunciou a
morte de seis pacientes depois de usar o remédio.
Pronto, o estrago ainda que momentâneo
estava feito.
O Viagra representa
uma revolução no tratamento da disfunção erétil, mas
está longe de ser a panacéia para todos os pacientes
vítimas de qualquer tipo de impotência. O novo
remédio permite que o pênis se enrijeça com aparência
natural, e exige a excitação sexual para que isso
ocorra. Sem desejo, portanto, nada feito. "O Viagra
não é um afrodisíaco. E quem tomá-lo com essa
intenção não conseguirá efeito algum", lembra
Eduardo Bertero, um dos médicos envolvidos na fase
brasileira das experiências com a pílula azul.
Diferentemente dos
métodos tradicionais as injeções e os
supositórios , o Viagra é um medicamento que se
toma pela boca. Interfere, portanto, não apenas nos
mecanismos de funcionamento do pênis, mas em todo o
organismo. É preciso ter cuidado, em particular com os
que sofrem de problemas cardiovasculares (veja quadro
acima). A ação da pílula baseia-se na dilatação
dos vasos sanguíneos, o mesmo princípio dos
vasodilatadores usados por muitos pacientes cardíacos.
Quando o Viagra é tomado junto com esses remédios, pode
acontecer uma queda brusca da pressão arterial,
colocando a vida do doente em risco. Essa
contra-indicação está explícita na bula do Viagra.
Há outros riscos:
a combinação do Viagra com drogas de uso rotineiro como
o Tagamet ou o Antak, contra úlceras, o antimicótico
Ketonan ou o antibiótico Pantomicina pode agravar os
efeitos colaterais da pílula do prazer. "No
fígado, todos esses medicamentos são processados pelas
mesmas substâncias", diz o farmacêutico José
Carlos Nassute, pesquisador da Universidade Estadual
Paulista. "Se alguém toma um remédio para o
estômago e depois o Viagra, o fígado não conseguirá
metabolizar a droga contra a impotência, que ficará
agindo por mais tempo no organismo." Entre os
efeitos colaterais que podem ser potencializados estão,
principalmente, a enxaqueca, a diarréia e o
embaralhamento de cores.
Sem
alarmismo Tanto a interferência sobre os
mecanismos da vasodilatação quanto aquela sobre o
fígado não impediram que mais de 1 milhão de
americanos consumissem o Viagra desde março, quando de
sua aprovação pelo FDA, a rigorosa agência de controle
sobre alimentos e remédios dos Estados Unidos. O fato de
seis homens terem morrido depois de tomar o remédio não
traz em si nenhuma evidência de que ele mate quando
consumido segundo as prescrições. Quando se sabe que a
impotência é um distúrbio que afeta principalmente
homens com idade acima de 50 anos, e que os problemas
coronarianos acontecem também com mais freqüência a
partir dessa faixa etária, então se pode estar diante
de coincidências, que merecem ser acompanhadas. Até
agora, porém, não se registraram motivos para alarme em
relação à pílula da Pfizer.
Na semana passada, VEJA conversou
com dez homens que já usam o medicamento a partir de indicações de seus
médicos. Foi de entusiasmo que se falou (leia alguns dos depoimentos). Apenas um reclamou. Foi ouvida também uma dentista
de 32 anos, casada há nove anos e mãe de um menino, que nunca tinha conhecido
os prazeres de uma relação sexual satisfatória. "Meu marido só tinha
ereções parciais", diz ela. O Viagra mudou isso. "Estou eufórica.
Fazemos amor duas vezes por semana, e ele consegue manter-se no ponto
por até duas horas consecutivas", comemora. "Calculo que 50%
dos homens que tratamos, com idade superior a 50 anos, terão resultados
positivos em suas relações sexuais", afirma o urologista Joaquim
Claro, da Universidade Federal de São Paulo. Segundo o médico, esse índice
sobe para 80% entre os pacientes com idade inferior a 50 anos.
Até um caso de
efeito psicológico o Viagra tem registrado. O médico
Celso Gromatzky, da Universidade de São Paulo, conta
sobre um paciente, executivo de 50 anos, que há alguns
meses alternava episódios de impotência total com
outros de ereções fracas. Avesso à idéia de usar os
remédios tradicionais, o homem resolveu experimentar o
Viagra. Uma semana depois de comprar a droga, ele voltou
ao consultório do médico. Mostrou a caixinha intacta.
"Estou ótimo. Não precisei sequer tomar o
comprimido. Só o fato de tê-lo na minha pasta já
resolveu o problema", contou. É uma novidade. Nunca
se falou tanto e tão francamente sobre impotência, um
assunto que os homens até bem pouco tempo preferiam
esconder de si mesmos.
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"Eu me casei virgem,
há nove anos. Sempre tivemos problemas sexuais. Raramente meu marido
conseguiu ter uma ereção plena. Com o passar do tempo, o problema
se agravou. Chegamos a ficar até quinze dias sem ter relações. Era
um horror. Achava que a culpa era minha. Há um mês, ele começou
a tomar Viagra. Teve uma noite em que fizemos sexo duas vezes! Estamos
eufóricos. A pílula me mostrou que eu posso ter e dar prazer"
R.M.P.
dentista, 32 anos
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"Desde a cirurgia de
próstata, em 1992, passei a sofrer de
disfunção erétil. Há três anos comecei a
usar injeções de prostaglandina. Achava o
método bom até experimentar o Viagra. As
ereções que tenho com a pílula são menos
potentes e demoram mais para acontecer. Mas não
se compara. São infinitamente mais naturais.
Depois do orgasmo, acaba a ereção. Com as
injeções, eu ainda mantinha a ereção por mais
uma hora"
W.B.
industrial, 73 anos
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"Dia 22 de abril foi
um marco em minha vida. Naquela tarde, eu tomei
meu primeiro comprimido de Viagra. Essa pílula
é milagrosa. Há cerca de um ano, comecei a ter
dificuldade em ir até o fim do ato sexual. Com o
Viagra fiz sexo por quase cinqüenta minutos. Foi
a glória! A sensação de perder a potência
sexual é deprimente. Eu me julgava um incapaz,
um velho. Prefiro morrer daqui a um ano a viver
dez anos sem funcionar"
J.A.
empresário, 71 anos
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"A partir de 1994,
comecei a pifar no meio da relação. Por medo,
evitava o sexo. Fui ao médico. Ele me indicou as
injeções, mas eu não quis. Há um mês tomei o
Viagra. Se não houver estímulo, não funciona.
Experimentei com a minha mulher. A ereção não
durou cinco minutos. Sou casado há 23 anos, e
lá em casa as coisas estão muito mornas. Com a
minha amante funcionou. Fizemos sexo por duas
horas e meia"
L.P.S.
químico, 47 anos
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"Por problemas
emocionais falta de
dinheiro, dificuldades no trabalho, stress , um ano
atrás perdi minha capacidade de ereção. Passei
a usar as injeções. Dez minutos depois da
aplicação eu estava pronto. Como o Viagra
demora para fazer efeito, eu não pulo mais a
etapa das preliminares. Voltei a ter com a
parceira aquele contato mais profundo. Nosso
relacionamento na cama deixou de ficar restrito
ao ato em si"
M.A.S.A.
vendedor autônomo, 53 anos
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"Para
mim o Viagra não funcionou, não. Não tive uma
ereção satisfatória nas duas vezes em que
tomei a pílula. Prefiro as injeções que uso
há vários anos. Com elas reconquistei minha
auto-estima. Hoje consigo manter uma relação
sem necessidade de usá-las. Só recorro à
injeção quando sinto que alguma coisa pode dar
errado.
Wanderley Delgrande
gerente de vendas, 57 anos
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